ANTOLOGIA VAMPIRO AMERICANO: Misturando sangue e ideias!

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O Santuário orgulhosamente convida para uma inesquecível resenha do especial “Antologia Vampiro Americano” da Vertigo  publicado no Brasil pela Panini Comics.

Traje de gala obrigatório.

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Por Rodrigo Garrit

Sejam todos muito bem vindos meus caros, obrigado por nos agraciar com sua presença nesta noite. Nosso grande protagonista, mestre de cerimônias e irremediável crápula conhecido como Skinner Sweet abre os trabalhos desta valsa sangrenta estrelando…

THE MAN COMES AROUND

Roteiro de SCOTT SNYDER, arte por RAFAEL ALBUQUERQUE e cores de DAVE MCCAIG.

Sweet, que retona ao fim da apresentação com a segunda parte do seu ato para fechar o livro, em história produzida pelos seus criadores (exceto é claro o aclamado autor Stephen King, que co-escreveu as primeiras histórias dos primórdios do título e que atualmente nem é mais creditado como co-autor da obra). Snyder segue direitinho a cartilha padrão para esse tipo de história, mas mesmo em poucas páginas consegue prender a atenção do leitor com seu carismático e mau caráter Vampiro Americano, seduzindo-nos com a promessa de novas e boas histórias no futuro, deixando para isso algumas pistas de modo inteligente pelo caminho. Rafael Albuquerque por sua vez já estabeleceu o padrão do traço que deve ser utilizado para se obter o clima do título, um padrão que é seguido por todos os outros artistas da antologia, que não por coincidência têm um estilo similar igualando ou superando a arte regular do título e são em sua grande maioria profissionais já consagrados  no meio quadrinhistico, compondo essa edição, que só pelo seu formato editorial já merece toda a atenção.

Eu adoro antologias.

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Após essa breve introdução dos anfitriões, o baile segue com a história…

A COLÔNIA PERDIDA

Roteiro de JASON AARON, Arte de DECLAN SHALVEY  e cores de JORDIE BELLAIRE.

Jason Aaron não é nenhum desconhecido, sendo o autor de um dos maiores sucessos da Vertigo dos últimos anos, a série ESCALPO.  (A qual eu não sou o maior fã, porém reconheço o grande mérito narrativo alcançado, ainda assim não sendo o meu gênero preferido).Aaron fez uso de algo que conhece bem: a cultura indígena norte americana, num belo conto sobre a luta de uma tribo para sobreviver ao ataque do (se já não bastasse) homem branco, mas de vampiros.

A forma como o autor conduz a história nos mostrando como o cacique comunga com os espíritos da floresta em busca de respostas, e sua gana por triunfo ante um inimigo até então para eles invencível me fez repensar meu desinteresse pela série Escalpo e buscar entende-la em sua essência, revistiando minha coleção da revista Vertigo onde ela era publicada antes de seu lamentável cancelamento.

A arte de Declan Shalvey segue o padrão estabelecido pelo título conforme mencionado anteriormente. Confesso que não conhecia o trabalho dele, mas gostei do que vi.

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Muito bem. Uma pausa para a próxima dança que será conduzida por…

KANSAS SANGRENTO

Roteiro de RAFAEL ALBUQUERQUE e arte de IVO MILAZZO.

História dramática de uma família que vê seus sonhos para o futuro serem devorados pelas criaturas das sombras. Não foi essa a HQ mais fraca da antologia, mas quase. Não por falta de mérito ao escritor, mas pela desleal comparação com os outros roteiristas mais experientes aqui apresentados. Vale ressaltar o profundo conhecimento do contexto histórico e os bons diálogos… mas o desenvolvimento tornou-se confuso e o desfecho previsível. Nada imperdoável, nada pelo que outros grandes autores já não tenham passado, mas não deixa de contar como ponto negativo. Algumas outras histórias dessa antologia também tiveram finais previsíveis, no entanto foram tão bem desenvolvidas, tão envolventes, que em um âmbito mais amplo, tornam a leitura extremamente satisfatória e prazerosa.   Apesar de alguns bons momentos, infelizmente esse não foi o caso aqui.

