RESENHA: “Batman ´66” de Jeff Parker

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11016597_10205830950554638_1517027281_n“Batman, que sorte te encontrar! Pode nos mostrar aquela dança que ouvimos falar?”.

Resenha do encadernado “Batman´66”  publicado no Brasil pela Panini.

Roteiro de Jeff Parker, arte de Jonathan Case, Ty Templeton, Joe Quinones e Sandy Jarrel. Arte das capas de Mike Allred.

BATMAN-66

Por Rodrigo Garrit

As vezes o passado retorna para nos lembrar que os bons e velhos tempos não precisam necessariamente ter acabado…

serie_kapowO milionário Bruce Wayne e seu protegido, o jovem Dick Grayson são duas das maiores personalidades da cidade de Gotham, envolvidos em diversos eventos beneficentes e sempre dispostos a ajudar… além de secretamente usarem suas habilidades de combatentes do crime como Batman e Robin, os bastiões da justiça, os intrépidos cruzados da luta contra o crime, símbolos de esperança mundialmente reconhecidos, prontos para salvar a cidade de ameaças de uma extensa galeria de vilões como o enigmático Charada, o traiçoeiro Pinguim, a sedutora Mulher-Gato, o mortífero Senhor Frio, a insidiosa Sereia, o estapafúrdio Cabeça-de-Ovo e os engenhosos Rei Relógio e Chapeleiro Louco além de é claro o príncipe palhaço do crime e seu mais temível nêmeses, o Coringa. Com a ajuda de aliados como o comissário Gordon, o chefe O´Hara, o fiel mordomo Alfred e a prodigiosa Batgirl, eles derrotam o mal a tempo de tomar o chá na companhia da tia Harriet!

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serie_boff (1)Batman ´66 dispensa apresentações, pois poucas pessoas na face da Terra não reconhecem a referência ao seriado televisivo dos anos 60 de enorme sucesso protagonizado pelo Homem-Morcego, que fez do personagem um ícone reconhecido não mais apenas pelos fãs de quadrinhos mas pelo grande público em geral. Essa HQ é uma óbvia homenagem a esse Batman, ambientado em um cenário ingênuo, onde os problemas eram resolvidos de forma mais pacífica e os vilões eram megalomaníacos quase inofensivos em busca de fama e atenção, talvez mais do que dinheiro e poder, e as pessoas nunca se machucavam, não haviam agressões físicas graves e a violência se resumia a alguns socos e pontapés seguidos de enormes onomatopeias ou então gases coloridos que provocavam sono, hipnose ou ataques de risos… tampouco víamos algum assassinato ao atentado violento contra a vida. É a caricatura de um mundo lúdico, onde o bem e o mal estão claramente delineados, um mundo de cores fortes, diálogos amenos e a certeza da vitória dos mocinhos ao final de cada história. É uma HQ mais do que nostálgica, divertida e inusitada ao mostrar um Batman tão diferente do que estamos acostumados, mas ao mesmo tempo tão genuíno em sua essência. Quase é possível ouvir a voz dos personagens da série ao percorrer essas páginas, bem como os característicos efeitos sonoros nas lutas de Batman e Robin contra os capangas dos seus inimigos.

imagesA caracterização não só dos personagens mas de todo o ambiente no gibi é certeira, remetendo-nos ao clima do antigo seriado. O interessante é notar como as histórias, apesar de manter o exato clima do programa de tevê, promovem algumas cenas bem mais elaboradas, aproveitando-se dos recursos ilimitados das histórias em quadrinhos; vemos um iceberg gigante flutuando na baia de Gotham, enormes chapéus voadores e acrobacias aéreas do Homem-Morcego, numa espetacular sequencia de ação que não deixa nada a dever a qualquer outra versão do Batman; sem falar de sua viagem à Inglaterra e a participação pequena, porém emblemática dos Beatles em um dos quadrinhos!

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22024Apesar de respeitar os conceitos da série de tevê, foi interessante notar também algumas “atualizações” por assim dizer, como a inclusão da Dra. Harleen Quinzel e o Capuz Vermelho original, por exemplo. Pequenos detalhes que enriquecem muitíssimo a história e fazem a felicidade dos fãs tanto do seriado quanto dos quadrinhos.

Em tempos em que se ouve dos grandes editores da DC Comics frases como “As histórias são mais importantes que a cronologia”, é ótimo ver essa afirmação sendo colocada em prática, muito embora os fãs de quadrinhos amem a continuidade, investir nesse segmento alternativo estimula muito a criatividade dos autores, concedendo a eles mais liberdade e consequentemente mais qualidade em seu trabalho. Em um âmbito maior, o que temos é o crescimento da indústria dos quadrinhos, abrindo-se para várias novas possibilidades e permitindo que mais pessoas vindas de experiências distintas venham a apreciar o hábito da leitura de uma boa história. Essa inovação, essa coragem de sair da zona de conforto e seguir por caminhos opostos ao lugar comum me parece ser a resposta certa para a pergunta que alguns vêm se fazendo nesses tempos de crise no mercado editorial: “Os quadrinhos estariam com os dias contados?

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A arte das capas de Mike Allred são um show à parte, e merecem alguns momentos a mais de apreciação. Batman ´66 é a prova de que o que é bom não se perde no passado, e sempre terá lugar garantido na imaginação das gerações passadas e futuras…

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BATMAN DANCE!

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