Personagens Gays nos Quadrinhos!

Uma análise sobre a homossexualidade nos quadrinhos.

“Triste época! É mais fácil desintegrar
 um átomo do que um preconceito”.
 Albert Einstein 

Por Rodrigo Garrit

Antes de mais nada quero deixar claro, e isso é muito importante, que o fato de listas aqui alguns personagens do meio LGBT, isso não significa de forma alguma que eles sejam plenamente aceitos, muito menos que sejam vistos com bons olhos pela maior parte dos leitores. É preciso frisar que todos os personagens abaixo relacionados são exceções, continuam sendo minoria e precisam trilhar ainda um caminho enorme para de fato conquistar uma posição de destaque no meio.

A grande questão é entendermos que o que realmente importa nessas histórias é o seu conteúdo, seus bons enredos e arte, e não a orientação sexual dos personagens.

Infelizmente, vivemos numa sociedade machista e homofóbica, por isso acho importante dar destaque a esses guerreiros que já não bastasse enfrentar todas as agruras e percalços da carreira heroica, ainda têm que lidar com o preconceito de alguns poucos (poucos?) que insistem em discriminar as pessoas por não concordar com quem elas devem amar.

Outro fato importante a se considerar é que a sexualidade humana é muito, muito, muto, complexa. Só porque dois homens ou duas mulheres passam por uma experiência homossexual, isso não significa necessariamente que eles são gays convictos… mas se por acaso forem… tudo bem! Estamos no século XXI.

Homossexual, Lésbica, Bissexual, Pansexual, Assexuado, Trans… enfim, são apenas palavras.  Nada muda de verdade o que cada um tem dentro de si.

Então, sem mais delongas, separei aqui uma lista com alguns dos personagens gays que representam sim a bandeira gay, mas nem por isso deixam de lado a bandeira do heroísmo!

COLOSSUS (MARVEL)

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A versão alternativa “quase” oficial da Marvel, o seu universo “Ultimate” tem variações interessantes dos personagens tradicionais. Alguns têm etnias diferentes, outros têm personalidades e poderes distintos… e outros ainda são de outra orientação sexual. Esse é o caso do Pietr Raspuntin, o Colossus. Sua homossexualidade foi tratada com delicadeza pelo roteirista Mark Millar, e quebrou o tabu que diz que todo gay tem que ser afeminado e Colossus é um ótimo exemplo de gay másculo que prova que você não precisa agir como mulher para gostar de outros homens. Não que haja nada de errado com isso! Os gays afeminados devem ser respeitados da mesma forma!

LANTERNA VERDE (DC COMICS)

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Muitas polêmicas giraram em torno da notícia de que o Lanterna Verde seria gay. Logo de cara, os fãs acharam que seria o Hal Jordan, e já teve quem ficasse muito exaltado com isso… mas logo em seguida foi esclarecido que o Lanterna gay em questão seria o Alan Scott, e ainda por cima fora da cronologia “normal” das histórias, que teria suas aventuras acontecendo na Terra 2. Assim como acontece com o universo Ultimate da Marvel, a Terra 2 da DC é uma realidade alternativa, muito embora atualmente essas versões têm se aproximado e até mesmo se mesclado.

Uma coisa que me chama a atenção é: foi decidido que Alan Scott, reformulado e em outra Terra seria gay, mas e se fosse Hal Jordan? E se ele se descobrisse homo ou bissexual? Isso invalidaria seus feitos heroicos? Bom, isso é uma outra discussão. O Lanterna Alan Scott é o maior herói da Terra 2, é como se fosse o Superman deles e praticamente o líder da Sociedade da Justiça que existe lá. Logo na sua estréia, conhecemos seu namorado, a quem ele estava prestes a pedir em casamento, mas devido a um acidente de trem, ele acabou morrendo antes de dar o anel e Alan foi escolhido por uma força superior para ser o defensor da Terra. (Uma versão do “Verde” que existe na Terra “normal”, que dá poderes ao Monstro do Pântano). Em homenagem ao namorado falecido, ele transformou a aliança de casamento que ele usaria no seu anel enérgico e usa seus poderes para combater o mal. Triste, mas muito romântico.

DAKEN (MARVEL)

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Ele tem fator de cura, garras retrateis e um charme irresistível. Wolverine? Nada disso, eu estou falando do filho dele, Daken. Mais um exemplo de que os estereótipos não estão com nada. Daken é guerreiro no nível de seu pai, mas não tem pudores em relação a sua sexualidade. E nem deveria mesmo.

