PLANETA DOS MACACOS – do Apocalipse à distopia símia!

por Venerável Victor “astronauta símio” Vaughan

França, o livro

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Pierra Boulle  não  fazia a  mínima   idéia que  seu  romance       La  planéte  des  singes  – O Planeta dos Macacos – escrito em 1963 e que é uma grande crítica social por meia da distopia, fosse se tornar umas das obras pop de maior apelo mundial, influenciando a industria de quadrinhos  como a Marvel e outras editoras , os tokusatsus japoneses – filmes de heróis e monstros gigantes – como em Spectreman ( que nós resenhamos aqui) e o cinema scy-fi americano.

Distopia  é um pensamento,  filosofia ou discursão baseado numa ficção cujo valor representa a antítese da utopia. Se na utopia tudo é maravilhoso e perfeito, a distopiase caracteriza pelo totalitarismo , autoritalismo e controle da sociedade, nesse painel de ficção  – realidade em muitos países ainda –   as cortinas caem  e a sociedade mostra-se corruptível e muitas vezes a tecnologia é usada como forma de controle, seja do Estado ou das corporações. em grego utopia é “lugar nenhum” e distopia  significa “lugar mau”.

No romance,  um casal num cruzeiro, encontra uma garrafa com uma mensagem escrita a deriva no mar. A mensagem dentro da garrafa é o diário de bordo do astronauta Ulysse Mérou, que acredita ser o último ser humano restante no universo, mas escreveu a sua história na esperança de que alguém à ache. Esse astronauta, mas um cientista que criou a nave em que viajava, capaz de atingir velocidades próximas a da luz e mais um médico, viajaram para explorar o espaço sideral   até chegar  ao sistema solar mais próximo em que o criador da nave teorizava ser capaz de abrigar vida, que é o do sol vermelho Betelgeuse, destino esse que lhes custará 350 anos para atingir. Devido à dilatação do tempo, contudo, a viagem parecerá aos tripulantes durar somente dois anos.

Lá eles encontram um planeta muito similar ao nosso em tudo ao qual dão o nome Soror (“irmã”, em latim)  e com humanos primitivos que ajem como chimpanzés, o astronauta logo se apaixona por uma mulher chamada Nova – parece um cara que eu conheço que se amarra numa novinha – logo são caçados por gorilas e orangotangos que ajem como humanos e levados a cidade como troféus.  Ele descobrem uma civilização complexa  e evoluída dominada por símios, entre gorilas violentos, orangotangos pedantes e chimpanzés intelectuais. Depois de muita confusão, o astronauta Ulysse consegue provar seu intelecto e é libertado, Embora o tratador chimpanzé do protagonista esteja certo da sua sapiência, os orangotangos, que regem a sociedade, acreditam que ele finja entendimento da língua, porque a sua filosofia não permite pensar em humanos inteligentes.

O astronauta ao engravidar a humana primitiva que conheceu na floresta no início da sua visita ao planeta, prova aos macacos que eles são da mesma espécie, os símios começam atravéz de pesquisas a entender uma lacuna em sua história, num passado distante, o planeta era dominado por seres humanos, que construíram uma sociedade altamente tecnológica e escravizaram os macacos a trabalhos manuais penosos. Ao longo do tempo, os humanos tornaram-se mais e mais dependentes dos macacos, até serem tão desleixados e inábeis que caíram sob as mãos dos seus servos simianos, decaindo ao estado em que Ulysse os encontrou.

Enquanto alguns macacos rejeitam tais evidências, outros tomam-na como um sinal de que os humanos são uma ameaça e que devem ser exterminados. Porém, o protagonista consegue escapar do planeta com Nova e o seu filho recém-nascido, regressando à Terra na espaçonave do professor assassinado no início da aventura.

