RESENHA: “Spawn e Batman” de Frank Miller e Todd McFarlane.

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“Eu tive de tudo, mas abandonei o materialismo em busca de iluminação espiritual. Agora me dá essa garrafa!”

Resenha do especial “Spawn e Batman”.

Texto de Frank Miller

Arte de Todd McFarlane

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Por Rodrigo Garrit

Vários moradores de rua de Gotham estão sendo usados como cobaias em um projeto criminoso. A investigação desse caso leva Batman até Nova York, onde se depara com uma conspiração envolvendo forças sinistras que fazem com que ele venha a cruzar seu caminho com o Soldado do Inferno, numa trama onde as trevas se estendem por muito mais do que os becos escuros, descendo até o reino dos condenados e retornando para tentar corromper tudo o que conseguir.

Homem-Aranha e Spawn! O encontro que nunca aconteceu! (Arte promocional de J. Scott Campbell para a revista Wizard).
Homem-Aranha e Spawn! O encontro que nunca aconteceu! (Arte promocional de J. Scott Campbell para a revista Wizard).

Muito se especulou sobre um crossover entre o Homem-Aranha e Spawn. Era algo muito desejado pelos fãs dos dois personagens e até mesmo pela própria Marvel… mas não por Todd McFarlane. Em vez disso… surpresa! Ele promoveu um encontro entre o seu personagem e o ícone da editora concorrente do Aranha: Batman! E para escrever essa história, foi convocado ninguém mais ninguém menos que Frank Miller!

Grandeza é uma palavra em comum para Miller e McFarlane. Ambos já experimentaram dela, já usufruíram de seus prazeres… e a perderam.

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Não, é claro que eles não estão acabados, ainda persistem e vez por outra surpreendem com algum trabalho novo. O problema é que nem sempre essa surpresa é positiva. Miller e McFarlane sofrem do mal de terem sido bons demais. Tão bons, que tudo o que fazem agora parece não chegar perto da grandeza de suas obras do passado.

Frank Miller, é uma lenda dos quadrinhos, autor de clássicos como “Batman: Ano um”, “Demolidor: A Queda de Murdock“, “Batman: O Cavaleiro das Trevas” e sua polêmica sequência…além da obra autoral “Sin City”, que ganhou os cinemas em duas adaptações, entre muitos outros trabalhos que nem dá pra listar aqui.

Todd McFarlane sempre foi dono de um traço original, cartunesco quase ao ponto de ser escatológico, mas ainda assim capaz de passar sobriedade em histórias mais sérias de Super-Heróis e/ou terror. Fez fama desenhando o Homem-Aranha, ajudou a criar Venom, um dos maiores inimigos do Aracnídeo de todos os tempos e comemorou o recorde de vendas com a história “Tormento”, com o Aranha, escrita e desenhada por ele. McFarlane é um sujeito amado por uns a odiado por quase todos. Mas é inegável que sua criação máxima, “Spawn”, ainda que tenha semelhanças com outros personagens já existentes é um sucesso que perdura até hoje e se mantém como a publicação mais regular da Image Comics, editora que ajudou a fundar quando abandonou a Marvel.

Unir esses dois criadores numa única história faz recair sobre eles a maldição de ter o dobro das expectativas, cobranças e comparações com seus trabalhos anteriores. E foi desse mal que padeceu o crossover “Spawn e Batman”.

Mas a história é tão ruim assim? Entendam, o que está em jogo aqui não é o julgamento de uma história apenas, mas o peso colocado nela por seus criadores. Não, a história não é ruim. Tem bons momentos. Agrada uma boa fatia dos fãs dos dois personagens. É legal. Mas apenas isso. Não é a história que foi idealizada na mente dos fãs, escrita pelo autor do grandioso “Batman: O Cavaleiro das Trevas”, e desenhada pelo fenômeno de vendas “Homem-Aranha:Tormento“.

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Infelizmente, o velho clichê dos heróis que primeiro lutam e depois se unem contra uma ameaça em comum foi mantido aqui. Mas alguns detalhes como por exemplo o fato de Spawn ter desenterrado a palavra “Clark” da mente do Batman com sua magia renderam boas cenas, sem falar na perfeita caracterização dos personagens e a delirante postura do Homem Morcego que mesmo sem poderes não se deixa intimidar pela Cria do Inferno. Fragmentos dentro de um contexto maior, onde muito mais poderia ter sido aproveitado.

Não se enganem… o texto afiado de Miller está lá, raivoso, pronto pra chutar a cara de quem olhar torto pra ele. O Traço de McFarlane também; impecável em seu característico contorcionismo que engana nossos olhos ao retratar belas cenas de luta em posições que dificilmente poderiam ser imitadas na vida real. Sim, tudo o que faz esses dois caras serem tão amados, tão odiados e nunca ignorados está nessa revista, numa história que só poderia ter sido feita por eles. Mas repito, essa é uma história legal. E só. Vale à pena conferir… mas leia tendo em mente que o grande encontro é entre Spawn e Batman… e não Miller e McFarlane.

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2 comentários sobre “RESENHA: “Spawn e Batman” de Frank Miller e Todd McFarlane.

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