John Byrne’s Next Men! Finalmente no Brasil e em resenha inédita!

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1Resenha do encadernado  “John Byrne’s Next Men” da IDW editora, publicado no Brasil pelo Mythos Books.

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Por Rodrigo Garrit

Publicado nos anos 90 pela Dark Horse e anos depois pela IDW, os Next Men de John Byrne são sua obra mais cult entre tantos trabalhos memoráveis.  Pela primeira vez publicados no Brasil pela Mythos Editora, (em um encadernado luxuoso de capa dura) é a chance do leitor brasileiro conhecer os tão comentados personagens.

Mas será mesmo que vale à pena? Byrne tem recebido muitas e duras críticas no decorrer de sua carreira, principalmente em seus trabalhos mais recentes. Então, Next Men é algo que vale à pena ser lido?

Mas afinal, quem são os Next Men?

Imagine um mundo perfeito, com pessoas jovens e perfeitas, em constante progressão. Um Jardim onde nada nunca falta. Um local de prazeres e provações, onde a felicidade reina mas vez por outra é necessário lutar contra invasores.  Um lugar onde não existe o medo da morte… mas que é assombrado pelo fantasma da desintegração. Um mundo onde é possível amar, dançar obter conhecimento instantâneo de quase tudo, mesmo sem ter vivido a experiência prática do assunto em questão.

Aposto que vocês estão pensando que estou me referindo a uma realidade virtual criada para simular a vida e preparar seus usuários para o mundo exterior, certo?

Bem, vocês acertaram, é isso mesmo.

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O mistério envolvendo a criação do “Projeto Next Men” é abordado superficialmente nesse primeiro volume, mas já nos deixa uma promissora esperança de que não se trata dos batidos experimentos do governo para criar super soldados… embora supostamente tudo leve a crer que é isso, existe algo muito mais cósmico por trás da situação… viagem no tempo, expedições alienígenas e muita ficção científica… algo muito mais John Byrne.

Esses são os personagens exclusivos do conhecido autor, com os quais ele pode trabalhar aparentemente do jeito que quiser, sem as amarras cronológicas dos grandes heróis da Marvel e da DC…  e com essa liberdade, temos algo inusitado: uma típica história  com o padrão de qualidade do autor que já conhecemos, mas com algumas situações que certamente ele não poderia desenvolver em outros títulos. Por exemplo: seus personagens transam. E o sexo é mostrado de forma casual, sem ser pornográfico, mas espelhando os relacionamentos humanos.

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Obviamente vocês devem ter a impressão de que os Next Men são uma cópia dos X-Men, personagens com qual Byrne fez tanto sucesso. Mas isso é apenas uma meia verdade. A impressão que tive é que ele alfinetou os mutantes, tanto quando escolheu o nome de sua série autoral quanto em alguns pequenos detalhes no decorrer da história. Mas é só isso. Não se trata de cópia, plágio ou homenagem. Os Next Men são o próximo passo da evolução humana… mas esqueça os mutantes da Marvel.

Embora tenham sido criados em realidade virtual (não é exatamente isso, mas vamos deixar assim para não alongar muito o assunto) e treinados e combate, os integrantes do projeto Next Men sobreviventes não são guerreiros implacáveis… pelo menos ainda. Seus poderes seus irregulares,  e embora estejam em constante progressão, ainda estão longe de serem grandes ameaças. Por isso eles precisam contar muito mais com sua própria força interior do que com suas habilidades.

PERSONAGENS E PODERES

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Bounce, Scanner, Brawn, Hardbody e Sprint: Os Next Men!

Byrne me deu a impressão de usar em seus personagens elementos eu ele provavelmente tentou utilizar nas grandes e editoras e foi vetado. Isso foi arriscado, mas o resultado tem seus méritos. Vou dar uns exemplos, falando de um por um:

Bethany, codinome: HARDBODY (ela, como todos os outros, não possui sobrenome) é totalmente invulnerável. Na concepção de Byrne, essa invulnerabilidade é levada ao extremo. Até mesmo seus cabelos são indestrutíveis, o que significa que um simples afago na cabeleira dela pode decepar seus dedos. Além de ser indestrutível, ela é imune a grandes ou baixíssimas temperaturas, o que me deixa com algumas questões pendentes. Em determinado experimento, ela é submetida a uma temperatura de quase zero absoluto e continua agindo como se não fosse nada. O problema é que mesmo sendo invulnerável, ela possui líquidos em seu corpo… ou seja, seu poder (ou sua “progressão” como eles chamam) não se limitam a uma garota à prova de balas. Toda a sua biologia parece ser capaz de se adaptar aos rigores do ambiente à sua volta, deixando-a sempre segura.