ESTRELA POLAR (MARVEL)

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Talvez o mais famoso, mas certamente não o primeiro herói gay, Estrela Polar levou vários anos pra sair do armário graças a intervenções editoriais que vetavam que sua orientação fosse aberta aos leitores. Mas como os tempos mudam, (e felizmente, mudam pra melhor… pelo menos quero acreditar nisso), hoje Jean Paul Beaubier, nosso querido mutante não tem mais receios em declarar que é gay.

O Estrela Polar se casou com seu namorado numa cerimônia pomposa,  e até o presente momento eles estão vivendo felizes para sempre.

HULKLING E WICCANO (MARVEL)

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Membros dos Jovens Vingadores, são o casal gay adolescente mais querido dos últimos tempos.

Teddy Altman (ou Dorrek VIII), o Hulkling é filho do Capitão Marvel com a princesa Skrull Anelle, o que explica sua mutação resultando nos poderes do rapaz.

Billy Kaplan, o Wiccano (ou Asgardiano se preferir) teoricamente é filho da Feiticeira Escarlate com o Visão, uma vez que seu espírito reencarnou nele. O garoto tem poderes mágicos.

Como colegas de equipe, o sentimento entre eles foi florescendo aos poucos, até que enfim assumiram o amor que sentiam um pelo outro.

WOLVERINE E HÉRCULES (MARVEL)

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Mais um caso de realidade alternativa… esse tipo de coisa me faz pensar no quanto as vezes as editoras apelam para essa situação visando aumento de vendas. Ou a tentativa de experimentar coisas novas… que seja. A reação dos leitores homofóbicos acaba sendo muito negativa, tendo em vista uma apresentação tão radical do relacionamento gay entre esses dois machos alfa… acho que o caminho para a aceitação da diversidade sexual deve ser feito de forma mais suave, e embora eu não veja isso como algo assim tão chocante (é uma realidade alternativa, vale lembrar), não acho que essa história tenha contribuído para minimizar o preconceito entre os mais radicais…

RICTOR E SHATTERSTAR (MARVEL)

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Julio Esteban Richter, o Rictor, surgiu como membro do X-Factor, onde atuou por um certo período, deixando a equipe e passando a integrar os Novos Mutantes. Entre idas e vindas, retornou quando o grupo se tornou a X-Force, onde conheceu Shatterstar, prontamente adquirindo grande afinidade com ele, mas até então, nenhum indício de romance havia aparecido. Somente anos depois, e após um longo período no limbo, eles ressurgiram sob a batuta do roteirista Peter David, que fez as vezes de cupido e uniu definitivamente os amantes.

Detalhe: Shatterstar foi criado como um personagem genérico e sem muitos atrativos por Rob Liefeld. Descobrir-se gay e assumir seu namoro com Rictor fez dele uma peça muita mais interessante, dando pano para manga de novas e empolgantes histórias.

MIRACLEMAN (OU MARVELMAN) (MARVEL)

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Mike Moran é um dos personagens mais complexos da história das histórias em quadrinhos. Não é pra menos, tendo sido reformulado por Alan Moore e depois por Neil Gaiman e Grant Morrison. Tudo nele é fascinante. Seja como Miracleman ou Marvelman, suas histórias são imprescindíveis. O personagem torna-se praticamente um deus no decorrer de sua trajetória e se liberta de várias amarras sociais e mundanas. Ele foi casado com uma mulher – por quem era apaixonado – e teve uma filha, mas o relacionamento não durou e ele se abriu a novas formas de amor. Demonstrou interesse romântico por seu ex-parceiro, o qual num primeiro momento não foi muito receptivo, tendo sido pego de surpresa, muito embora tenha ficado balançado com o fato.

De qualquer forma, é difícil falar sobre a sexualidade de alguém como Marvelman… é como se ele tivesse simplesmente transcendido tais conceitos… um exemplo que talvez devêssemos seguir.

