RESENHA: “Os Invisíveis: Abocalipse” de Grant Morrison.

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Jim Crow

“Barbelith”

O Volume Dois do encadernado publicado no Brasil pela Panini.

Roteiro de Grant Morrison

Arte de Jill Thompson, Dennis Crammer, Chris Weston, John Ridgway, Steve Parkouse, Kim DeMulder e Paul Johnson.

Título original: “The Invisibles: Apocalipstick”.

Leia a resenha do primeiro volume encadernado de “Os Invisíveis”clicando aqui. 

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Por Rodrigo Garrit

Existe um mundo por trás da nossa percepção da realidade.

Sem que a maioria das pessoas percebam, fios ocultos manipulam os acontecimentos, distorcem a história e pervertem a magia. Seres de outra dimensão dominaram o mundo… e quase ninguém se deu conta disso!

Essa é a premissa da série “Os Invisíveis” de Grant Morrison. O conceito a princípio confuso vai se revelando com o tempo e a leitura desse clássico da Vertigo nos seduz a cada página, a ponto de perdoarmos o método esquizofrênico da narrativa de Morrison e nos rendermos a sua história, formarmos alianças secretas com seus personagens, praticarmos sua magia e viajarmos na fantasia engendrada pelo escocês.

Estou em transe. O Sigil foi feito. E esquecido. Invoco quatro guardiões que me circundam. “Mictlantecuhtli”. “Tezcatlipoca”. “Tlazoltéotl”. “Izpapalotl”.  Eu peço sabedoria. Magia do Caos. Discernimento. Antimagia. Clareza. Polimagia. Recompensa. Magia Escrita.

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Esse segundo volume encadernado da Panini mostra a continuidade da resistência do grupo de Invisíveis comandado por King Mob, onde contendas que já se acreditava terem sido debelas se mostram ainda uma ameaça; o relutante Jack Frost aprende sobre a extensão de suas habilidades e a importância de sua permanência na equipe é alvo de severa discussão. Forças opostas não contém o ódio e o desejo de vingança, investindo pesadamente contra o grupo, e mais nos é revelado sobre a natureza de suas intenções, embora suas origens sejam ainda nebulosas. Apenas a escuridão de suas almas fica evidente, fato narrado através de pequenos contos protagonizados por recém chegados coadjuvantes impotentes ante os caprichos da Criança da lua e também por um soldado morto nos primórdios dessa vereda. Embora fosse apenas mais um na multidão, quase um objeto decorativo, um ornamento criado com o propósito de preencher um lacuna de um contexto maior, um soldado morto entre milhares de outros guardas decorativos possuía também uma história rica, bela e plena em tragédias e alegrias. Um nuance que poderia ter passado despercebido sem influenciar os rumos da história, sem tocar nos outros personagens e sem comprometer o entendimento do atento leitor dessa epopeia. Mas jogada na luz da ribalta, alavancada para o centro dos holofotes, uma história sobre um dos soldados mortos e quase esquecidos nos capítulos anteriores se torna combustível para reflexões maiores a respeito do valor de uma vida, e o resultado de suas escolhas, ou ainda o ambiente e a experiência pessoal que nos leva a decidir por determinados caminhos.

Invisibles 13 Barbelith

Conhecemos Jim Crow, que também é a encarnação do Papa Guedhe, venerada entidade Vodu, levando seus opositores a canibalizar do próprio veneno escorpiano zumbi.  O ponto alto do encadernado é, no entanto, o conto de Lord Fanny, a bruxa brasileira, e as revelações sobre seu passado, presente e futuro contados através das etapas que foram vencidas para que ela alcançasse sua atual condição como manipuladora habilidosa das artes ocultas e sua plenitude espiritual e total consciência de sua verdadeira identidade de gênero.

Invisibles 13 Fanny

“Os Invisíveis” é o tipo de leitura que fica ressoando depois do seu término, invade os sonhos, recita novos sons em pensamento, destranca possibilidades inéditas na mente… ou pode simplesmente permanecer oculto, deixando rastros transparentes, imperceptíveis. Mas que ainda estão lá.

Mesmo que você não veja.

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2 comentários sobre “RESENHA: “Os Invisíveis: Abocalipse” de Grant Morrison.

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