Monstro do Pântano: Sanctuarium Folium Viride!

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77Resenha do especial encadernado “Monstro do Pântano” publicado pela Panini Comics.

AVISO: Contém SPOILERS! 

 

 

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Por Rodrigo Garrit

Selva Urbana“:  Charles Soule  (roteiro) e Kano (arte).

Este Inferno Verde“: Charles Soule (roteiro), Kano (desenhos) e Alvaro Lopes grafado com “s” na edição (arte-final).

Poesia e Assassinato“: Charles Soule (roteiro), Jesús Saiz (arte).

A Árvore de Uísque” (partes 1 e 2): Charles Soule (roteiro), Kano e David Lapham (desenhos) e David Lapham, Kano e Álvaro Lopez grafado com “z” na edição (arte-final).

A História Retalhada“: Charles Soule (roteiro) e Jesús Saiz (arte).

Monstro do Pântano criado por Len Wein e Bernie Wrightson.

 

O Monstro do Pântano está de volta numa edição encadernada publicada pela Panini, depois do cancelamento da revista Dark onde vinha sendo publicado regularmente e também onde encerrou o ciclo de histórias criadas por Scott Snyder e Yanick Paquette, que trouxeram o personagem de volta aos holofotes depois de anos de ostracismo, e fazendo-nos lembrar que o avatar do Verde tem muito potencial para grandes histórias. Após a batalha épica de Alec Holland, aliado a Buddy Baker, o Homem Animal, contra as forças da Podridão, o Monstro estava aberto a novas aventuras em sua renovada existência. Claro que havia a preocupação sobre os criadores que substituiriam Snyder e Paquette, afinal, os leitores sabiam que depois de sua fase áurea nas mãos místicas do mago supremo Alan Moore, levou décadas para que um título do personagem voltasse a ter relevância.

Quem aceitou o desafio de continuar esse trabalho foi Charles Soule, juntamente com o desenhista Kano. E pra começo de conversa, posso dizer que eles se saíram muito bem.

O encadernado da Panini traz as primeiras histórias dessa nova equipe criativa, onde logo de cara somos apresentados a algumas boas surpresas.

Soule se faz valer de um recurso muito utilizado na fase de Moore: o poder do Monstro de lançar sua consciência no Verde e viajar quase que instantaneamente para qualquer lugar do planeta onde exista vida vegetal, “possuindo-a” e criando um novo corpo para si. Claro que isso, somado ao poder de controlar a vida vegetal a seu bel prazer ao ponto de transformar uma cidade inteira numa nova floresta amazônica em questão de horas, eleva-o quase ao status de um deus, o que pode causar alguns problemas no tocante a encontrar alguma ameaça que faça suas histórias terem alguma emoção. Mas o fato é que Soule, não apenas coloca o personagem de volta ao seu pedestal, mas também o faz cair de joelhos diante das armadilhas de seus inimigos, seja com o simples borrifar da toxina do medo do Espantalho ou os truques de magia de Constantine.  Mas seu inimigo real, aquele que realmente é uma ameaça, está oculto, é um novo e misterioso rosto. Tudo que se sabe é que ele se chama “Semeador” e usa o Verde de maneira inapropriada, causando caos e dor por onde passa.

O uso do Espantalho na história foi inusitado e eficiente. Afinal, apesar do Monstro ser uma forma de vida vegetal com poder quase infinito, sua alma ainda é humana e ele está suscetível a insegurança e o medo causado pela toxina do inimigo do Batman. Os flashes de alucinação sofridos por Holland garantiram a dose de terror da qual esse título precisa para continuar existindo do jeito que deve ser. Mas seu terror não fica apenas nessas alucinações, aparecendo em outros pequenos detalhes nessa linha tênue que existe entre o selo adulto da Vertigo e o o que o universo dos super-herois pode ter. Uma linha que, acredito, está muito próxima de deixar de existir. Colocá-lo descontrolado em Metrópoles e obrigar o Superman a tomar uma atitude em relação a isso foi outro acerto. Me pareceu que Soule brincou um pouco com essa questão do Homem de Aço da nova geração não ter reservas sobre matar… e que faria o que fosse necessário para salvar sua cidade.

Kano está muito bem na arte, tendo evoluído seu traço bem mais caricato do passado e adequando-se ao clima da história. No entanto quem rouba a cena é Jesús Saiz, com suas tintas mais realistas e personagens mais críveis.

Outra nova e inusitada personagem apresentada foi a mulher chamada Capucine. Ela alega ter vários séculos de vida, e vive fugindo de caçadores que tentam roubar para si sua longevidade. Anos atrás, ela recebeu uma promessa de um dos avatares do Verde anteriores a Holland. Sanctuarium Folium Viride, ou o Santuário da Folha Verde. Ou seja, um abrigo contra seus inimigos. Muito sobre a personagem ainda precisa ser revelado, mas com isso uma nova e interessante direção foi criada.

A participação de Constantine na história em duas partes intitulada “A Árvore de Uísque”, aconteceu nesse pequeno conto de terror passado num vilarejo da Escócia. Constantine não se mantém sóbrio na maior parte dela, e apesar do título esdruxulo, a tal árvore mencionada é responsável por uma verdadeira carnificina.

E por fim, a edição apresenta uma história protagonizada por ninguém mais, ninguém menos que Anton Arcane, tio psicopata de Abgail Arcane e avatar rejeitado da Podridão, passando sua merecida estada no inferno. Como nova avatar da Podridão, Abgail pode “visitar” seu tio em seu cárcere em busca de respostas sobre seu passado, oferecendo em troca um pouco de seu poder. A narrativa de Arcane esclarece vários detalhes do passado de Abby e dele mesmo, colocando os pingos nos “ís”, sendo bem conduzida pelo texto de Soule, de maneira coerente e sem contradizer o trabalho de Scott Snyder e mesmo de Alan Moore tanto na fidelidade das informações quanto na caracterização dos personagens. Mais uma vez o terror está presente, com algumas cenas escatológicas e a promessa de que o mal nunca morre, e aqueles que barganham com ele cedo ou tarde acabam pagando o preço.

É uma ótima época para ser fã do Monstro do Pântano!

NOTA: Essa edição contém o selo da FSC (Forest Stewardship Council ou “Conselho de Manejo Florestal”) que garante ela foi impressa com papel produzido a partir de fontes responsáveis. O Verde agradece!

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4 comentários sobre “Monstro do Pântano: Sanctuarium Folium Viride!

  1. Não vou me ater na história neste momento (apesar de ter gostado bastante da resenha. mas por tanto tempo longe dos quadrinhos, fica difícil dar um parecer) mas na questão do selo FSC. Eu como profissional conhecedor de Legislação, digo que isto não é só uma questão de porque é uma revista do MDP que o “adorno” fica bonito. Minha contestação vai ao questionamento da veracidade disso. Hoje em dia, as editoras apelam mais e mais aos préstimos dos trabalhos da China. Sabemos que lá nem tudo é a maravilha que é nos apresentada (Este país é um dos que tem os maiores níveis de carbono no mundo, e notícias recentes nos contam que as fábricas precisam parar as vezes pois a poluição chega a níveis insuportáveis à população). Responsabilidade social e ambiental é algo sério. Quando fala que tem, prova!!!!! E a Panini. Encara?

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