A arte de Ivo Milazzo é vibrante e o uso das cores foi um espetáculo à parte, muito bonito de se ver.

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Agora, queiram se dirigir até a antessala para que possamos apreciar o…

VAMPIRO CANADENSE

Roteiro de JEFF LEMIRE e arte de RAY FAWKES.

Eu queria que o Jeff Lemire tivesse desenhado essa.

Como bom canadense que é, Lemire não perdeu a oportunidade de levar a antologia para casa, e com uma cara de pau maravilhosa nos apresentou o primeiro Vampiro Canadense.

Novamente o contexto histórico nos leva aos primórdios da sociedade atual, mais especificamente ao não de 1877, onde um caçador de recompensas e ex-oficial da polícia montada chamado Jack Warnhammer fica prestes a se deparar com a aventura de sua vida. (Ou seria de sua morte?)

A cultura indígena é utilizada novamente aqui, mais uma vez com muito respeito e fidelidade. A tradição da tribo Cree é invocada e mostra que o sol sempre volta a brilhar, mesmo depois da mais entorpecente escuridão, mas o que a luz irá refletir nunca mais será igual ao que foi no dia anterior. (Sim, EXATAMENTE como na música do Lulu Santos).

Eu queria que o Jeff Lemire tivesse desenhado essa.

Mas já que ele não desenhou, que bom que a arte ficou por conta de Ray Fawkes, dono de um traço singelo o bastante para retratar a inocência, mas também brutal nos momentos em que isso se faz necessário. Mais uma vez eu faço questão de elogiar o uso das cores na história, as quais só elevaram a beleza do traço de Fawkes.

American Vampire Anthology #1 page 34 panel 1

Não, não se dispersem ainda meus caros! A noite ainda está só começando. E como próxima atração, teremos…

OURO E MALDIÇÃO

Roteiro e arte dpor BECKY CLOONAN, Cores pos JORDIE BELLAIRE.

Esse conto narra uma passagem “perdida” da (vida?) de Skinner Sweet, e tem o mérito de preencher algumas das muitas lacunas da longa (vida?) desse adorável facínora. É uma síntese da essência do personagem, do que o título Vampiro Americano representa e um presente para os fãs da série, bem como um excelente chamariz para novos leitores. Não é a minha história preferida desta antologia… é a segunda melhor. Beck Cloonan  é famosa por seus trabalhos mais alternativos e sinceramente não esperava menos dela.

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Agora por favor, acomodem-se em seus assentos para o início da sessão de…

OS PRODUTORES

Roteiro e arte de FRANCESCO FRANCAVILLA.

Eu sou fã desse cara.

Seja desenhando O SOMBRA ao lado de James Robinson ou uma das melhores histórias do Batman dos últimos  tempos com roteiro do mesmo Scott Snyder por trás de Vampiro Americano (leia a resenha aqui) Francesco Francavilla é sempre espetacular. Como roteirista, ele seguiu uma linha clássica para contos de terror, sua narrativa termina de forma cíclica, surpreendendo os mais desavisados mas nem tanto os macacos velhos de guerra como eu… mas mesmo assim conseguiu um bom resultado. O uso predominante de apenas duas cores, neste caso o azul e o vermelho no decorrer da história (um recurso que se tornou uma marca registrada do artista) deixa claro desde o início, que pelo menos visualmente falando… não tinha como chegarmos  a um final bonitinho para essa história.

Eu sou fã desse cara.

American Vampire Anthology #1 page 50

E agora faremos um pequeno intervalo para…molhar a garganta. Daqui a alguns instantes voltaremos com…

A ESSÊNCIA DA VIDA

Roteiro de GAIL SIMONE e arte de TULA LOTAY

Essa história apresenta similaridades o conto anterior, trata dos sonhos de uma jovem aspirante a atriz em brilhar em Hollywood. Obviamente foi uma coincidência , e o tema está intrinsecamente ligado ao contexto do título regular Vampiro Americano (o que não foi necessariamente uma regra para os outros contos).