RAWHIDE KID (MARVEL)

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O Cowboy clássico da Marvel teve lá alguns comentários sobre sua sexualidade, mas nunca deixou explicita sua orientação sexual. Quando a Marvel anunciou uma nova mini-série do personagem em 2002, espalhou certo estardalhaço visando mais polêmica do que outra coisa, com capas chamativas e imagens de duplo sentido, além do aviso de “conteúdo explícito” nas capas. Só o que eu queria que todas as editoras entendessem de uma vez por todas, é que usar personagens gays e lésbicas em suas histórias é totalmente louvável, uma vez que é um retrato da realidade. Mas isso deve ser tratado como mais uma característica deles, e não um subterfúgio para alavancar as vendas…

GRACE E TORMENTA (DC COMICS)

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Grace Choi é uma meta-humana que fez parte do grupo do Renegados (antes dos Novos 52). Era dotada de super força e resistência sobre-humana. Ela teve uma infância traumática, tendo sendo vendida como escrava sexual por uma organização que explorava pornografia infantil, e por isso era ativista da causa anti-pedofilia. Grace se revelou bissexual, chegando a ter um caso com Roy Harper, o Arsenal (também membro dos Renegados), mas seu coração bateu mais forte pela sua colega de equipe, Tormenta, filha do herói Raio Negro que tinha o poder de controlar a densidade do próprio corpo.

Elas viveram uma terna e duradoura história de amor. Entre explosões e ataques terroristas, é claro.

ESCÂNDALO E NOCAUTE (DC COMICS)

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Membros do Sexteto Secreto, (antes dos Novos 52) Nocaute e Escândalo viveram um tórrido romance cheio de sexo selvagem e declarações públicas de amor. Ou seja, desfrutaram do mesmo direito que qualquer outro casal poderia ter.

Escândalo é filha do imortal Vandal Savage, que nunca aceitou sua orientação sexual, exigindo que ela lhe desse um herdeiro legítimo. As desavenças entre o pai e a filha tornaram-se praticamente irremediáveis.

Já Nocaute veio de Apokolips, onde integrava o esquadrão de elite conhecido com “As Fúrias Femininas”.

BATWOMAN , MAGGIE SAWER E RENEE MONTOYA (DC COMICS)

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Não, não estou falando de um menáge. A policial Maggie Sawyer foi criada por John Byrne como coadjuvante nas histórias do Superman, sendo uma das funadoras da UCE (Unidade de Crimes Especiais) em Metrópoles, e desde o começo deixou bem definida a sua orientação sexual. Embora fosse uma personagem secundária, foi ganhando força e crescendo em popularidade, assim como Renee Montoya, uma policial  de Gotham City. Renee surgiu na série animada do Batman, criada por Paul Dini e Bruce Timm, mas graças ao seu carisma logo foi introduzida aos quadrinhos. Ela chegou a assumir a identidade do Questão antes dos Novos 52, mas atualmente isso supostamente foi desconsiderado. Maggie foi transferida de Metrópoles para Gotham, e teve algo em comum com Renee: ambas se envolveram romanticamente com a milionária Kate Kane… vulgo Batwoman.

A Batwoman é uma das minhas personagens preferidas, e as histórias dela são realmente incríveis!  Com roteiros de Greg Rucka e arte J.H.Williams III, dificilmente teria mesmo essa revista dar errado. A origem de Kate é interessantíssima. Ela era uma militar (assim como seu pai), mas se apaixonou por uma colega durante o treinamento. Elas foram descobertas e seu superior deu a ela a chance de negar tudo e voltar ao trabalho. Mas num ato de extrema coragem, ela assumiu sua homossexualidade e deu baixa no serviço, voltando-se para uma vida vazia e tediosa em Gotham, até ser salva de um ataque pelo Batman… isso lhe deu uma nova motivação para viver, e aprimorou seu treinamento dispondo da fortuna da família e apoio de seu pai para se tornar a grande Batwoman.

Seu relacionamento com Renee Montoya acabou não durando, mas ela redescobriu o amor nos braços de Maggie Sawyer, a quem inclusive pediu em casamento.

Infelizmente por interferências editorais, o casamento não se realizou o que causou a demissão da equipe criativa da revista. Uma pena, visto, que era um dos melhores bat-títulos sendo publicados. Felizmente, o roteirista Marc Andreyko conseguiu manter a qualidade elevada.

