RESENHA: “Os Invisíveis – Revolução” de Grant Morrison.

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“‘Trifólio, verbena, endro, erva de João para a bruxa largar a sua intenção’. E este Sigil vai te prender no meu lugar”. 

O Volume Um do encadernado publicado no Brasil pela Panini.

Roteiro de Grant Morrison

Arte de Steve Yeowell, Jill Thompson, Dennis Cramer e Duncan Fegredo.

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Por Rodrigo Garrit

O jovem Dane McGowan parece não se encaixar no modelo estabelecido pela sociedade e sente um forte impulso de colocar as regras abaixo e começar sua própria revolução. Mas Dane não sabe que tem um dom, e que existem forças que o observam, pretendendo usá-lo ou recrutá-lo. Depois de vários episódios bizarros, ele é resgatado de sofrer uma estranha experiência no “Lar Harmonia”, uma instituição de reabilitação para jovens delinquentes. Ele é ajudado pelo misterioso King Mob, que o deixa aos cuidados de um mendigo chamado Tom O´Bedlam, que apesar de não falar coisas muito coerentes, parece ser possuidor de um conhecimento muito além da compreensão do senso comum. Ele inicia uma espécie de “treinamento” com Dane, preparando-o para integrar uma divisão de uma “sociedade secreta” conhecida como “Os Invisíveis”, um grupo que, basicamente, luta para defender a humanidade do controle de uma raça de seres extradimensionais.

Além de King Mob e Tom, Dane vai conhecer os outros membros dos Invisíveis: Lord Fanny, Ragged Robin e uma moça chamada Boy.

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Bom, é isso. Eu acabei de ler o encadernado da Panini “Os Invisíveis: Revolução”.

Sou fã do texto psicodélico de Grant Morrison, e já havia ouvido falar muitas e muitas vezes sobre essa série, mas nunca tinha posto meus olhos sobre ela. Eu achava que sabia o que esperar… mas estava enganado. Não, não estou dizendo que o texto não seja “psicodélico”. O que ocorre aqui é uma aglomeração de tudo aquilo que Grant Morrison representa para os quadrinhos, condensado, elevado ao máximo. Essa é a sua Quinta Essência;  “Os Invisíveis” está para Grant Morrison assim como “Watchmen” está para o Alan Moore. Cada um dentro daquilo que sabe fazer melhor.

E Morrison nos apresenta sua história com um texto corajoso, provocante… Transgressor.

Uma das coisas que sempre ouvi, era que o enredo do filme Matrix era uma CÓPIA da história dos Invisíveis (que surgiu bem antes do filme). Tendo em mente que por enquanto só li o primeiro volume encadernado e portanto não tenho conhecimento da obra completa, digo que a palavra “cópia” é um pouco forte, porém já me foi possível identificar alguns elementos similares aos apresentados nos filmes estrelados por Keanu Reeves. Se foi homenagem ou coincidência não sei, mas embora sejam texturas diferentes, parecem calcadas no mesmo conceito– ou um muito próximo – o que mesmo assim o deixa bem distante de um plágio. Fica no máximo um pequena sensação incômoda quando nos deparamos com essas similaridades, mas fora isso, o que li de Os Invisíveis é totalmente diferente do mote principal dos filmes dos irmãos Wachowski.

A história trata de temas fortes, e estamos falando de uma HQ publicada originalmente nos EUA em 1994. Muito à frente do seu tempo, e por isso mesmo, atualíssima.

A trama é contada de vários ângulos diferentes, a ótica do narrador não é fixa, mas em algum pontos converge para servir ao seu propósito. Uma trama que aborda sem nenhum pudor temas sociais, filosóficos e religiosos. Nos mostra a ciência  – até então – impossível capaz de efeitos extraordinários e também faz uso do ocultismo e da magia, sem rótulos ou segregações. Tudo é válido para se alcançar um justo objetivo. Usando uma guerra invisível como pano de fundo, Morrison esfrega na nossa cara a hipocrisia nossa de todo dia, nossos preconceitos, falsos moralismos e a fragilidade da sociedade. Ele também não poupa personagens reais da nossa história, transformando-os em peça chave de sua epopeia. John Lennon, Lorde Byron, Mary Shelley e o Marquês de Sade são apenas alguns exemplos.

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Falando assim, parece que a HQ possui um teor de cunho político. E na verdade, o tem também. E muito pertinente por sinal. A sinceridade com que o autor expõe suas ideias, nos fazendo refletir sobre nosso próprio papel dentro do funcionamento das engrenagens que movem o mundo por si só já tornam “Os Invisíveis” uma leitura instigante e uma HQ à parte da maioria das HQs. Mas o fator “ficção”, obviamente não foi deixado de lado, então qualquer coisa imaginada pelo autor escocês (o que não é pouca coisa) pode e vai ser transformado em elementos da história . Viagens no tempo, possessões demoníacas, alterações da realidade e criaturas extradimensionais serão recorrentes na história.

O interessante sobre “Os Invisíveis” é como ela afeta o leitor. Por exemplo, quando um dos vilões comete uma barbaridade medonha e parece se dirigir ao leitor e nos culpar! Será que, em condições favoráveis, não faríamos a mesma coisa? Não era isso que nós queríamos ver? ele pergunta.

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É impossível passar incólume por uma leitura como essa. Ela deixa algo sobre o que pensar, descascando camadas e camadas de questionamentos.

O que é a realidade de fato, além de algo que simplesmente acreditamos ? Estamos mesmo vivenciando nossa existência, fazendo nossas escolhas livres de qualquer manipulação? Temos alguma representatividade, fazemos alguma diferença?

Ou somos apenas fantasmas invisíveis?

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2 comentários sobre “RESENHA: “Os Invisíveis – Revolução” de Grant Morrison.

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