RESENHA: Wild C.A.T.S. / X-Men: Os Livros das Eras!

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“Eu sou Jean Grey. Uma mutante. Combati sentinelas e demonitas, mas nunca fui soldado. Se alguém ouvir esses pensamentos, me procure.

E se não puder me ajudar, me mate”.

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Por Rodrigo Garrit

Depois de ter feito história na Marvel com os X-Men, Jim Lee ajudou a fundar uma nova editora junto a outros artistas. Assim nasceu a Image Comics no anos 90.

Criando novos personagens, mas inegavelmente similares aos heróis da Marvel, surgia uma nova Era para os quadrinhos. Boa ou ruim, não é essa a questão aqui.

Jim Lee então juntou-se ao roteirista Brandon Choi e criaram sua própria equipe de super-heróis. Assim nasceram os Wild C.A.T.S.

Sucesso de vendas, sucesso em polêmicas. Mas debates à parte, a equipe passou por fases espetaculares, principalmente quando escrita por roteiristas do calibre de James Robinson e… Alan Moore.

Então, depois que a poeira baixou, e os ânimos se acalmaram, Jim lee e a Marvel voltaram a conversar. Não, ele não voltaria a trabalhar na Casa das Ideias. Mas um encontro entre seus personagens e os X-Men que o deixaram famoso já era algo desejado há tempos pelos leitores.

Assim nasceu o crossover Wild C.A.T.S. / X-Men.

Durante muito tempo e até hoje, os anos noventa foram para muitos uma época de quadrinhos com muitas histórias sem conteúdo embalados em imagens estonteantes. Em alguns casos isso não foi verdade, e em outros de fato foi. Muito embora, apesar de tudo o que se disse e que se fez, será que hoje em dia a situação é tão diferente? Pior ou melhor, essa não é a questão aqui.

Longe do alcance dessa generalização, encontramos o que realmente importa para você que me leu até aqui. O encontro entre os X-Men e os Wild C.A.T.S. foi algo espetacular, surpreendente para alguns, e um deleite para a maioria.

Para começar, ele fugiu da maioria dos estereótipos e clichês que normalmente são usados nesse tipo de história. O crossover foi dividido em quatro volumes com histórias fechadas, embora interligadas de alguma forma e produzidas por equipes criativas diferentes.

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O primeiro volume, “A ERA DE OURO”, foi escrito por Scott Lobdell (roteirista superstar dos X-Men na época) com arte ESPETACULAR, ESPETACULAR, ESPETACULAR de Travis Charest.  Esse cara sempre vai constar na minha lista dos melhores desenhistas de quadrinhos de todos os tempos.

Numa história passada durante a segunda guerra mundial, com tons de cores sutis percorrendo as páginas em preto e branco, temos uma trama de espionagem focada em Logan e Devota. Ele, um agente especial do governo canadense, sem qualquer noção sobre sua mutação ou mesmo suas garras, e ela uma espiã alienígena tentando impedir um plano elaborado por agentes demonitas infiltrados na Terra usando como máscara o partido nazista… uma ótima sacada do autor em unir esses dois guerreiros sanguinários nesse cenário noir abrilhantados pela arte de Travis Charest com ótimos diálogos e ambientação.

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O segundo volume, “A ERA DE PRATA”, também foi escrito por Lobdell, com arte de Jim Lee, para os orgasmos múltiplos dos fãs que sonharam em ver o traço do artista ilustrando uma história com as duas equipes.

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Focada em Cole Cash, o Bandoleiro, repentinamente recrutado por Nick Fury como agente da Shield e em Jean Grey, uma jovem Jean Grey, ainda ostentando o nome de Garota Marvel e partilhando de suas primeiras aventuras com os X-Men originais. Jean e Cole acabam tendo seu caminho cruzado por acidente, flertam com o perigo, flertam entre si… e mais ótimos diálogos, cortesia de um Scott Lobdell, inspiradíssimo. Destaque para a pequena e marcante participação de Gambit, na prisão onde conheceu Cole, que nem imagina que um dia se tornará um X-Men, e o vilão Sinistro que embora atue nessa história que não faz parte da continuidade de nenhuma das duas equipes, já sabe exatamente como manipular o futuro.

Sobre essa coisa da continuidade não ser a mesma para as equipes, isso não é totalmente verdade… mas eu explico isso melhor quando falar do último volume.

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O terceiro volume, “A ERA MODERNA”, foi escrita por James Robinson com arte de Adam Hughes.

Existem Demonitas no Clube do Inferno. Com essa premissa simples e inteligente, Robinson alinhavou os conceitos que proporcionaram o trabalho em comum para as duas equipes.