GRANIZO (DC COMICS)

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Sarah Rainmaker (conhecida no Brasil como “Granizo”) tinha poderes climáticos e era membro da equipe de heróis adolescentes Gen¹³, que surgiu na selo WildStorm, criado por Jim Lee dentro da Image Comics e que seria comprado anos mais tarde pela DC Comics.  Logo no início foi revelado que ela era lésbica mas durante toda a duração do título, esse fato foi poucas vezes abordado e em alguns momentos, sua colega de equipe “Queda-Livre” soltava o infeliz comentário “que nojo“, referindo-se a orientação de Sarah. Somente pouco antes do cancelamento da revista, o roteirista Adam Warren (numa fase belamente desenhada por Gay Frank) retomou o assunto, apresentando uma nova personagem como interesse romântico para ela. Infelizmente, apresentar pin ups de Fairchild, Queda-Livre e da própria Granizo semi-nuas parecia ser mais lucrativo do que aprofundar a personalidade da personagem…

HAZEL E FOXGLOVE (VERTIGO)

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A série Sandman de Neil Gaiman teve vários personagens gays marcantes, mas escolhi três que sinceramente foram os que me cativaram mais.

Hazel e Foxglove apareceram no arco “Um Jogo de Você”, mas ao contrário do que se possa imaginar, não eram “apenas” coadjuvantes, mas elementos importantes avançando a história. Só pra começar a ter uma ideia da teia de eventos engendrada por Gaiman, Foxglove era namorada de Judy, uma garota que foi morta pelo Doutor Destino em um restaurante lá no começo da série… aqui ela aparece com sua atual companheira, Hazel, e tem uma revelação a fazer: está grávida!

O carismático casal supera esse problema e volta a praticamente protagonizar a minissérie “Morte: O Grande Momento da Vida”, onde elas têm que tentar ludibriar a irmã mais velha de Morfeus, tarefa praticamente impossível.

WANDA (VERTIGO)

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Wanda é uma grande homenagem a todas as transexuais do planeta. Contada de forma tocante, Gaiman constrói cuidadosamente cada traço da sua personalidade, mostrando as dificuldades do dia a dia, o homofobia, a rejeição e o medo da solidão. Mas Wanda é corajosa e enfrenta a tudo e a todos de cabeça erguida… e só se permite chorar quando ninguém está olhando.

Wanda não consegue ir ao Reino do Sonhar ajudar suas amigas em perigo e acaba morrendo no mundo desperto. A cena de seu funeral é de cortar o coração, com uma família conservadora ao extremo que jamais aceitou a orientação de sua filha. Em um dos momentos mais emocionantes, sua amiga Barbie vai até a lápide onde ela foi enterrada, onde se lia seu nome masculino de batismo, “Alvin”. Usando o tom de batom preferido da amiga, ela risca o nome e escreve “Wanda”, deixando sobre o túmulo o gibi preferido dela.

Wanda era fã de quadrinhos de super heróis.

LORD FANNY (VERTIGO)

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Personagem da série “Os Invisíveis”, ela é uma transsexual brasileira, criada no México e com poderes xamânicos. Isso é puro Grant Morrison! Uma verdadeira aula sobre diversidade, respeito e aceitação. O texto coeso e certeiro não deixa brechas para polêmicas e crises de identidades.

Vocês é o que é. Todos somos o que somos.

Um verdadeiro serviço de utilidade pública, essa história deveria ser lida por todos aqueles ainda presos nos conceitos dos nossos bisavôs.

CAVALEIRO ANDANTE (DC COMICS)

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“Não sou nem homem nem mulher. Sou ambos”

Na minissérie “Os Sete Soldados da Vitória” de Grant Morrison, conhecemos uma Camelot decadente existindo em outra dimensão e protegida por seu campeão, escolhido a dedo pelo próprio Rei Arthur, Sir Ystin. Uma vez declarado cavaleiro pelo Rei, nada poderia demovê-lo dessa honra. Nem mesmo o fato dele ser uma mulher.

Após os Novos 52, reencontramos Sir Ystin ao lado dos Cavaleiros do Demônio, com Etrigan e companhia, imbuído de uma sagrada missão ordenada pelo próprio Merlin. Paul Cornell que iniciou a saga parece ter compreendido muito bem o legado deixado por Morrison, e manteve Sir Ystin fiel a todos os seus preceitos. Um personagem transgênero, focado em sua missão sagrada de Cavaleiro.

