Resenha Literária: “O Fabuloso Maurício e seus Roedores Letrados” de Terry Pratchett.

arte sacra

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“‘O importante nas aventuras'”, pensou o Sr. Coelho, ‘é que elas não deveriam ser longas a ponto de fazer você perder a hora das refeições.'”

– De O sr. Coelho vive uma aventura

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Por Rodrigo Garrit

O Discworld é um mundo plano sustentado pelos ombros de quatro elefantes gigantescos (Grande T’phon, Tubul, Berilia e Jerakeen), que, por sua vez, estão sobre o casco de uma enorme tartaruga, a Grande A´Tuin, rumando vagarosamente espaço à dentro… (ou seria “espaço à fora”? Eu sempre me confundo). Bem, esse é um conceito inspirado pela mitologia Hindu. E também uma série de livros incríveis de Terry Pratchett, que caso você não conheça, perdeu uma das grandes oportunidades de diversão na sua vida.

A mitologia do Discworld é tão rica e vasta que até as lendas têm suas próprias lendas e elas costumam se chocar uma vez por outra tentando provar qual delas é verdadeira…

Enfim…

Com o livro “O Fabuloso Maurício e seus Roedores Letrados”, Pratchett nos conta uma dessas lendas, que apesar de se passar dentro da continuidade dos demais livros de sua série, nos apresenta novos personagens, que mesmo sendo novatos não são menos carismáticos, sarcásticos ou divertidos do que os demais habitantes do Discworld.

EI-LO: O Discworld!
EI-LO: O Discworld!

Maurício é um gato.( Não, Maurício, não é você! Tô falando do outro!) O Maurício do livro é literalmente um gato, astuto como quase todos os da sua espécie, mas especialmente  matreiro. Tanto que aprendeu a fazer concessões para sobreviver, o que inclui se unir a um bando de ratos e aplicar golpes de cidade em cidade para ganhar alguns trocados.

Temos aqui o conflito da lenda do Fabuloso Maurício e seus Ratos Letrados com a do Flautista que encantava ratos (não letrados) com seu instrumento enfeitiçado para aterrorizar as aldeias por onde passava, exigindo pagamento posterior para se livrar da praga fazendo-se passar por um bem feitor. Essa lenda é famosa pela passagem na qual, diante da recusa do pagamento, ele enfeitiça todas as crianças do lugar e as leva embora consigo.

As duas versões da lenda ainda estão brigando para provar qual delas é verdadeira. Ainda não houve um vencedor, embora o Flautista ganhe pontos graças a filmes clássicos e paródias em desenhos animados. Mas eu ainda aposto no Maurício. Depois de terminar de ler suas aventuras, eu não me atreveria a não apostar sempre nele.

Terry Pratchett é especialista em promover esse embate entre lendas. E entenda esses embates como sátiras e deboches a qualquer lenda incauta que passe por seu caminho. A própria ideia do Discworld, segundo ele mesmo disse em um de seus livros, “era uma lenda que estava à deriva, e parecia que ninguém estava usando no momento. Por isso decidi pegar emprestada um pouquinho”.  É algo da mitologia Hindu, mas com outro nome. Não importa.  E a propósito, as palavras dele não foram EXATAMENTE essas, mas meus exemplares de “A Cor da Magia” e “A Luz Fantástica” (os dois primeiros volumes da série Discworld) estão emprestados e me recuso a pesquisar isso no Google por motivos éticos. Ou talvez eu esteja com preguiça. Detalhes.  (A citação de Pratchett foi feita em um desses dois livros. Ou nos dois. Detalhes). Mas BASICAMENTE, foi isso que ele quis dizer.

Sobre o livro, ele é divertido do começo ao fim, mas não apenas isso… há muito, muito mais.

As aventuras de Maurício também têm seus momentos dramáticos… sabe, eu não gosto de pensar que finais felizes são para crianças burras… mas Pratchett escreve para crianças inteligentes e de todas as idades. Entendam como quiserem.

E agora vamos ao ponto:  Se você não gosta de gatos, leia esse livro. Provavelmente vai passar a gostar menos deles… mas vai saber exatamente porquê.

E se você gosta de gatos… LEIA esse livro. Só pra confirmar o porque de gostar deles.

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E pra finalizar, só queria incluir aqui um momento pessoal. Hoje cheguei em casa do trabalho, e para me receber, estavam apenas meus dois gatos, Rick e Raquel. Depois de me ameaçarem por comida, pularem na minha roupa e deixarem repleto de pelos… fiquei olhando pra eles, pensando sobre o que eu escreveria essa noite. E talvez tomado por uma insanidade temporária (que já dura desde que nasci), perguntei a eles – os gatos – qual deveria ser o tema do meu artigo. E adivinhem! SIM, isso mesmo. Eles não responderam nada e continuaram a se lamber.

“Humano tolo” – certamente eles pensavam. “É óbvio que você escreverá sobre gatos. Tem que ser sobre gatos”.

É óbvio.

E bem, aqui estou eu… com esse texto todinho digitado com a Raquel no meu colo, tentando por vezes me desvencilhar de suas alterações editoriais, até ela desistir de tentar digitar no meu lugar… o que acabou fazendo mesmo, pois era muito trabalhoso. Mas acho que chegamos num consenso… muito embora ela tenha pegado no sono. Será que achou meu artigo assim tão tedioso?

Ei… gente? Tem alguém acordado ai?

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Rick e Raquel… meus queridos editores! (Eles cobraram pelo uso de sua imagem nesse artigo)
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8 comentários sobre “Resenha Literária: “O Fabuloso Maurício e seus Roedores Letrados” de Terry Pratchett.

  1. Foi o primeiro livro que eu li do Pratchett, nem conhecia nada dele e um dia vi esse livro numa prateleira e pensei: Por que não? Devorei-o em algumas horas e dps disso, passei a reconhece-lo e tive a oportunidade de ler quase todos os livros da série Disc World (Todos os lançados no Brasil, com certeza) e sua tão bem vinda parceria com o Gaiman.
    Adoro o Terry e suas brincadeiras, suas tiradas. Todos os livros dele tem pequenas pegadinhas incríveis!
    Seu texto me deu vontade de ler novamente, ou ver um dos filmes ❤

    Curtido por 1 pessoa

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