Conheça RETROGÊNESE de Edgar Franco e Al Greco.

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Por Inominável Ser

Inomináveis Saudações a todos vós, Mestres e Servos do Santuário!

Para falar de Retrogênese, roteirizada por Edgar Franco e ilustrada por Al Greco, uma obra em quadrinhos poética-filosófica, é necessário filosoficamente poetizar em uma livre interpretação, fora de qualquer academicismo monótono ou racionalizante matematização categórica de seus significados. Lançado pela Editora Reverso em 2014, a obra contém ilustrações que dominam uma página inteira e são narrativas visuais por elas mesmas. Ao final, Edgar Franco fala do processo criativo da mesma, dando precisas informações sobre o que realmente é o Gênero dos Quadrinhos Poético-Filosóficos, do qual, aqui no Brasil, ele é um dos maiores representantes.

Como dito acima, a obra é de livre interpretação, não sendo algo rigidamente conceitual e preso a um padrão estilístico que possa enquadrá-la em termos minimizantes. Primando pelo Novo, é recomendável a todos os buscadores de sentidos diretos e indiretos no campo da Nona Arte. E cantar canções assim, lendo obras-primas como Retrogênese, é já uma Cósmica Viagem…

Em tudo há uma canção que gloriosamente entoa todas as maravilhas do Ser. E o toque básico e complexo, finito e infinito, profundo e além de toda profundidade, que envolve os percalços do âmago de cada Ser. Ao alvorecer de toda vida, as existenciais melodias alcançam tons que ao Ser movem na marcha evolutiva.

Do Ovo Cósmico, advém O Essencial.

No Essencial, encontra-se O Verbal.

O Ser, inicialmente, conjuga o Verbo de sua consciência nas descobertas do Novo dentro daquilo que ele julga reconhecer como sua fundamental realidade. Cada momento do iniciar da marcha é uma nota mínima e máxima do Kosmos, o Ser prontamente torna-se ouvinte Deste e de suas Outras Vozes. Estas, no entanto, não guiam a retas estradas ou a paraísos monótonos.

É preciso descer ao Abismo.

No Abismo, pode-se compreender o Macro e o Microcósmico.

O Ser encontra um igual, um Outro que é o reflexo de si mesmo, recebendo um convite para descer e aprender sobre O Todo e O Nada nas regiões mais densas da Criação. A densidade é a do espírito caminhante sobre todas as águas da Cósmica Realidade; a densidade é a da mente absorvendo as visões de todo campo da Cósmica Paragem; a densidade é a do corpo que se torna perceptível e aberto ao excêntrico toque da Cósmica Verdade.

O Cósmico Caminho, no entanto, é mais do que isso.

O Cósmico Caminho é muito mais do que nós compreendemos como um Caminho.

O Tempo/Espaço faz com que a lembrança do Apenas Início perca-se abaixo da Cósmica Areia do Cósmico Deserto. O Ontem não mais existe; O Hoje é o distante momento de maior perdição; O Amanhã é um desconhecido sem voz, sem rosto, sem nenhuma canção. Os instrumentos da Cósmica Canção estão distantes, torna-se necessário ouvir uma Nova Canção…

E O Ser ouve…

E O Ser compreende…

E O Ser explora-a…

E O Ser toca-a…

No Abismo, O Ser encontra a Cósmica Verdade, tão nítida no Início como na dimensionalidade de cada elementar perspectiva da Eternidade. A atração, a evolutiva chamada, a ânsia pela Integração, a identificação com O Eterno, O Infinito, O Expansivo Crescimento Da Cósmica Obra…

Um é A Resposta.

Um Com A Cósmica Chamada.

Um, sendo uma Grande Cósmica Canção.

Um, no Retorno ao Cósmico Berço Original.

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A obra segundo seu criador, Edgar Franco:

Retrogênese insere-se em um gênero de quadrinhos batizado por mim, Edgar Franco, de “poético-filosófico”, classificado como genuinamente brasileiro e definido pelo saudoso pesquisador Professor Dr. Elydio dos Santos Neto em seu pós-doutorado na Unesp. Este gênero é caracterizado por algumas particularidades, a primeira delas é o uso de um texto mais vinculado à poesia do que à prosa, a segunda é o fato de incluírem argumentos com intenção filosófica deliberada, e a terceira o forte experimentalismo de linguagem. Os quadrinistas poético-filosóficos costumam assumir as HQs como uma forma de arte com possibilidades ilimitadas, distanciando-se do conceito desgastado de que os quadrinhos são uma forma vazia de entretenimento de massa. Seus trabalhos são voltados para um público que encare as HQs não só como divertimento inócuo, mas como fonte de reflexão e deleite estético. Quando surgiu a oportunidade de efetivar uma parceria com quadrinista mineiro Al Greco, pensei que ele seria o artista ideal para desenvolver Retrogênese. O clima onírico e telúrico da relação do personagem central com seu planeta foi captado com maestria pelo artista. A opção desafiadora de não utilizar requadros já foi tomada no capítulo inicial e eles são abolidos em detrimento de uma fusão dinâmica das cenas numa única imagem por página. Em Retrogênese parto de alguns conceitos recorrentes em minha obra como a noção de solitude cósmica, a harmonia do selvagem com a natureza, a plenitude do conhecimento inata ao ser, e finalmente as relações interpessoais – que geram rancor, dúvida, ódio, morte, guerras, dor, sofrimento, mas também amor, doçura e compaixão. Desses conceitos surgiu o argumento geral sobre um ser solitário que nasce em um planeta distante e vive feliz e em completa harmonia com a natureza. Sua plenitude é quebrada quando ele se depara com outro ser, surgindo em seu âmago sentimentos antes inconcebíveis como solidão, sofrimento, confusão e dor – faço alusão direta ao surgimento do ego no ser, e com ele nascem também todos os desejos e ansiedades. Quanto aos demais detalhes e simbologias do texto, eles foram surgindo intuitivamente durante o momento em que eu escrevia o roteiro. Ao elaborar a arte, Al Greco seguiu o mesmo processo de criação, partindo de uma base e permitindo que sua intuição atuasse criando inúmeros novos detalhes. O álbum inclui, além da HQ completa, o meu roteiro original, um manuscrito que incluiu alguns apontamentos desenhados.

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SOBRE OS AUTORES

Edgar Franco é Ciberpajé, artista transmídia, quadrinhista premiado com o troféu Bigorna 2009, pós-doutor em Arte e Tecnociência pela UnB, doutor em Artes pela USP, mestre em multimeios pela UNICAMP, professor do programa de doutorado em Arte e Cultura Visual da UFG. Autor dos livros HQtrônicas: Do Suporte Papel à Rede Internet (Annablume/Fapesp, 2008) e Histórias em Quadrinhos e Arquitetura (Marca de Fantasia, 2012), seu álbum BioCyberDrama Saga – parceria com Mozart Couto (Editora UFG) – foi indicado ao Troféu HQMIX 2014 de melhor edição especial nacional. E-mail: oidicius@gmail.com

Al Greco é arquiteto e urbanista pela UFU, tatuador e quadrinista que colaborou com várias publicações independentes na segunda metade da década de 1990.

Serviço:

Retrogênese

Roteiro: Edgar Franco – Desenhos: Al Greco Editora Reverso / Novembro de 2014 / 36 páginas / Formato 21×28 cm Papel couchê 115mg / P/B / Capa em alta gramatura.

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Criador e criatura: Edgar Franco e sua obra!
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