KRULL – “Eu fui embora, meu amor chorou…”

por Venerável Victor “cavaleiro templário das galáxias” Vaughan

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“Apenas unidos teremos alguma chance contra eles”

Apesar de não valorizados como poderiam ter sido na época, os lançamentos de 1980 a 1986 representam uma era de ouro em termos de grandes filmes de fantasia.

Essa era trouxe ao mundo épicos imortais de ação e super-heroísmo, diversos temas pós-apocalípticos e fantasias espaciais como “Fúria de Titãs”, “Excalibur”, “Superman II” e “Os caçadores da Arca perdida” (1981); “Conan, o bárbaro” e “Tron” (82); “História sem fim” (84), “A Lenda” (85) e por fim “Highlander” e “Labirinto” (86), além de muitos, muitos mais que não me vêm à mente agora…

Quase como um consenso, a renascença do cinema de fantasia mundial teve início com o sucesso financeiro, popular e cultural chamado Star Wars – Uma nova esperança,  do mago da sétima arte George Lucas, em 1977. Essa grande saga espacial, inspirada em inúmeros livros e filmes como “O Senhor dos anéis” (é, esta obra é bem mais antiga do que você pode imaginar), “Lendas Arthurianas” e romances como “John Carter…”  além de diversas outras fontes, e trouxe novo fôlego para o gênero.

Assim sendo, em 1983 o diretor britânico Peter Yates apresentou ao mundo sua fantasia cinematográfica nesse estilo: o belíssimo épico Krull, que como muitos outros primos do gênero foi um fracasso de vendas e nunca obteve uma audiência considerável. Apesar de em termos de visual, mesmo sendo de um momento pré-CGI, apresentar um mundo alienígena realista e legitimamente bem construído, além de efeitos especiais pobres mais limpinhos.

O roteiro de Krull nos apresenta uma reinterpretação familiar dos famosos contos de fadas com personagens clássicos como o jovem herói que se tornará rei um dia, a princesa em perigo, o velho feiticeiro que apoia e aconselha o herói, os parceiros engraçados responsáveis pela peripécia da história e a incorporação do mal encarnado definitivo, aqui conhecido como a Besta. Em poucas porém verdadeiras palavras, Krull representa a batalha pelas liberdades individuais do ser, o verdadeiro amor e blábláblá.

No distante mundo chamado Krull uma fera alienígena surge em sua aterrorizante Fortaleza Negra e libera assassinos para dominar os quase medievais reinos desse mundo. Esses aterrorizantes soldados do exército da Besta são bizarras criaturas insectóides vestidas em armaduras humanoides, carregando mortais e avançadas armas tecnológicas. Uma vez que essas armaduras são abertas, os insetos vazam como geleca, portanto, funcionam também como um exoesqueleto… Ai que medo!

A população humana de Krull bravamente resiste como pode à invasão alienígena. Em especial, dois dos maiores reinos decidem se unir através de um arranjado casamento político entre seus príncipes, a jovem Lyssa e o bravo Colwyn. E através desse matrimônio, os sábios acreditam que a próxima geração de Krull decidirá pela união das espécies ao invés da divisão por pequenas diferenças.

Mas a Besta não é besta e não fica contente ao saber dessa união entre seus dois maiores inimigos. Seus exércitos invadem o reino de Lyssa e capturam a jovem princesa no dia de seu casamento, matando seu pai e deixando Colwyn vivo por muito pouco, para enfrentar um futuro incerto.

Por sorte, um velho sábio de nome Ynyr sai de seu exílio auto-imposto na distante Montanha de Granito – pense você em Obi Wan Kenobi no deserto de areia, muito além da fazenda dos Skywalker – para instruir o jovem príncipe em como destruir a Besta e salvar seu verdadeiro amor. Apesar de que eles só se viram por uma hora antes dela ser sequestrada momentos antes da cerimônia…

A primeira missão de Colwyn é adquirir uma antigo artefato conhecido como o “Gládio”, uma arma de arremesso em forma de estrela de cinco pontas douradas, com uma joia incrustada no meio. Pense agora no frisbee destrutivo do filme Tron… o príncipe, em uma cena maravilhosa, escala perigoso paredão rochoso para remover o Gládio de um leito de lava, exatamente como na lenda da Excalibur, ao conseguir e assim mostrando o seu valor, ele suspende a arma nas alturas para que ela brilhe à luz do sol. Só faltava gritar “Eu tenho a força!”

