RESENHA: O Inescrito – Leviatã!

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“Até hoje, contudo, a grande baleia, científica ou poética, não vive completa em nenhuma literatura. Mais do que todas as demais baleias caçadas… essa vida permanece inescrita”.

Encadernado publicado no Brasil pela Panini. Escrito e ilustrado por Mike Carey e Peter Gross.

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Por Rodrigo Garrit

É claro que todos estamos no comando de nossas vidas, somos donos de nossas escolhas e escrevemos nossa própria história, certo? Certo??

“O Inescrito” é uma das obras mais originais que já tive o prazer de ler nos últimos tempos. Trata-se de uma HQ que faz referências a diversas obras da literatura, principalmente “Harry Potter” e seu universo mágico. “Mas como isso pode ser original”? você me pergunta. “Da forma mais simples possível”, eu repondo. “E é por isso que é genial”.

O inspiradíssimo trabalho de Mike Carey e Peter Gross nasceu de um conceito básico, mas tão brilhante que nos faz pensar como ninguém nunca pensou nisso antes.  Escrevendo histórias sobre histórias onde existem contos para narrar a trama, a dupla percorre um caminho árduo por esse labirinto que poderia ser enfadonho se comandado por outras mãos. Mas para nosso deleite, os autores sabem como ninguém navegar por esses mares.

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O poder das histórias é inegável, ele vem movendo a civilização através dos tempos, nos ajudando a entender o mundo e a nós mesmos. Histórias instruem, entretêm, educam e unem as pessoas.

Mas e se o poder das histórias fosse algo mais… literal? Uma espécie de combustível capaz de alimentar criaturas aquém da realidade,  capazes de compartilhar esse poder ainda que involuntariamente com determinados indivíduos que o usariam em benefício próprio, manipulando o rumo das histórias no inconsciente coletivo e subvertendo a realidade a seu bel prazer?

Parece confuso? E é mesmo. “O Inescrito” não foi feito para ser uma leitura usual, é uma história sobre histórias, sobre o potencial de cada narrativa e suas eventuais consequências. Uma ideia sem precedentes de Mike Carey, com a qual ele pode usufruir de possibilidades infinitas.

Para nos contar sobre esses conceitos, ele nos apresentou seu protagonista, Tom Taylor, filho do famoso escritor Wilson Taylor, autor das mundialmente famosas aventurar literárias de Tommy Taylor, o menino bruxo.

Wilson Taylor fez fama e fortuna com seus livros mas nunca foi um pai presente… ou assim Tom imaginava. Desde sua infância, ele havia sido preparado para os eventos que agora se voltam para ele. Wilson sempre soube da existência de uma Camarilha que roubava o poder das histórias, manipulando o ser que se alimenta delas; o imensurável Leviatã, de muitas faces e nomes… a serpente do Jardim do Éden. Moby Dick, a grande Baleia que é motivo de obsessão e fascínio entre os homens. A grande a devoradora onírica… enfim, tudo aquilo que os homens puderem pensar que ela seja e contar histórias sobre ela. Histórias das quais ela possa se alimentar.

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Através dos livros de Tommy Taylor – o personagem da ficção – Wilson Taylor pretendia canalizar esse poder narrativo em Tom – seu filho de carne e osso – e assim combater a Camarilha. Mas essa não é uma tarefa fácil, uma vez que eles estão nessa batalha há muito, muito tempo. Praticamente desde que a primeira história foi contada, atraindo a atenção do Leviatã para o nosso mundo.

Nesse volume de “O Inescrito”,  Tom faz importantes descobertas, mergulha literalmente no âmago das histórias e percebe que o poder que possui pode mudar para sempre a face do mundo.

Mas Tom não é o primeiro a canalizar o poder das histórias. No decorrer dos séculos, vários personagens surgiram com esse dom, recebendo o favoritismo do Leviatã. Agora alguns deles deverão escolher um lado nessa batalha entre Tom e a Camarilha, assim como ele próprio; uma vez que, fora ser um peão criado pelo pai como uma arma literária contra uma sociedade secreta oportunista, ele é também um ser humano, com uma vida. Uma história. Embora relutante de início, Tom se aprofunda cada vez mais nesse universo ficcional em busca de respostas, em busca de sua identidade e seu papel na história. Na vida.

Afinal, é claro que todos estamos no comando de nossas vidas, somos donos de nossas escolhas e escrevemos nossa própria história, certo? Certo??

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Leia também as resenhas de O INESCRITO: “Tommy Taylor e a Identidade Falsa” e O INESCRITO: “O Informante” e “O Retorno de um Morto“.

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