TRISTÃO E ISOLDA (DC COMICS)

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“Quando a Inglaterra mais uma vez precisar de Rei Arthur e seus Cavaleiros… então eles retornarão.” Assim foi profetizado no passado, e com a chegada do ano 3000, a lenda se tornou real novamente. Para combater as forças alienígenas que ameaçam a Terra, o Rei e sua Távola Redonda reencarnam para mais uma vez empunhar a poderosa Excalibur em nome da justiça. Esse é mote principal da saga de “Camelot 3000”.

Apenas alguns contratempos aconteceram.

Morgana Le Fay também retornou, pronta para atrapalhar os planos de Merlin, se vingar de Arthur e tomar tudo só para si. Outro inconveniente: nem todos reencarnaram em seus corpos da mesma forma que eram antes. Os amantes Tristão e Isolda voltaram como duas mulheres. Porém seu amor incontrolável continuava o mesmo. E agora, como lidar com essa artimanha do destino? Será que vale a pena renegar o amor da sua vida que agora reside em um corpo com o mesmo sexo que o seu ou buscar conforto no sexo oposto? O que fala mais alto, a matéria ou o espírito?

Tristão e Isolda descobriram a resposta a essa pergunta, que na verdade era bem simples. Bastava seguir o caminho que lhes conduzisse a felicidade…

REBIS (VERTIGO)

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A Patrulha do Destino é uma das mais clássicas (e bizarras) super equipes do Universo DC, com membros deslocados demais para interagir em sociedade, e por isso foram acolhidos por um cientista genial preso a uma cadeira de rodas que os abrigava e os ajudava a aprender a controlar seus poderes, ensinando-os que é possível a convivência pacífica entre humanos e… aberrações.  Eles tinham até mesmo uma “sala de perigo” para treinar seus dons. E se você acha que já viu isso antes em algum lugar… está certíssimo. A Patrulha do Destino inspirou a criação dos X-Men.

Mas isso não vem ao caso. Vamos falar da fase escrita por Grant Morrison dentro do selo Vertigo, onde ele mesclou dois personagens de duas encarnações diferentes da Patrulha em um só; o Homem e a Mulher Negativa. (Ok, não foi exatamente assim porque a Mulher Negativa não estava disponível, mas o fato é que a união de gêneros aconteceu, gerando o “matrimônio alquímico” entre Larry Trainor, o Homem Negativo e sua médica, a doutora Eleanor Poole, resultando na personagem hermafrodita Rebis).

Vamos deixar que ela/ele se defina por suas próprias palavras:

” Nada puro. Minha raça é mescla, meu sexo é mescla. Eu sou mulher e homem! Luz e trevas mescladas! Mescladas! Eu não sou nada especial, nada puro! Eu sou barro e chama”.

E assim nasceu um dos personagens mais fascinantes dos quadrinhos.

EXTRANO (DC COMICS)

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O personagem Extrano foi um dos primeiros a ser criado abertamente como homossexual. Surgiu na mega saga da DC conhecida como Milenium e era um dos escolhidos pelos Guardiões do Universo para representar o novo estágio da evolução humana.

Extrano possuía poderes mágicos, era um gay muito estereotipado e sua vestes mais pareciam uma paródia do mago “Doutor Estranho” da Marvel. Além disso ele era portador do vírus HIV e peruano. Ou seja, uma gama de elementos caricatos que numa época menos preparada para tal personagem em quadrinhos de super heróis (anos 80), talvez tenha alimentado mais preconceitos do que esclarecido os ignorantes.

Ele chegou a participar da equipe “Novos Guardiões”, mas o título não durou muito. É, eu volto a dizer… as pessoas não querem polêmicas, querem boas histórias. Os gays e todas as outras minorias devem existir nos quadrinhos mas a orientação sexual é apenas uma característica de um personagem e não o motivo que faz as pessoas comprarem sua revista…

FLAUTISTA (DC COMICS)

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Hartley Rathaway era parte da galeria de vilões do Flash e chegou a dar algum trabalho para Barry Allen antes dos Novos 52. Mas com o tempo, ele acabou se regenerando e tornou-se amigo de Wally West, então o Flash, inclusive ajudando em suas missões. Numa conversa descompromissada, Hartley assumiu-se gay numa boa, sendo um dos primeiros personagens a se abrir de forma tão desencanada. E o legal é que mesmo agora ele continua tendo relevância dentro das histórias do Flash (agora novamente Barry Allen), e sua orientação sexual continua sendo a mesma, tendo inclusive dado um passo além, uma vez que ele namora outro importante coadjuvante da HQ, o policial David Singh, chefe de Barry no departamento de policia de Central City, o que gera certo conflito, pois David prefere manter essa relação em segredo.

