O INESCRITO: O Informante & O Retorno de um Morto!

_0016_O-Sonhar THE UNWRITTEN

Resenha do segundo e terceiro volume dos encadernados de “The Unwritten” (O Inescrito), do selo Vertigo, publicado no Brasil pela Panini Comics. De Mike Carey (roteiro) e Peter Gross (desenhos).

Para a resenha do Volume 01, “Tommy Taylor e a Identidade Falsa”, clique AQUI.

Contém “Inespoilers” Ausência de revelações sobre a história. S_Final Por Rodrigo Garrit

A imaginação é real. Mesmo intangível, ela nos afeta, nos modifica. Ergue impérios e devora mundos. A imaginação é a nossa perspectiva do mundo, e dependendo de como a usamos, enxergamos felicidade ou tristeza e com ela podemos criar e descriar nossa realidade. A imaginação é real. É a força mais poderosa que existe.

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O Informante.

Tommy Taylor é o menino-bruxo mais famoso da Terra. Protagonista de uma série de livros de fantasia escrito pelo enigmático Wilson Taylor, claramente inspirado em seu filho Tom,  a série literária tem milhares de fãs espalhados pelo mundo e é um sucesso absoluto.

O problema é que o Tom Taylor “real” não parece se sentir muito à vontade com a abordagem dos fãs que insistem em associar sua imagem com a do garoto bruxo dos livros. Mas esse é menor dos seus problemas, já que a vida de Tom teve uma reviravolta inimaginável nos últimos tempos. De pseudocelebridade a prisioneiro, Tom Taylor não está vivendo exatamente um conto de fadas.

Após ser acusado pelos assassinatos ocorridos na edição anterior, agora ele amarga uma estadia na cadeia, mas as barras da prisão não são fortes o suficiente para manter afastados seus inusitados inimigos e os improváveis aliados de uma guerra entre a ficção e realidade… ou entre a sanidade e a loucura?

Tommy Taylor é a versão de Mike Carey para Harry Potter, destilado em camadas de metalinguagem que chegam bem próximas da realidade e voltam em seguida para o improvável mundo da sua imaginação. Mas não se trata de plágio e tampouco homenagem. É a desconstrução do conceito do personagem, e um flerte entre fato e ficção. É metade deboche, metade elogio. Contempla os dois lados da moeda, oscilando entre a maravilha das boas histórias e a insensatez exagerada de alguns fãs da obra.

E como pano de fundo a isso, temos uma guerra secreta com soldados misteriosos disputando a soberania das histórias.

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O Retorno de um Morto.

O impossível aconteceu, para delírio e êxtase dos fãs enlouquecidos da saga literária do menino bruxo Tommy Taylor, o autor da série que há anos não dava sinais de vida reaparece e anuncia o lançamento de uma novo livro da série. O problema é que Wilson está prestes a cair numa armadilha engendrada por inimigos ocultos, e sua única esperança pode ser seu filho Tom, com quem nunca teve uma relação muito próxima, mas que no limiar dos acontecimentos, pode finalmente ouvir as respostas que sempre buscou a vida toda. Tom está caminhando em direção a verdadeira natureza de sua criação e está prestes a se deparar com a constatação de que tudo aquilo que ele acreditava ser real não passava de uma fachada, e todas as histórias fictícias que o rodearam desde seus nascimento são muito mais do que apenas enredos para vender livros…

Mike Carey paga um dobrado, mas consegue contar sua história em quadrinhos metalinguística de um menino bruxo baseado em uma pessoa real sem cair nos clichês do gênero… mas mergulhando de cabeça neles propositalmente e desfiando-o em todas as suas sílabas, transformando-os em uma versão sarcástica e provocadora dela mesma. A evolução da sua ideia original é progressiva e estimulante, ao contrário do que poderia se pensar no início, uma vez que seria difícil manter essa história funcionando por muito tempo antes dela se desfazer sem ter mais caminhos por onde percorrer. Mas Carey a reinventa a cada novo arco, criando subtramas e incrementando-a com novas texturas, abusando da metalinguagem para nos fazer acreditar em sua narrativa criada para o selo adulto Vertigo, usando a premissa simples de um personagem famoso de livros infanto-juvenis.

A história feita no estilo “você escolhe o final” usada para contar mais sobre o passado da personagem Lizzie Hexam mostra o esforço dos autores em nos trazer o conceito daquilo que O Inescrito representa.

Em todas as edições, temos a arte de Peter Gross, co-criador da série, que tem um traço simples e firme, talhado para retratar histórias mais humanas do que mágicas e é por isso que se sai tão bem ao nos mostrar aquelas pessoas do dia a dia passando por situações surreais. As capas de Yuko Shimizu, em contrapartida, não estão atadas a esse compromisso com a realidade e são um espetáculo onírico à parte.

O Inescrito é uma das melhores séries publicadas pela Vertigo atualmente, sendo sucesso de público e crítica, além de uma das preferidas desse que vos escreve.

Que venham as próximas inescrituras!

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