Danny, Codinome: SPRINT. É um velocista notável, mas ele não acessa nenhuma dimensão de aceleração ou possui uma mutação inexplicável. Sua velocidade se dá a sua fisiologia própria que o permite estar anatomicamente preparado para atingir altas velocidades. Embora seja um rapaz de apenas 15 anos, a musculatura de suas pernas é desproporcionalmente desenvolvida em relação ao resto de seu corpo, uma vez que precisa ser a base de força motora. Por esse motivo, ele usa calças exageradamente largas a fim de disfarçar essa característica destoante. Por incrível que pareça, Sprint corre descalço, pois nenhum material parece ser resistente o bastante para suportar o aquecimento e o atrito da velocidade que ele se desloca. Seus pés passaram por um processo de “calejamento” após treinamento corrento sobre superfícies casa vez mais ásperas, adquirindo uma resistência aos eventuais danos de sua velocidade. Essa explicação me pareceu um pouco difícil de engolir, a menos que o tal “calejamento” seja uma outro forma de progressão… enfim, acho que é possível encontrar materiais resistentes o bastante para confecção de suas botas, mas Byrne optou por seguir por esse caminho mesmo. Danny, aliás, é um dos personagens mais interessantes. Ele tem seus próprios segredos, fala sozinho como se existisse um amigo invisível que o acompanha, mas não compartilha desse fato com ninguém. Se tornou fã de quadrinhos e chegou a conclusão de que ele e seus companheiros do projeto são super heróis. Foi ideia dele criar uniformes e codinomes para todos.

Jack, Codinome BRAWN tem um porte avantajado e é muito forte. Essa sua progressão vem crescendo rapidamente, a ponto dele quase não conseguir controlar a própria força, o que o obriga a usar um exoesqueleto de contenção. Ele costumava manter um romance com Jasmine, porém se afastou dela com medo de feri-la acidentalmente durante suas danças. (“Dançar” é o termo que eles usavam no Jardim Virtual para se referir ao sexo).

Jasmine, Codinome BOUNCE é uma acrobata, contorcionista e tem belas curvas. Foi a quem menos sentou o impacto de sua progressão, uma vez que não houve uma grande alteração biológica visível, permitindo que ela possa tranquilamente se passar por uma pessoa normal. Está terrivelmente frustrada por Jack não querer mais “dançar” com ela.

Nathan, Codinome SCANNER possui uma visão extraordinária, capaz de conceder a ele o dom de enxergar em qualquer espectro do raio luminoso, ondas de rádio e micro-ondas, além de possuir também visão de raios x e telescópica, entre outras que ele ainda está desenvolvendo em sua progressão. Como consequência seus olhos sofreram uma enorme deformidade e ele foi obrigado a usar óculos especiais para “filtrar” as imagens que recebe. Uma mistura de Ciclope dos X-Men com Superman? Não se deixe levar pelas aparências. Ele tem uma mente dedutiva e analítica… foi um dos primeiros a perceber que a “realidade virtual” era falsa e demonstra um alto grau de compreensão dos fatos a sua volta. Ele costumava se relacionar com Bethany, mas ela se afastou dele pelo mesmo motivo que Jack e Jasmine. Ela teme que seu corpo indestrutível possa ferir o namorado. Como consequência, Nathan e Jasmine iniciaram uma nova “dança”.

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Isso é o que acontece ao se tentar estuprar uma garota indestrutível…

É visível no transcorrer da história como faz diferença um autor trabalhar com personagens próprios. Ele os leva aonde quer, suprime quem quer, dá ênfase pra quem deseja… mas sem perder o ritmo e grau de interesse criado para a história. Byrne aposto nos coadjuvantes, aprofunda-os na trama e as vezes quase os deixa em maior destaque que os protagonistas.

Mas afinal de contas, Next Men é mesmo algo digno de leitura? Ou é só mais uma tentativa fracassada de John Byrne de se tornar o novo Jack Kirby?

Bom… se Byrne vai se tornar Kirby… é óbvio que NÃO.

Mas seus Next Men são quadrinhos de primeira qualidade e já deveriam ter aportado no Brasil há muito tempo!

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