FASHION BEAST: A Fera da Moda de Alan Moore!

 

Resenha do especial encadernado “Fashion Beast: A Fera da Moda” publicado pela Panini Comics.

História de Alan Moore e Malcolm McLaren. Adaptação para quadrinhos de Antony Johnston e Facuncio Percio.

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Por Rodrigo Garrit

Então a moda, tida como algo fútil, teria o poder para alterar os rumos de uma sociedade?

Em algum lugar indeterminado, em alguma época não especificada, o vapor da guerra se erguia pelos bueiros com suas ameaças de destruição nuclear, e as pessoas se arrastavam em empregos humilhantes que lhes rendiam o suficiente para morar em cortiços alquebrados e fedidos. E esses trabalhadores dedicavam seu esforço para sustentar o glamour dos mais abastados, com suas roupas impecáveis com as quais desfilavam  seu status e superioridade em níveis inalcançáveis para o proletariado.

Dentro desse grupo menos favorecido, temos uma garota que se parece com um garoto que se parece com uma garota: Doll Seguin, que aproveita uma oportunidade única de adentrar o mundo da moda como a top model do momento e tem seu caminho cruzado com Jonathan Tare, um garoto que parece uma garota que parece um garoto e tem todo o potencial para revolucionar o mundo da moda não apenas em seus frívolos desfiles, mas escancarando a realidade suja das ruas na cara de uma sociedade hipócrita e preconceituosa que decidiu dar mais valor ao corte de um tecido do que a dignidade humana. Mas para isso ele precisa destruir o atual “ditador” da moda, Jean Paul Celestine, uma figura reclusa e genial, que dizem ser capaz de criar tamanha beleza apenas para contrastar com sua aparência disforme e repugnante.

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É a versão de Alan Moore e Malcolm McLaren (empresário dos Sex Pistols) para o clássico “A Bela e a Fera”. Produzida nos anos 80 com a intenção de ser o roteiro de um filme que nunca viria a ser realizado, e recentemente adaptado para os quadrinhos por Antony Johnston com ilustrações de Facundo Percio para a editora Avatar. O nome de Alan Moore na capa de qualquer álbum é garantia de boas vendas, a sua merecida reputação de mago dos quadrinhos não é à toa, e sua insistente relutância em atuar nessa área faz com que qualquer novidade nesse sentido chegue com muito entusiasmo ao conhecimento dos fãs. Mas não esperem nada parecido com Watchmen,  Miracleman, Monstro do Pântano, V de Vingança etc. Não esperem nenhuma conexão com qualquer outro trabalho de Moore. Esperem apenas Alan Moore fazendo aquilo que ele faz de melhor e contando uma improvável história que, caso não tivesse seu nome na capa, provavelmente nunca seria quadrinizada, e que ainda assim é uma grande história em quadrinhos, como teria sido (provavelmente) um grande filme.

O encadernado da Panini traz a compilação original dos dez números da série, em 276 páginas, incluindo a introdução de Moore à história e arte das capas. Mas o texto é tão fluído que a leitura se torna dinâmica, e antes que você possa pensar: “por que raios eu estou lendo uma história em quadrinhos sobre moda?”, já estará envolvido na trama e louco pra saber o que acontece a seguir.

É a primeira vez que tenho contato com o trabalho do ilustrador Facundo Percio e fiquei muito impressionado. Como se sabe, os roteiros de Moore são extremamente detalhados, repletos de subtexto e duplo sentido, descrito não apenas nas palavras mas nas imagens apresentadas ou ainda na mescla das duas. Os desenhos de Percio traduzem com competência essa necessidade de Moore de dar sentido a tudo que aparece em cena, fazendo o leitor olhar atentamente para os detalhes de cada quadro,  desvendando suas mensagens ocultas. O mais divertido de tudo, é que as vezes uma lâmpada acessa e sobreposta à cabeça de um manequim pode ter toda uma explicação filosófica sobre o contexto da história… ou pode ser apenas uma lâmpada acessa e sobreposta à cabeça de um manequim. Coisas assim, que nos fazem pensar se foram colocadas lá de propósito ou tem significado apenas em nossa mente, são o que fazem o nome de Alan Moore na capa de qualquer álbum ser sucesso de vendas. Assim como a etiqueta de uma grife famosa.

Mas no caso de Moore, a reputação do mago é verdadeira.

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 Clipe da música “Deep in Vogue” de Malcolm McLaren, citada na história de Fashion Beast.

 

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5 comentários sobre “FASHION BEAST: A Fera da Moda de Alan Moore!

  1. Anthonio Stark-Playboy,bilionário,filantropo,Super-Herói e fã do Rodrigo Garrit disse:

    A história é bem interessante!Moore é genial e os desenhos estão fantásticos!

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  2. Uma HQ que me surpreendeu. Fui mais um dos que comprou apenas pelo nome do Moore, mas adorei. A hq te um ritmo bastante cinematográfico, dá pra imaginar os atores caminhando pelo set durante a leitura.

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