RESENHA: Constantine – Infernizando agora também as nossas tevês!

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Constantine poster

“Exorcista, Demonologista e Mestre nas Artes Ocultas”

Um breve panorama sobre a evolução do personagem nos quadrinhos, cinema e em sua nova série.

Sem Spoilers!  

constantine

Por Rodrigo Garrit

Muito se especulou sobre os rumos de série televisiva do controverso personagem desde que a mesma foi anunciada. Depois de sua polêmica passagem pelos cinemas sendo interpretado por Keanu Reeves em um filme que não considero ruim, mas que descaracteriza a essência do que fora proposto nos quadrinhos, as expectativas estavam divididas, muitos achavam que seria uma repetição do que foi feito no cinema, outros – eu incluso – acreditavam que eles não cometeriam o mesmo erro.

Keanu Reeves como Constantine, no filme de 2005.
Keanu Reeves como Constantine, no filme de 2005. O longa é divertido, mas o personagem foge de suas raízes. 

Para entender tantas controvérsias é preciso contextualizar o personagem, o que não é uma coisa muito fácil. Ou talvez seja, dependendo do ponto de vista. John Constantine foi criado por Alan Moore e Steve Bissette (que pediu ao roteirista para desenhá-lo com a cara do cantor Sting) em 1985 e surgiu como coadjuvante nas histórias do Monstro do Pântano escritas e desenhadas pela dupla, mas logo roubou a cena e não demorou para que ganhasse um título próprio – Hellblazer – uma das melhores e mais longevas revistas da Vertigo, o selo adulto da DC Comics.

John participou das histórias do Monstro do Pântano como coadjuvante antes que alguém pudesse imaginar que ele teria sua revista própria.
John participou das histórias do Monstro do Pântano como coadjuvante antes que alguém pudesse imaginar que ele teria sua revista própria.

Após anos de publicação com fases excelentes e outras nem tanto, o que é compreensível para uma revista mensal, os editores decidiram reintegrar Constantine ao universo tradicional de super-heróis da editora, cancelando seu título na linha Vertigo e colocando-o em destaque, primeiro à frente da Liga da Justiça Dark e depois com uma revista solo, onde tem tido boas histórias, ainda que com um sabor diferente de sua época em Hellblazer.

Pessoalmente, acho que as duas versões do personagem poderiam continuar sendo publicadas, cada uma em sua revista própria.

Uma das capas da revista "Hellblazer", publicado dentro da Vertigo, o selo de quadrinhos voltado para leitores adultos.
Uma das capas da revista “Hellblazer”, publicada dentro da Vertigo, o selo de quadrinhos voltado para leitores adultos.

E então veio a série de tevê. O Constantine que vemos na tela não é a versão interpretada por Keanu Reeves, para alívio dos fãs de sua versão em quadrinhos. Inclusive, a caracterização do personagem, a escolha do ator (Matt Ryan) e vários outros elementos estão muitíssimo próximos do que se via em Hellblazer. Apesar dessa aparente fidelidade, alguns conceitos são exclusivos da série e que pelo que percebo, os autores ainda estão escolhendo alguns dos rumos a seguir, trabalhando coisas que funcionam nos quadrinhos e explorando novas possibilidades para essa nova mídia onde o personagem desponta.  O que pode ser uma coisa boa, uma vez que é possível reconhecer ali o Constantine das HQs, mas ao mesmo tempo não se trata de um remake de suas histórias, muito embora os roteiristas seriam tolos se ignorassem toda a vasta e riquíssima mitologia engendrada para o personagem no decorrer dos anos, e seguir esses passos parece ser o caminho que eles aparentemente escolheram seguir segundo entrevistas de David S. Goyer, um dos criadores da série e também profundo conhecedor da versão em papel do mago.