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Vários anos já se passaram desde o encontro entre Jean e o Bandoleiro, e agora vemos as duas equipes bem estruturadas e atuando juntas pela primeira vez. Robinson explora muito bem a dinâmica entre os personagens, colocando membros de equipes diferentes atuando juntos. O destaque vai para Jean Grey, agora transfigurada na poderosa Fênix e com seu poder no auge.

Mas Adam Hughes também está no seu auge, e sua perícia em desenhar belas formas femininas não foi desperdiçada nessa história.

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O quarto volume, “A ERA DAS TREVAS”, foi escrito pelo mesmo Warren Ellis de “Planetary”, “The Authority” e tantas outras HQs espetaculares, no melhor estilo da trama de “Dias de um Futuro Esquecido”, com arte de Mat Broome, talvez o mais fraco do crossover (ainda mais se comparado ao impecável Travis Charest), não por falta de talento, pois seu traço é ótimo, tendo inclusive algum toque “lovecraftiano” que muito me agrada, mas pela falta de constância. Broome apresentou uma arte irregular, e precisou ser auxiliado pelos artistas Brett Booth, JD, Armando Durruthy e Tom McWeeney. Essa falta de alinhamento da arte causa estranheza em alguns momentos e nos faz sentir um certo desânimo, mas o roteiro de Ellis é tão interessante, que perdoei todas as falhas e segui firme até o fim.

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Em 2019, a fusão entre sentinelas e demonitas criará uma nova raça de meta-criaturas insanas que sentirão apenas ódio por tudo e por todos, sejam humanos, mutantes ou alienígenas. Uma guerra de proporções bíblicas devastou o mundo na tentativa de conter esses monstros. Os heróis caíram aos seus pés, mas um pequeno grupo de rebeldes remanescentes  liderados por Lorde Emp, ex-líder dos Wild C.A.T.S., (agora preso à uma cadeira de rodas), tem um plano para reverter toda essa situação.

Tantas mortes deixaram todos traumatizados ou desesperados demais. Kitty Pryde, Vodu, Ororo Munroe e Warblade entre outros poucos se mantiveram vivos, mas prisioneiros, com implantes que inibem seus poderes. Mesmo assim, não perderam a esperança, e em outro lugar, dois andarilhos continuam a enfrentar com todas as suas forças os seus opressores: Cole Cash e Wolverine.

Não sem que um grande sacrifício seja feito, o plano de utilizar a tecnologia que transportou o mutante Cable através do tempo é posto em prática, na tentativa de apagar essa realidade infernal e forjar um novo futuro.  Se eles terão sucesso ou se as coisas devem ser mesmo do jeito que são, ninguém sabe. Só uma coisa nunca muda: seja qual for a realidade, seja qual for o apocalipse, eles sempre vão lutar. Sempre vão resistir.

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No chão podemos ver o Doutor Destino, Thor, Batman e Faichild… Espera, Batman???

Quando eu disse antes que essa história não fazia parte da continuidade das duas equipes, estava errado… e certo também. O que fica claro nessa história, é que há uma “terceira realidade” onde esses dois universos co-existem, independente de hoje em dia os personagens dos Wild C.AT.S. (ou apenas “Wildcats”, sem a sigla “Comando de Ações Táticas”) serem de propriedade da DC Comics, para onde migraram junto com seu criador, Jim Lee. Mas à parte de todos os reboots, crises e versões “ultimate”,  uma coisa é certa: é preciso que se façam mais crossovers assim, que vão além da necessária sede por vendas, mas tem como ponto principal a criação de boas histórias!

WCXM

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11 comentários sobre “RESENHA: Wild C.A.T.S. / X-Men: Os Livros das Eras!

  1. Travis Charest trabalhou na série européia “A Casta dos Metabarões”.
    Mas como ele tem um ritmo de trabalho mais detalhista a série teve alguns atrasos e se não me engano, Charest ficou apenas por dois albuns.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Putz, deu vontade de ler, Tinha a da Era de Ouro e ainda tenho da Era de Prata, emprestei a primeira e nunca mais vi ¬¬…lembro que era absurdamente bem desenhada mesmo pelo Travis Charest (que fim levou esse cara)?? Engraçado que hoje as pessoas tem arrepios quando ouvem os nomes “Jim Lee” e “Scott Lobdell”, mas pra mim eles fizeram um bom trabalho nessa minissérie. Agora fiquei curioso em ler a 3 (Adam Hughes, outro monstro) e a 4…

    Curtido por 1 pessoa

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