RESENHA: Marvel Boy de Grant Morrison!

 

kreeworld

“Perdidos entre os infinitos mundos do superespectro, um leque de realidades onde tudo que você um dia imaginou é tão real como o que você pode ver”.

Roteiro de Grant Morrison

Arte de J.G. Jones

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Por Rodrigo Garrit

Certa vez dois estranhos visitantes fizeram uma aterrissagem forçada em uma das Terras alternativas do universo Marvel. Vindos de mundos regidos por conceitos abstratos e percepções variantes da realidade eles chegaram…

Marvel Boy e Grant Morrison.

Quando o autor escocês decide jogar bilhar com as estruturas do Multiverso ele não brinca em serviço. Publicado pelo selo “Marvel Knights” com total liberdade criativa, colocar Morrison no roteiro dessa história foi como soltar cães famintos num abatedouro (péssima metáfora) ou abrir as comportas de uma represa com figuras de linguagem conscientes famintas por pesadelos febris. (Melhorou).

Mas não, por mais que soe parecido, não estou falando do Multiverso da DC nem de suas Crises. Muito antes de “Multiversity”, o escritor já brincava de serrar os alicerces da existência. Foi quando ele jogou seus dados cósmicos na Casa das Ideias, trazendo-nos sua versão “Grant Morrison” do personagem Marvel Boy.

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De todas as realidades paralelas possíveis, Noh- Varr, o citado Marvel Boy, é atirado numa onde o Homem de Ferro (ou quase isso) é o grande vilão, e sua filha será sua grande aliada e amante. (Ou quase isso).

Ambientada numa Terra diferente da que os leitores de Homem-Aranha e Cia. Estão acostumados (pensando bem os leitores já estão bem acostumados em ver versões dos heróis em outras Terras, mas…) e com a arte incrível de J. G. Jones (com quem ele voltaria a trabalhar novamente na “Crise Final” da DC), nos deparamos com uma trama repleta de referências ao universo Marvel tradicional e ideias anti-reacionárias pegando carona no roteiro, com direito a duras críticas as grandes corporações e a influência da mídia na vida das pessoas.

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Perdido em um mundo, em uma realidade, que não é a sua, Noh-Varr precisa sobreviver ao oportunismo do Doutor Midas que rapidamente o sequestrou após sua queda, e se adaptar a esse novo mundo. Ou destruí-lo. Ou conquistá-lo.

Muitas pessoas alegam que Morrison usa algum tipo de narcótico antes de escrever suas histórias. Eu não duvido.

Essa história em sua forma bruta por si só já seria muito acima da média do padrão, mas muito mais do isso, temos ainda a clara homenagem do autor a Jack Kirby e seus épicos cósmicos, além de toneladas de referências a outros personagens incluindo os de outras editoras. Ele cria versões distorcidas do Homem de Ferro, Hulk e Capitão América entre outros, no que poderia ser, sem querer ser leviano, um protótipo daquilo que viria a se tornar o Universo Ultimate da Marvel, que longe de ser uma cópia, é também uma versão mais cínica de seus personagens.Claro, tudo isso mesclado a seus adoráveis joguinhos filosóficos, existencialistas e metalinguísticos, mergulhados como biscoitos da sorte no chá de cogumelos da lógica, subvertendo-a.

 

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Com sua inegável habilidade, o autor prova de há anos vem criando histórias sobre o Multiverso, e nos mostra o quanto elas são atemporais. Então, não importa de que realidade você venha.Leia o Marvel Boy de Grant Morrison.

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2 comentários sobre “RESENHA: Marvel Boy de Grant Morrison!

  1. Meu caro, você está absolutamente correto. Eu deveria ter usado o termo “ideias revolucionárias” ou mesmo como você citou “Ideias anti-reacionárias”.

    Te agradeço pela correção e pela leitura do texto. Eu o alterei, mas fica aqui registrada a sua contribuição.

    Abraços!

    Curtir

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