Mais importante do que qualquer dom ou conhecimento sobre magia (tudo bem, não MAIS importante, mas também MUITO importante) é a personalidade de Constantine, que tem toda uma fachada de canalha, egoísta e aproveitador… o que ele pode ser mesmo… no entanto quando a situação complica é ele que enfia a cabeça no caldeirão escaldante do inferno pra resolver o problema. É fundamental que essa personalidade seja mantida na série, é o que faz do personagem aquilo o que ele é.

Capa da revista "Constantine", já publicada dentro da continuidade tradicional da DC Comics.
Capa da revista “Constantine”, já publicada dentro da continuidade tradicional da DC Comics.

“Exorcista, Demonologista e Mestre nas Artes Ocultas” – é o que diz no cartão de visitas de John, o que já virou motivo de piada para ele mesmo, e é um bom presságio, mostra que existe pelo menos um esforço dos roteiristas em manter o velho poço de sarcasmo vestindo um sobretudo no comando do programa. Mas obviamente, e por diversos motivos, várias exceções, várias “licenças” deverão ser tomadas nessa transposição do personagem para a tevê, o que inclui uma suposta censura sobre o fato dele fumar em cena. Não sou fã de cigarros, mas eles são uma parte do que define quem o personagem é. Apesar dessa restrição, os produtores alegaram que encontrarão uma forma de inserir esse importante elemento dentro da série. Mas o mais curioso é saber que tudo bem se você mostra assassinatos numa série de tevê, mas um homem fumando é algo inconcebível para a sociedade…

Enfim, depois de todas essas ressalvas, censuras e liberdades criativas, quem é o personagem da série? Certamente não é o que vimos no filme, mas também não é sua versão criada para orientar o Monstro do Pântano nos caminhos da magia, nem sua contraparte mais cínica do título Hellblazer ou mesmo sua versão atualmente publicada na revista Constantine, onde convive com todos os outros famosos personagens do Universo DC. A série nos apresenta um Constantine único, uma mescla de todos os que citei, algo novo… e ainda é cedo para dizer se será tão popular quanto o mago dos gibis.

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Vale ressaltar que eu sempre fui um grande fã de uma outra série, “Supernatural”, e muita embora eu goste muito dela, já identifiquei ali muitos elementos sobre os quais já havia lido na revista Hellblazer. Não digo que se trate de um plágio, mas certamente há alguma inspiração nessa batalha entre anjos, demônios e o uso da magia no fogo cruzado dessa guerra. A premissa do seriado estrelado pelos irmãos Winchester é diferente, mas existem pontos convergentes entre os dois programas. Temos a luta pela sobrevivência contra forças sobrenaturais, e personagens nada ortodoxos que transitam na tênue linha que separa os vilões dos mocinhos, fazendo o que é o certo em prol de um bem maior, mesmo que muitas vezes o certo seja fazer pactos com demônios ou tomar outras atitudes que vistas de fora seriam totalmente condenáveis.

Se em comum, essas séries tiverem a mesma “pegada”, ainda que cada uma em sua maneira distinta de enxergar as coisas, é possível que Constantine se torne também um sucesso entre os telespectadores.

O fato do roteiro usar um John Constantine facilmente reconhecível pelos fãs dos quadrinhos ajuda bastante. Não apenas os fãs de “Hellblazer”, mas também da fase atual. Resta agora que suas histórias na telinha façam jus à trajetória do mago, e que a série seja mais uma boa fonte de entretenimento e mais um acerto da DC na televisão, assim como estão sendo as outras franquias “Arrow”, “The Flash” e “Gotham”.

Se os roteiristas desenharem esse pentagrama direito… pode até ser que isso funcione.

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7 comentários sobre “RESENHA: Constantine – Infernizando agora também as nossas tevês!

  1. essa resenha do santuário ficou foda hein auhua elogiou a serie uhaua,a serie melhorou muito a partir do episodio 4 virou praticamente outra serie,engraçado que arrow e agentes da shield demoraram 1 temporada para engrenar e ninguém ficou tão em cima deles assim,sem falar que constantine dá mais audiência que agentes da shield atualmente uahua

    Curtido por 1 pessoa

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