A segunda missão de Colwyn é descobrir aonde a Fortaleza Negra irá se materializar no dia seguinte. Em uma das sacadas mais geniais do filme, a Besta faz com que sua base de operações se materialize cada dia num lugar diferente do planeta, de forma que nunca seja localizada, muito menos atacada.

Colwyn conta com a ajuda de Ergo, o magnífico (um mago transmorfo trapalhão), do ladrão Torquil e seus homens de confiança (incluindo um estreante jedi Liam Neeson e Robbie Coltrane, o gigante Hagrid de “Harry Potter”) e do ciclope Rell, o favorito de todos; segundo este último, sua raça havia sido amaldiçoada e seu único olho só conseguia lhe dar uma visão do futuro: a sua própria morte. Destemidamente o grupo vai ao encontro de um vidente cego, que os dirá a próxima localização da base do vilão.

Infelizmente o vidente é substituído por um perigoso agente da Besta em um pântano misterioso, nossos heróis são emboscados e muitos dos personagens morrem, fazendo isso com que o sábio Ynyr não tenha outra opção a não ser visitar a mística e sinistra Viúva da Teia, seu antigo e perdido amor, também chamada de Lyssa, para que adquiram a informação sobre o próximo lugar da fortaleza. Eis uma das sequências mais fantásticas da história.

Enquanto isso, na Fortaleza Negra, a Besta tenta seduzir Lyssa com ouro, riquezas e a promessa de imenso poder – uma cena que claramente inspirou o roteiro de Ridley Scott no filme A Lenda. Ela resiste a todas as tentações, Quando o vilão fala para ela que “Amor é passageiro; Poder é eterno”, ela retorna o axioma , insistindo no sentido reverso: “Poder é passageiro; Amor é eterno”.

Mas no final a obra Krull não consegue fugir do “happy end” e tudo sai como esperado, a moça prova para a besta da Besta que estava certa, claro. O vilão é derrotado pelo amor verdadeiro e todo mundo em Krull – e por consequência na galáxia – vive feliz para todo o tal do sempre! Yupi!

Se você for puro de coração acreditará que isso seria inevitável desde o início!
Mas se você for um sincero devoto, sabe que só no Santuário há finais felizes sempre!

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48 comentários sobre “KRULL – “Eu fui embora, meu amor chorou…”

  1. “Mas a Besta não é besta ” entra pro rol das frases que marcaram a literatura mundial” seguida de perto por “a moça prova para a besta da Besta que estava certa, claro”

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  2. krull é do tempo em que a sessão da tarde passava filmes ótimos e até hoje ainda assisto com o mesmo sentimento…….nostalgia pura. Esse é mais um filme assisto sempre que dá ao lado de sinbad e fúria de titãs(old) para o azar da minha esposa que me chama de velho kkkkkkkkkkk fazer o que né……… me despeço com os olhos cheios heheheheh

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  3. ótimo post e excelente lembrança.
    Esse filme faz parte de minha formação como nerd e fã de ficção / fantasia.
    Mas, lendo tua resenha, percebi que não me lembro do começo do filme e nem da cena onde a Besta fala com a princesa.
    Uma pena que nos recônditos escuros onde resido ainda não encontrei uma versão bacana em dvd / blu ray para comprar.

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  4. Eu achava que nunca tinha visto esse filme, mas… Nos recônditos sombrios de minhas memórias infantes… Eu acho que já vi esse ciclope…
    Sei lá, se vi, devo ter bloqueado, pois nunca gostei de fantasia medieval. rsrsrsrs
    Mas uma coisa, eu concordo com você, os filmes “ruins” dos anos 80 são maravilhosos, coisa que ainda diverte, e muito, mesmo os efeitos não sendo em CGI, conseguem mexer com a nossa imaginação de uma forma que os filmes atuais não conseguem.

