RESENHA: Mulher-Maravilha – Hiketeia!

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Roteiro de  Greg Rucka

Arte de J.G. Jones e Wade Von  Grawbadger.

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Por Rodrigo Garrit

Um choque cultural pode ser muito traumático. Estar em um país estrangeiro, longe de suas tradições e costumes pode causar desde um leve constrangimento até situações mais graves.  Desde uma leve ofensa,  até derramamento de sangue.

Agora imagine um choque cultural com super-poderes.

A princesa Diana de Themyscira veio ao mundo do patriarcado – o “nosso” mundo – como embaixadora, e disposta a pregar a filosofia das amazonas, que embora sejam guerreiras natas, preferem difundir a paz. Tendo sido criada na paradisíaca ilha de Themyscira com o severo cunho dos costumes ensinados na Grécia Antiga numa espécie de realidade separada, onde os deuses olímpicos, o Titãs Mitológicos e todas as suas lendas são reais, Diana aportou literalmente em um novo mundo ao se estabelecer entre os homens da Era Moderna, e embora tenha conseguido se adaptar rapidamente a esse novo mundo, algumas de suas crenças permaneceram inabaladas.

No contraponto da divindade de Diana, temos o Homem Morcego de Gotham, um homem sem nenhum poder especial além de sua obstinação e vontade inabaláveis. Embora o resultado final do seu trabalho seja prover um mundo de luz para as pessoas, Batman enxerga tudo em tons muito escuros, e uma vez determinado a levar um criminoso a pagar por seus crimes, sua sede de justiça não pode ser saciada até que tal objetivo seja alcançado.

Mas o que acontece quando esse mundo pintado em tons tão escuros se mostra repleto de outras nuances de preto e cinza, fazendo com que o objetivo desse homem sombrio entre em conflito com as crenças inabaláveis da criatura divina que atende pelo nome de Mulher Maravilha?

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O que é o juramento de Hiketeia?

Na Antiga Grécia existia uma lei onde um suplicante poderia implorar por abrigo em momentos de necessidade. Ao aceitar a súplica, seu mestre o protegerá e o levará consigo para sua casa, oferecerá hospitalidade e fará dele um membro da sua família.

As leis costumavam ser rígidas naqueles idos tempos, onde assassinato era punido com sangue e quebrar promessas uma desonra punível com a morte. Desde esses tempos idos, as assim chamadas “Fúrias”, também conhecidas como Eríneas pelos gregos estão destinadas a levar vingança contra os assassinos, os mentirosos, os infiéis.

Ai daquele que quebrasse seu sagrado juramento de Hiketeia. Pois teria a triste sina de sofrer a justa vingança pelas mãos implacáveis dessas bondosas senhoras.

Uma suposta criminosa pede exílio na embaixada de Themyscira prostrando-se aos pés de Diana e oferecendo-se como sua hóspede, invocando para tanto o juramento de Hiketeia. Devota em suas tradições, Diana a acolhe. Mas a mesma suposta criminosa está com Batman em seu encalço, e ele não pretende voltar a Gotham sem levá-la com ele.

A história nos traz esse embate moral, colocando duas forças motrizes em lados opostos de um ponto de vista, o que no caso deles, pode ser sinônimo de uma batalha devastadora.

Considerando-se que as lendas são verdadeiras, as Eríneas estão à espreita, e sua justa vingança não poderá ser aplacada caso o juramento de Hiketeia seja quebrado.

Greg Rucka é um escritor excepcional, que fez maravilhas ao roteirizar algumas das melhores fases do Batman, e juntamente com Ed Brubaker nos trouxe a impecável série “Gotham Central” (Publicada no Brasil como “Gotham City Contra o Crime”). Além disso ele também foi um dos grandes nomes por trás do título da Mulher Maravilha, escrevendo uma fase memorável, onde conseguiu se desvencilhar respeitosamente do legado deixado por George Pérez e mostrou com originalidade uma nova forma de se contar histórias da princesa amazona, talvez superado apenas recentemente por Brian Azzarello que assumiu o título da personagem após o evento Novos 52. Vale também destacar aqui o excelente trabalho de Rucka à frente da personagem Batwoman, consolidando seu talento para escrever personagens femininas fortes e interessantes.

A arte de J.G. Jones  lhe caiu como uma luva: realista ao representar a humanidade dos personagens e lúdica ao ilustrar toda a fantasia da trama. Perfeito para um encontro entre Batman e a Mulher Maravilha.

Mulher Maravilha: Hiketeia é uma das grandes obras relacionadas à personagem. É a aventura da princesa amazona que todo fã do Batman não pode deixar de ter!

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O SAGRADO JURAMENTO DE HIKETEIA:

Venho me oferecer

Em súplica,

A ti, minha alma.

Venho sem proteção.

Venho sem alternativas.

Sem honra, sem esperança.

Sem nada além de mim mesma

Para implorar tua proteção.

 

Em tua sombra vou servir.

Pelo teu hálito vou respirar.

Por tuas palavras vou falar.

Por tua misericórdia vou viver.

 

Com todo meu coração,

Com tudo que tenho para oferecer,

Eu te imploro em nome de Zeus,

Que zela por todos os suplicantes:

ACEITA MEU PEDIDO.

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7 comentários sobre “RESENHA: Mulher-Maravilha – Hiketeia!

  1. Hikiteia foi uma mini foda acho que foi a melhor historia que li da mulher maravilha des do tempos do perez,muito melhor que a fase do azarello que leva 3 anos para contar uma historia o cara em uma revista faz uma historia fododonica

    Curtido por 1 pessoa

    1. Eu também gosto muito da atual fase do Azarello, quando se escreve um título mensal é difícil não se estender na história, assim como o próprio Rucka fez quando era roteirista da MM, mas Hiketeia, sendo uma HQ planejadamente fechada é mesmo uma das melhores coisas que já foram feitas com o personagem… abraços!

      Curtir

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