Não é uma história de toda ruim, podendo ser apontado como maior ponto positivo a construção das personagens.  A arte também muito boa, nos deixa do clima da época em que a trama se passa. Mas de forma geral temos um roteiro previsível e com algumas cenas (forçadamente) impactantes. A última página do conto fez valer a presença dessa história na antologia. Mas é a mais fraca dessa coleção.

American Vampire Anthology #1 page 60

Aguardem mais um pouco meus amigos, estamos quase, quase no fim. Enquanto esperamos o Gran Finale, convido a todos para conhecer as instalações de nosso bar, onde podemos ter uma conversinha informal sobre a…

NOITE PASSADA

Roteiro e arte de FÁBIO MOON e GABRIEL BÁ. Cores por DAVE MCCAIG.

Eu não consigo entender como os gêmeos brasileiros Gabriel Bá e Fábio Moon ainda não tem uma revista mensal própria escrita e ilustrada por eles publicada pela Vertigo.Ou por qualquer outra grande editora interessada em quadrinhos de alta qualidade. Esses dois… eles são geniais, entende? Digo, é sério…nada neles é óbvio, nada é “lugar comum”. Já leram a obra DAYTRIPPER produzida por eles também para a Vertigo? (resenha aqui).

Pois bem, como eu já disse antes sou fã de antologias, curto bastante o título Vampiro Americano e isso por si só já seria mais do que suficiente para eu querer ler essa edição. mas quando eu vi o nome desses dois na capa, minha empolgação se elevou a outro patamar. E para minha felicidade eles não decepcionaram minhas expectativas. Seu conto é cativante, muito bem contextualizado e belamente ilustrado. E sim, ele segue a velha fórmula cíclica de se narrar uma história de terror, mas isso não precisa ser necessariamente algo ruim. Certamente não foi o caso.

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Bem meus amigos, estamos chegando ao final… queria dizer que foi muito bom contar com a presença de todos aqui esta noite. Mas antes de partir, gostaria de oferecer uma última performance de nossos anfitriões, intitulada…

PORTLAND, 1940

Roteiro de GREG RUCKA, arte de JOHN PAUL LEON, cores de DAVE MCCAIG.

Greg Rucka é o cara.

Eu sei, eu mesmo já estou farto de mim mesmo por elogiar tanto alguns artistas, mas o fato é que existem certos indivíduos do mundo dos quadrinhos que simplesmente não tem como não amarmos. Rucka é um deles. O considero um dos melhores roteiristas da atualidade, colocando no páreo com Warren Ellis, Jeff Lemire, Grant Morrison e o próprio Scott Snyder…

Por que tudo isso?

Porque Rucka é instigante, e ele age nos pontos da história para onde você não está olhando e te surpreende com algumas das melhores HQs que provavelmente você já leu. Quem teve a oportunidade de ler a fase frente à Mulher Maravilha, Gotham City contra o Crime e Batwoman por exemplo, sabe do que estou falando.

Mas voltando ao conto escrito por ele nessa antologia, a verdade é que nem vou falar muito dela. Vou dizer apenas isto: foi a melhor história da edição.  contém um evento chave e de grande importância para a continuidade da série mensal Vampiro Americano, e foi desenhada pelo John Paul Leon.

Ah sim, John Paul Leon. Vocês conhecem o trabalho desse cara, não? Senão, façam um favor a si mesmos e procurem por tudo que ele tenha desenhado. O cara é demais.

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E assim encerramos por definitivo nossa noite de gala. Muito obrigado por nos concederem a honra da sua presença… esperamos que tenham desfrutado dessa noite tanto quanto nós!

Uma boa noite para todos! Até a próxima!

***

(A menos que algum dos “anfitriões” já os tenha farejado e decida dar uma “esticada” na noite… porque se for o caso… não haverá “próxima vez”…)

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