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  5. Eu era criancinha quando assisti este filme! Voltei no tempo agora, nunca me esqueci deste filme! Me marcou muito, me inspirou em muito do que eu escrevo, assim como todo ramo da Fantasia. Krull tem mais honestidade e simplicidade do que muito do lixo que atualmente Hollywood, e mesmo os europeus e orientais, tem produzido no Cinema.

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  6. Assisti muito esse filme na Sessão da Tarde quando era criança. Filme maneiro, divertido, com muita pancadaria.
    Filme muito bom.

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  7. Victor, kkkk que momentos são esses kkkkk bem, gosto é gosto, quando eu era pequeno, ja não gostei muito do filme, por um unico motivo, nunca me atraiu misturar essas coisas tipo muita fantasia com alienigenas com armas futuristicas, sempre fiquei meio perdido com isso, apesar de gostar de cyberpunk com elfos samurais urbanos hehehehe (shadowrun) porem eu prefiro A lenda e historia sem fim e outros.

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  8. eheheheheh
    Eu viesse filme no cinema quando saiu, e os efeitos especiais estavam muito bons para a época. A história é uma das milhares versões da princesa raptada pelo mau feio, e libertado pelo príncipe giro…
    Depois disto já vi o filme na televisão e já não foi a mesma coisa… prefiro não ver mais certos filmes para não destruir a magia de determinada altura…

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  9. Olha, amo essa história! Um clássico do Corujão mesmo! quando estou de boboira e vejo na madruga, uau! Sabe Venerável, já é o segundo filme da capa e espada para menininhas consecutivo que você resenha! 🙂 😉 😉 tá apaixonadinho?????

    Adoro quando o Ciclope fala para o mago trapalhão,que o que mais queria da vida era; IGNORÂNCIA!

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  10. Vendo essa materia, pude lembrar de varios classicos hoje em dia, alem da, hoje velha, historia medieval. Embora nao tive a chance de ver, mostra-se uma historia que, na epoca, se mostrava de grande inovaçao. Alem do mais, vejo que muitas partes do enredo tem ideias que nao foram usadas por outros filme tornando-as admiraveis….

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  11. Sessão da Tarde tá dominando o Santuário!!! Yéah!!!
    \o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/

    Adoro essa sensação gostosa de nostalgia que toma conta da gente quando leio essas matérias!!! Me gusta muito Grande Victor!!!

    Quando vai escrever sobre os “Goonies” e o mostro mais maneiro que já existiu: o Sloth?

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  12. Meu, tu te puxou na nostalgia agora heheh
    Gosto muito deste filme 😀
    Vi ele de novo a pouco tempo atrás e apesar dos efeitos toscos hehe ainda é muito bom:D
    Foi um dos filmes que me levou a gostar de fantasia hehe
    Um dos, tem muitos outros hehe Mas este é com certeza um dos mais lembrados junto com Highlander hehe E outro foi meu pai, que além de me apresentar estes filmes, vivia me contando lendas celtas, medievais e afins hehehe
    Muito bom cara.
    Abs

    http://www.palitosnerds.blogspot.com

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  13. Vi muito na sessão da tarde! Quero ver o v3 resenhar o labirinto! E os mestres do universo e claro meu personagen favorito Conan! Sou um senhor idoso de 27 anos!

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  14. Esse é do fundão do baú!!!!!!!Chapei muitas vezes com esse filme e interessante, foi dele que comecei minha admiração pelo Liam Neeson!!!! Matéria que me deixou ávido por aproveitar um dia dessas férias prá rever esse clássico!!!!

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  15. Eu nunca vi esse filme, mas muitos dessa época não passaram no teste do tempo e hoje são impossiveis de assistir. Alguns são ainda sobrevalorizados (Tron). Fiquei curioso com essa.