Novamente, a viagem dura muitos séculos, mas os tripulantes da nave sentem-na como apenas alguns anos. Ao pousarem na Terra, mais de 700 anos depois da sua partida primeira, aterram nas cercanias da cidade Paris. Contudo, uma vez fora da nave, o astronauta descobre que o planeta foi dominado por macacos inteligentes como os do planeta de onde acabara de fugir. Ele volta ao firmamento, escreve a sua história, põe na garrafa, e lança-a ao espaço para que alguém a encontre.

O livro conclui retornando ao casal que encontrou a garrafa, que se revelam macacos. Eles zombam da impossibilidade de humanos terem algum dia sido avançados o suficiente para construir espaçonaves, e concluem que a história toda deva ser uma piada de alguém.

USA, o filme

Baseado na obra de Pierre Boulle, Planeta dos Macacos conta a história de um astronauta norte-americano, Taylor (Charlton Heston), que pousa num planeta desconhecido e descobre uma civilização composta por macacos que evoluíram dos seres humanos e subjulgam os mesmos. Os humanos do filme não falam e são utilizados para trabalho escravo, além de servirem de cobaia para experimentos científicos realizados pelos macacos, cuja cultura e estilo de vida lembra muito os costumes dos terráqueos. Os símios, como preferem ser chamados (para eles “macaco” é uma palavra ofensiva) entram em choque ao se depararem com um ser humano capaz de falar e raciocinar, algo que até então julgavam impossível. Taylor torna-se prisioneiro ao lado dos demais humanos que habitam o planeta, embora seus dotes intelectuais gerem uma grande polêmica junto às autoridades símias, que por algum motivo consideram a presença de tal  “anomalia” uma ameaça ao futuro de sua civilização.

Ao mesmo tempo em que Taylor se vê horrorizado pela forma como os macacos tratam os seres humanos, passa a refletir sobre como sua própria raça/civilização subjulga não apenas as outras espécies, mas as culturas consideradas inferiores.  O ponto mais interessante da trama é a chamada Zona Proibida, um local distante da civilização dos símios, considerado “fora dos limites” pelas autoridades. Ao final, Taylor consegue  se libertar de sua condição de prisioneiro e chegar até a Zona Proibida, onde descobre uma terrível verdade. Ao se deparar com os destroços da Estátua da Liberdade à beira do mar, em meio a um deserto de areia, Taylor se dá conta de que o planeta que descobriu é na verdade o futuro de seu próprio planeta, a Terra, cuja civilização foi destruída em decorrência da irracionalidade do ser humano.

Primeiro beijo “entre espécies” do cinema?

Produzido no momento histórico hoje lembrado pela Guerra do Vietnã, a Corrida Espacial o auge da paranóia da Guerra Fria e o medo de uma Guerra Nuclear, Planeta dos Macacos foi uma produção corajosa, ousando enfrentar a ideologia dominante num momento crucial da História, ao sugerir que nossa idéia de civilização poderia conduzir a humanidade ao seu fim. É justamente por isso que considero o conceito de Zona Proibida um dos pontos mais fortes do filme: a raça que passou a dominar o planeta quer esconder os resquícios da cultura humana, com medo de que sua civilização venha a cometer os mesmos erros que levaram a humanidade à ruína, o que explica também a histeria que Taylor provoca ao se mostrar capaz de falar e raciocinar.

O mais curioso a respeito dessa produção é notar que as resenhas escritas pela crítica especializada da época pareciam alheias ao conteúdo político e filosófico do filme, taxando-o de puro entretenimento descompromissado. Assim como outras grandes obras de ficção-científica do cinema, Planeta dos Macacos só foi inteiramente entendido muito depois de seu lançamento, o que o coloca ao lado de clássicos como Metrópolis, Blade Runner, 2001 – Uma Odisséia no Espaço e O Incrível Homem que Encolheu, entre outros, como obras inicialmente mal interpretadas, mas que se revelariam atemporais e fundamentais para se entender a história da humanidade.

