KIRBY GENESIS: De volta à Fonte!

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Resenha do encadernado “Kirby Genesis” da Dynamite Entertainment, publicado no Brasil pela Mythos Editora.

Roteiro de Kurt Busiek e Alex Ross, arte de Alex Ross e Jack Herbert e cores de Vinicius Andrade.

Baseado nos conceitos e personagens de Jack Kirby

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Por Rodrigo Garrit

Kurt Busiek aceitou o desafio de escrever uma história que é ao mesmo tempo uma releitura de personagens clássicos de Jack Kirby e alguns de seus conceitos nunca utilizados, como também uma grande homenagem ao mestre dos quadrinhos falecido em 6 de fevereiro de 1994.

Ou seja, Kirby Genesis já começa ambiciosa, misturando  diversos personagens pouco conhecidos pelos leitores, e ainda inserindo o próprio Kirby no contexto da trama. Não o  autor Jack Kirby, mas um personagem homônimo que servirá de fio condutor da história, funcionando mais ou menos como o Phil Sheldon da minissérie Marvels, também de Busiek e Ross, porém com uma função muitíssimo mais ativa, sendo não apenas um mero espectador, mas peça fundamental ao desenrolar da trama.

A presença do genuíno Jack Kirby na história não acontece de maneira explícita, mas como dizer que ele não está em cada quadrinho reproduzido ali? Misturando o legado do artista com um fato real de sua carreira, os autores iniciaram um caminho sem volta para o cerne do núcleo criativo de Jack Kirby, que uma vez desencadeado não pode ser contido. Estrelas hão de tremer antes que sua influência seja esquecida pelos mortais.

Um fato real? Bem, quase. A Nasa de fato enviou uma placa com uma representação da humanidade para o espaço na sonda Pioneer 10. Nessa ocasião, Kirby e outros artistas foram convidados pelo jornal Los Angeles Times a retratar sua própria versão de como deveria ser essa imagem da humanidade a fim de ser lançada com a Pioneer como uma mensagem a eventuais contatos com inteligências extraterrestres.

Imagem que Kirby imaginou para ser levada ao espaço pela sonda Pioneer 10.
Ilustração que Kirby imaginou para ser levada ao espaço pela sonda Pioneer 10.

E esse é o ponto de partida da história narrada em Kirby Genesis. Na trama eles assumem que a imagem de Kirby estava na sonda espacial, e sua mensagem foi recebida… e respondida. Mas talvez a humanidade não esteja preparada para a resposta…

“Parecia uma insanidade. Terras perdidas. Yetis, alienígenas… como se dezenas de aventuras Pulp acontecessem ao mesmo tempo”.

Com este pensamento o jovem Kirby Freeman define muito do que a história representa. Uma vez que Kurt Busiek se utilizou de não apenas um, mas vários conceitos de Jack Kirby ao mesmo tempo,  se deparou com outro desafio: encaixar personagens criados em épocas e contextos diferentes na mesma história, fazendo-os agir em conjunto – ou um contra o outro – e não se perder nessa mescla de gêneros. Felizmente ele soube dosar com muita sutileza a presença do herói humano Estrela Prateada, um agente do governo que também é um ser onigenético racional poderossíssimo, à espreita dos acontecimentos da resposta alienígena do retorno da sonda Pioneer, e usando Bobbi, a melhor amiga do personagem Kirby Freeman, sendo possuída pela poderosa Cisne da Meia Noite, que por sua vez é forçada a obedecer as ordens de um dos maiores déspotas do universo, Darius Drumm, juntamente com o não menos perigoso Roag, e a terrível Dama Relâmpago, uma rainha insectona recém desperta de um coma em seu casulo, numa incursão até NIZRA, a Cidade dos Registros, escondida dos olhos humanos há tempos, um lugar quase divino onde o uso das máquinas foi abolido e substituído pelo “cultivo” de estruturas biológicas criadas para servir aos propósitos de seus cidadãos. Ao mesmo tempo, Kirby Freeman empreende uma busca por sua amiga Bobbi, e acaba formando uma parceria involuntária com Pé de Trovão, Rokk, Krayg, Reptar e Erich Von Kilhousen, residentes do Continente Fantasma onde o tempo transcorre de forma diferente do mundo normal. Alheios a tudo isso, o oficial de comando Keltan e os protetores de Gazra estão na Terra no encalço de Roag, com quem têm uma história mal resolvida de longa data, mas não são os únicos: além deles, outras forças policias intergalácticas chegam ao planeta atraídos por toda a movimentação causada pela resposta da Pioneer: Iyana tratos da equipe Galáxia Verde formada só por mulheres (que na verdade buscava cumprir um contrato e capturar o bando fugitivo Sundance), e os imponentes Guardas Galácticos desembarcando no Encouraçado espacial “Tigre” sob o comando do Capitão Vitória, que por sua vez estavam prestes a cruzar seu caminho com os seres míticos invocados pela Cisne da Meia Noite, entre eles Sigurd Mata-Dragão, Balduur, Honi, Heimdall, a demônia sem nome, Ulisses, Tyree e seu dragão Mestre Chimu e Sarum, um quase onipotente gênio das Terras Míticas Persas… além de vários e vários outros.

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Sim. É muito Jack Kirby numa dose só. Mas o que poderia se tornar confuso nas mãos de outros criadores, se reflete em um enredo sólido e instigante capitaneado por Kurt Busiek que se mantém fiel a proposta da série e nos faz sentir como se estivéssemos lendo um dos clássicos do velho Kirby, embora atualizado para os novos tempos. Algo como o que Grant Morrison fez com sua Crise Final, mas numa proporção bem maior.

Alguns dos personagens utilizados eram apenas esboços deixados por Jack Kirby e nem haviam sido batizados – a Cisne da Meia Noite por exemplo – o que concedeu aos autores maior liberdade para a interpretação dos mesmos. Outros no entanto, foram amplamente desenvolvidos pelo Rei, como o Estrela Prateada e o Capitão Vitória, que chegaram a ter títulos próprios publicados entre 1981 e 1983 pela Pacific Comics.

A arte da série é fantástica, alternando o traço do brasileiro Jack Herbert com as pinturas de Alex Ross. Seu estilo cai como uma luva para a história, é muito detalhista e versátil, nos brindando com uma interpretação fenomenal dos personagens.

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Atentem para o uso de um repórter de tevê que é sósia do Willian Bonner, o que seria um toque pessoal do desenhista Jack Herbert, talvez? Sem falar no próprio Kirby Freeman que é a cara do ator americano Jay Baruchel… o que não me surpreende, pois é sabido que Alex Ross tem o hábito de utilizar modelos reais ao pintar seus personagens. Outra curiosidade é o pai da personagem Bobbi que lembra muito o Jack Kirby. Creio que não por acaso, seu nome é Jacob Cortez. O nome verdadeiro de Kirby era Jacob Kurtzberg

O encadernado em capa dura da Mythos Editora inclui as edições zero à oito da minissérie com a história completa. É uma edição luxosa e repleta de extras para fã nenhum do Kirby botar defeito.

Mais do que a homenagem, Kirby Genesis se mostrou uma história muito divertida que certamente vai agradar a todos os fãs do gênero.

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2 comentários sobre “KIRBY GENESIS: De volta à Fonte!

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