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  16. filme épico, esses dias estava passando acho na MGM, e eu não me lembrava muito bem do filme, mas conforme fui assistindo deu uma nostalgia de sessão da tarde com lanchinho da mamãe hahuauha muito boa resenha, continue assim Oh Venerável!!

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  17. Não conheço o filme, mas se segundo a resenha do Venerável Victor e os anteriores comentários se referem à simplicidade do argumento, não vamos esquecer que se pode fazer muita coisa bonita e simples. Final previsível? Bem, se já era na altura imaginem agora. Abraços.

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  18. Filmaço, tenho ele e sempre o vejo e assisto com as crianças que hoje não tem essa safra tão boa de filmes, sem esquecer que a história é ótima, não se esqueça do História sem fim que é o puta classico…

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  19. Você já começa o texto jogando minha memória lá no passado. De fato, aquela foi uma época mágica. Ainda hoje esses filmes, mesmo que pareçam “toscos” se comparados ao que se tem de efeitos especiais atualmente, mantem uma força única. Por si só isso já é um grande feito que aponta para um valor maior do que geralmente se dá a alguns deles.

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  20. Eu fui assistir esse filme na estréia aqui no Brasil com minha mulher, foi lindo, estávamos apaixonados, acreditávamos naquele amor infinito da historia… na época eram fantásticos os recursos, hoje em dia é uma lembrança muito agradável! Adorei a matéria.
    Nota: Depois de anos casado, descobri que não era eu o herói, o Colwyn, mas sim a Besta!!!

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  21. Vi “Krull” no cinema com uma antiga namorada(que não vejo há anos).Sempre que podia,via esse filme na “sessão da tarde”,já que é um dos meus filmes favoritos.E a linda princesa(Lysette Anthony,se não me engano)?Fiquei apaixonado por ela na época.Fiquei triste quando o principe não consegue recuperar o Gládio(que arma!).E qual criança não gostou das trapalhadas de Ergo-o magnífico?!O final foi feliz,mesmo com o sacrificio de vários bravos guerreiros que lutavam contra a Besta.Valeu por comentar esse filme,Venerável.Foi como um presente de aniversário pra mim.Um abraço!

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  22. Algumas cenas deste filme marcaram época, coisa de louco. Pena que não fez tanto sucesso, mas o público teve até razão em perceber que esta obra não chega a ser o que foi Star Wars… mas tem seu mérito. A casa que amanhece cada dia num lugar do planeta, depois da Camila Pitanga de taieur, é a coisa que eu mais desejaria neste mundo!

    Não interessa a tosqueira dos efeitos, aquela era a época de axar aqueilo interessante, assim como o 3D de Avatar será tosco no seu devido tempo. O que está por trás mesmo é o tal do amor… este combustível que rende 90 quilômetros por lágrima…

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  23. Num era nem nascido ainda… ashusahu’s
    Mas pelo contexto, e pelo maravilhoso texto do V3(que não canso de elogiar), é o estilo de filme que eu gosto!
    Logo depois dos filmes de roubo bem sucedido =P
    Matéria de parabéns MB!

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  24. Assisti ha um ano atrás e vi vcomo é sofrivel! mas em homewnagem aos meus anos adolescentes eu adorava esse filme! Quando estive no Rio encontrei a versão em livro do filme num sebo comprei e vi que era igual a do filme sem tirar nem por. ^^ E como dizem re-lembrar é viver então valeu por me fazer lembrar de bons tempos Victor!!

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  25. Não lembro de Krull… acho que era muito nenem pra assistir… Mas já era grandinho quando fui assistir o Flash Gordon…o épico dos filmes de ficção espacial!!!…rs

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  26. EDITORIAL SANTUÁRIO:

    Terça: Resenhas DC comics

    Quarta: Vamos falar um pouco de Marvel – A PRISÃO SEM MUROS

    Quinta: É a vez do cinema – KRULL o filme!

    Sexta : EDITORA: America´s Best Comics

    Sábado: EDITORA: Avatar Press

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