A atemporalidade do filme não se resume à força de sua mensagem. Tecnicamente, Planeta dos Macacos também é um produção importante o que  impediu que o filme envelhecesse mal. Mas o que o elevou ao status de obra-prima sem dúvida foi o final, um dos mais chocantes, tristes e significativos da história do cinema.

As continuações dessa franquia criadas para os produtores  poderem pagar o sofrido leite de seus filhos, além dos 4 filmes iniciais uma série de bastante sucesso na tv.

De Volta ao Planeta dos Macacos (1970), de Ted Post


Fuga do Planeta dos Macacos (1971), de Don Taylor
A Conquista do Planeta dos Macacos (1972), de J. Lee Thompsom
A Batalha do Planeta dos Macacos (1973), de J. Lee Thompsom
“É! Você não está sabendo, não? Agora é lei, cada macaco no seu galho!”

Comunidade do Santuário no FACE

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26 comentários sobre “PLANETA DOS MACACOS – do Apocalipse à distopia símia!

  1. A série me arrepia e fascina até hoje… existe alguma coisa que não sei explicar nos filmes clássicos que deixou algo na minha memória, começou a definir meus gostos e o tipo de filmes/histórias que eu viria a ser fã. Isso por si só já torna esse um clássico memorável da minha infância. Que bom sentir tudo de novo! Valeu Victor……..! 😀

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  2. Meu primeiro contato com Planeta dos Macacos foi com o filme do Tim Burton. Eu adorei, mas o dia que eu conheci o original, mudei minha opinião. O original é fantástico! Também gostei do “A Origem”, mas ainda não conseguiram superar as cenas do clássico!

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  3. Para mim só considero o 1º filme, com Charlton Heston e o 2} com James Franciscus, os melhores. À época em que passou na TV – quando a Globo era uma emissora de televisão e não um ninho de mafagafos que se autodenominam \”celebridades\” – lembro da sensação ao ver os escombros da estátua da liberdade ao final do primeiro e o efeito da radiação nos seres humanos da citada Zona Proibida no 2º filme e a destruição do planeta pela bomba ao final deste. Tenho estes dois em dvd e volta e meia os revejo – sempre me fazem pensar. Excelente artigo. Bom encontrar vida inteligente na internet.

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  4. O livro é um marco da literatura. Apesar de inferior ao livro, a franquia cinematográfica está entre as produções mais importantes de todos os tempos.

    E, nesse tempo em que um casamento gay nos quadrinhos provoca tanto alarde, embora todos sejam/conheçam pessoas do mesmo gênero que se relacionam, parem para pensar um pouquinho na cena entre um humano e um símio se beijando… genial!

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  5. E desde primórdios esses “primos” são presentes em minha vida. Conta minha mãe que quando estava grávida deste que aqui vos fala, ela assistia a série (a filmada) e uma das lembranças fortes da minha infância é a de Dr. Cornelius (na série animada). Be monkey……ever and ever!!!!!! And don’t shock the monkey (como fez Peter Gabriel)

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  6. Faltou citar o remake de Tim Burton, que é mais fiel ao livro original, e o recente Planeta dos Macacos – A Origem!

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  7. Eu não sabia que havia tido tantas seuqencias! Bem ousado para a epoca… Mas macacos tem este poder… E por falar em macacos, esse tal amigo que curte novinhas deve se um bonobo neh?

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  8. Fantastic!!!
    O maluco chega em outro planeta e não perde tempo, já vai catando a Novinha. Curti, somou muito ao ao meu conhecimento simiesco.
    Po, e a referência a Metropolis é excelente, tem tudo a ver, e o filme impressiona muito até hj,

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  9. Ah, pela primeira vez tive realmente vontade de ver esse filme… sabia que ele, o Pierre B. também escreveu aquele sucesso no Oscar, A Ponte do Rio Kwai???

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  10. Migo, ta show, o visual do blog eh super maneiro, me lembra neu tempo que lia gibis mesmo. Maravilhoso, vc ainda cultivar essa cultura de gibis, aonde usávamos a nossa imaginação e criatividade!! Super fã sua!!

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