STARMAN (DC COMICS)

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O alienígena Mikaal é um dos Starmen que existem no universo DC.  Ele chegou na Terra fugindo de seu irmão e tem um cristal cravado no peito que lhe concede poderes incríveis.

Em seu planeta natal, o conceito de sexualidade é diferente do nosso e eles não se importam com quem você se relacione, desde que esteja apaixonado ou simplesmente esteja a fim de fazer isso. (Será que um dia vamos chegar nesse patamar de evolução aqui na Terra?)

Ele foi casado com uma fêmea de sua espécie, mas ela foi assassinada pelo seu irmão antes de sua fuga. Chegando na Terra, ele se apaixonou perdidamente por um rapaz que infelizmente foi morto a mando do vilão Prometheus. (Ele realmente não tem sorte no amor…)

Mikaal já ajudou outros heróis que usaram o nome de Starman e foi membro da Liga da Justiça antes dos Novos 52.

 GRAVITY KID E POWER BOY (DC COMICS)

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Como é comum na Legião dos Super Heróis, muitos pretendentes a membros passam por vários testes tentando ser aprovados para o time principal. Com isso surgiu a Legião dos heróis substitutos e atualmente existe até mesmo uma Academia da Legião. Desde sua fundação, vários heróis gays já passaram pelo grupo, até porque estamos falando de uma equipe que existe no século XXXI então vamos assumir que a humanidade já evoluiu ao ponto de perceber que ser gay é normal.

Falando nos novatos, dois membros da Academia ganharam a afeição dos fãs: Tel Vole, o Gravity Kid e Jedebiah Rikane, o Power Boy, que engataram um ardente romance.

Acontece que enquanto Gravity Kid estava superando todas as expectativas do treinamento, o que certamente lhe renderia uma vaga no time principal da Legião, Power Boy não estava indo tão bem e acabou sendo rejeitado, abandonando a equipe. Mas por amor ao seu companheiro, Gravity Kid abriu mão de sua posição no grupo e partiu junto com seu amado, vindo a se tornar seu cônjuge.

E quem pode dizer que ele não foi um vencedor, no fim das contas?

 CASAMATA (DC COMICS)

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Miguel Jose Barragan é mexicano, da cidade de El Chilar. Homossexual assumido, tem o apoio da família e dos amigos. Ele tem o poder de projetar tijolos psiônicos, os quais usa tanto para defesa quanto para o ataque, além de lhe conceder o poder de voar em cima deles. A origem de seus poderes é um mistério. Ele veio até a América encontrar o Robin Vermelho de quem é um grande fã, a acabou integrando a equipe dos Novos Titãs. Miguel é otimista, divertido, e está sempre pronto a ajudar seus amigos. Recentemente seu namorado que estava em coma no México despertou e ele voltou até lá para revê-lo. Seus companheiros nos Titãs esperam que ele retorne logo.

APOLO E MEIA NOITE (DC COMICS)

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Uma amor além das realidades paralelas, atravessando a Sangria, rumo ao infinito, eterno enquanto durar!

Eles são a versão gay do Batman e do Superman pela ótica de Warren Ellis quando criou os personagens para seu mega sucesso “The Authority”, a equipe de vigilantes super-violenta que não tem o menor receio de eliminar seus inimigos. Apesar disso sempre demonstravam muito afeto um com o outro, agindo com o verdadeiro casal que são.

Eles chegaram até mesmo a se casar e adotar uma criança, mas aparentemente esse evento foi apagado da realidade com o adventos dos Novos 52, onde a equipe foi reformulada e integrada ao Universo DC tradicional (originalmente eles eram publicados pelo Selo Wildstorm). Nessa nova realidade, Apolo e Meia Noite acabam de se conhecer, mas o clima romântico já se instalou neles de imediato… ao que parece, não importa qual seja a versão da realidade, eles estão destinados a sempre ficarem juntos!

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5 comentários sobre “Personagens Gays nos Quadrinhos!

  1. Cara, parabéns pelo texto. Uma forma muito divertida de pôr a baixo os rótulos e estereótipos sobre o assunto.
    E afirmo que Wiccan e Hulkling são mesmo o casal mais fofo que há.

    Curtido por 1 pessoa

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