Demolidor: Diabo da Guarda – “O inferno são os outros”!

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1Resenha de “Demolidor: Diabo da Guarda” de Kevin Smith  (roteiro), Joe Quesada (desenhos) e Jimmy Palmiotti (arte-final).

Demolidor criado por Stan Lee e Bill Everett.

 

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Por Rodrigo Garrit

Matt Murdock, o Demolidor, é um dos personagens mais interessantes da Marvel, erroneamente taxado como “herói do segundo escalão”, ele foi protagonista de algumas das melhores HQs de Super-heróis já produzidas. Esta é uma delas.

Claramente inspirados pelo trabalho de Frank Miller à frente do personagem, “Diabo da Guarda” de Kevin Smith, Joe Quesada e Jimmy Palmiotti traz de volta aquele velho sabor nostálgico deixado há cerca de quinze anos antes e faz o leitor propositalmente reviver algumas daquelas cenas, em alguns momentos quase recriando-as, como numa reconstituição. Mas ao contrário do que possa parecer, os autores estabelecem muito bem o limite entre cópia e homenagem, e certamente sua história se encaixa com louvor no segundo quesito.

O Rei do Crime quase levou Matt Murdock a loucura durante os eventos da saga “A Queda de Murdock”. E agora, uma nova tentativa é feita nesse sentido, mas não pela mão do Rei, embora exista pelo menos um dedo dele nisso. O Demolidor volta à igreja. Ele se confessa e retorna as suas raízes católicas, onde uma trama com contexto bíblico começa a se formar. Uma virgem dá a luz a uma criança a quem deixa aos cuidados do demônio… ou melhor, do Demolidor. Ela tem acesso a identidade secreta do herói, a qual ela afirma ter sido revelada por um anjo em sonho. Enquanto o cenário é formado, outro grupo surge alegando que o bebê não é o Salvador, mas sim a perdição da humanidade, o Anti-Cristo. O vigilante cego precisa então colocar à prova toda a sua fé,  e tentar descobrir a verdade, ao mesmo tempo em que precisa sobreviver a ataques desferidos não apenas contra ele, mas também a seus amigos e parentes mais próximos. A prisão de seu sócio Foggy acusado de assassinato e o retorno de sua ex-namorada Karen Paige revelando ser portadora do vírus HIV são apenas algumas das mazelas pelas quais ele deve passar. Alguns velhos rostos conhecidos e amigáveis aparecem em meio ao turbilhão de acontecimentos, como a Viúva Negra e o Doutor Estranho… mas como nada nunca é fácil para o advogado cego, ele deverá lidar também com velhos inimigos como o Mercenário e Mefisto (em pequena porém aterradora participação).

Toda a história é calcada no poder da crença, ou na facilidade com a qual é possível se fazer alguém acreditar em algo desde que o palco seja montado de forma convincente. Mas não importa como termina, apenas fortalece as convicções do herói.

Kevin Smith, que também é conhecido por todos por seus trabalhos como cineasta, nos mostra todo o seu lado nerd e fã apaixonado por quadrinhos. Smith sabia o que estava fazendo, conhecia perfeitamente a cronologia do personagem, sua relação com outros heróis e seus momentos mais dramáticos. Ele estrutura seu roteiro a partir de algumas das melhores histórias do Demolidor, enaltece a obra de Frank Miller à frente do título e mantém a chama acessa para que ela se perpetue.

É interessante ler uma série desenhada por Joe Quesada, atualmente editor chefe da Marvel, e saber que a editora está nas mãos de alguém que realmente produz e entende de quadrinhos, não é apenas um engravatado caçador de números. (Eu sei, eu sei… ele também precisa caçar os números, esse é o trabalho dele… mas vocês entenderam o que eu quis dizer).

“Diabo da Guarda” foi republicado em um encadernado pela Salvat/Panini no Brasil e após terminar sua leitura, cheguei a conclusão de que, embora tenha sido originalmente lançada em 1998/99 nos EUA, tem o mérito de ser atemporal, e de resgatar o interesse no personagem, (se for possível perder o interesse nele) ou apresenta-lo a quem nunca leu nada relacionado ao defensor da Cozinha do inferno.

Porque quando os anjos da guarda não dão conta… sempre é possível recorrer ao Demolidor!

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Citação: “O inferno são os outros” de Jean Paul Sartre.

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13 comentários sobre “Demolidor: Diabo da Guarda – “O inferno são os outros”!

  1. Anthonio Stark-Playboy,bilionário,filantropo,Super-Herói e fã do Rodrigo Garrit disse:

    Texto irado do Rodrigo!Essa aventura do Demolidor é uma das melhores!

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  2. Depois de meses sem comentar, você, Rodrigo, me oferece este presente. Demolidor é o personagem em quadrinhos que eu mais curto. Sempre foi assim. Mesmo amando o velho cabeça de teia, os mutunas e o sacana do Constantine/Hellblazer (além de curtir pacas outros heróis urbanos).
    Mas o Demolidor reina em minha preferência absoluto. É um personagem diferenciado, com um grupo restrito de fãs mas que são religiosamente fiéis. Ele tem uma pegada mais madura. O cenário em que Matt Murdock/DD transita é verossímil. Seu núcleo de amigos e inimigos.. enfim… amo de paixão.
    Além de Frank Miller, a fase de Ann Nocenti também é visível neste arco. A presença de Mephisto é prova disso. Até hoje, a arte de John Romita Jr. é, para mim, surpreendente, em relação ao Sr. dos mundos inferiores…
    Infelizmente, mesmo com uma pegada mais adulta, O Diabo da Guarda poderia ter nos proporcionado uma trama sequencial bem interessante, mas que, eu imagino, seria muito “adulta” para um quadrinho mainstream e foi cortada. Falo de Karen Page e o virus HIV. Infelizmente revelou-se um embuste.
    Como fã do personagem, conheço suas fases anteriores a Frank Miller. Posso dizer que há muita coisa boa. Mesmo numa época em que o “realismo cruel” ainda não tinha se tornado presente nos quadrinhos, o Demolidor já nos brindava – ao lado de histórias fantasiosas – um certo “realismo”.
    Talvez devido a Editora Abril ter começado a publicação do DD (Superaventuras Marvel) a partir da fase Miller, muita gente no Brasil, erroneamente, acredita que as boas histórias iniciam ali.
    E a atual fase do super trio: Waid/Samnee/Rodriguez é fabulosa. E agora nosso herói enfrenta um novo momento… as consequências de sua revelação no final do volume 3 – segundo Waid – terá muitos frutos.
    Quanto a arte do Quesada… como atual Diretor Criativo da Marvel ele tem desenhado menos. Mas ainda assim, vez ou outra temos um vislumbre de seu talento. Seu Miracleman ficou muito bom.
    abraços e obrigada pelo texto

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