RESENHA: “Saga” de Brian K. Vaughan e Fiona Staples

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11015729_768509949868773_326674678_n “Vem vindo magia por aí”.

Resenha do encadernado da Image Comics publicado no Brasil pela Devir.

Roteiro de Brian K. Vaughan. Arte de Fiona Staples.

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Por Rodrigo Garrit

Eles são o Romeu e Julieta galácticos e o Tristão e Isolda cósmicos.

Essa é a Saga de Brian K. Vaughan, que nos mergulha em um mundo de referências pertinentes e atuais, e esfrega a hipocrisia da sociedade na nossa cara.

Sempre é bom que de tempos em tempos alguém faça isso.

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Marko, oriundo da lua de Grinalda, é um soldado que jurou abandonar a violência e é um hábil praticante de magia.

Alana, nascida no planeta Aterro orbitado pela lua Grinalda, é uma temperamental e habilidosa guerreira. Teve suas asas aparadas quando bebê como dita o costume de seu povo.

Duas almas de raças e lados diferentes que se apaixonam e decidem abandonar as fileiras da batalha para viver esse grande amor, abençoado com a chegada da sua primeira filha.

Mas eles despertaram a ira de ambos os lados da contenda e terão de lidar com toda essa fúria e preconceito se quiserem ser deixados em paz.

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Com influências de Star Wars e Flash Gordon, a ópera espacial “Saga” é uma fábula sobre o nosso mundo disfarçada de fantasia espacial. Há tanta simbologia ali que é difícil listar. O povo de Alana é uma raça que possui asas. Já o de Markus, têm chifres. Referência religiosa mais óbvia não poderia ter, mas de óbvio o roteiro não tem nada. A história é dinâmica, envolvente e rapidamente criamos laços com os personagens. Os diálogos são espetaculares, sempre fazendo paralelo com situações comuns ao nosso dia a dia, como na comparação de um celular fora de sinal por exemplo, embora inserido no contexto lúdico imaginado pelo autor. A linguagem coloquial e as motivações dos personagens contribuem em muito para a identificação deles com o leitor. As suas motivações não são complexas, Marko e Alana querem apenas viver suas vidas, longe das imposições  politicas, sociais e culturais de seus povos.

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Até mesmo os vilões da história, muitíssimo bem construídos, nos cativam ao mostrar que apesar de suas ações monstruosas também possuem um lado frágil, sentem compaixão e agem na expectativa de serem aceitos ou provar o seu valor. Brian K. Vaughan utiliza habilmente seu já conhecido talento narrativo para reafirmar firmemente seu posicionamento social e por que não dizer politico, além de protestar contra velhos conceitos. Embora seja uma história sobre alienígenas numa guerra espacial repleta de mágica, a relevância dos temas para o nosso mundo não poderia ser maior. Enquanto nos entretém com sua deliciosa história, aproveita para tocar em temas que vão desde o questionamento moral de uma guerra e os efeitos dela na população civil, passando por envolvimentos românticos inter-raciais, governos ditatoriais, exploração sexual de menores e amarrando a tudo isso a esperança da integração ente os povos e o direito de amar quem se queira, independente do quanto se diga o quanto isso é errado.

A arte de Fiona Staples é simples, tendo como “simples” a sua mais magnífica forma de expressão. Seus traços são capazes de delinear todo esse insano universo imaginado por Vaughan, ao mesmo tempo em que concede paixão e sentimento aos personagens.

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O primeiro volume da obra foi publicado no Brasil pela Devir em um encadernado luxuoso de capa dura, tamanho diferenciado e papel de qualidade ao preço de R$ 59,90. (Originalmente ela foi lançada como série mensal nos EUA pela Image Comics, onde a série venceu inúmeros prêmios: Seis Eisner Awards, cinco Harvey Awards e o British Fantasy Award).

Apesar da ótima edição brasileira, senti falta de um texto introdutório e mais alguns “extras”, como a Panini costuma fazer. A história termina de forma um tanto abrupta e poderia haver alguma indicação de onde e quando a continuação será publicada. Na verdade a aflição maior é a de que ela seja abandonada, pois não há nenhuma promessa ou comprometimento da editora brasileira em dar sequência a saga.

Quem leu outras criações do roteirista de “Ex-Machina”, “Y, o último Homem” e outras, já está ciente da qualidade do seu trabalho e “Saga” não deixa nada a dever a suas grandes obras pregressas, mantendo o alto nível das histórias que conta, com ótimos diálogos e trama extremamente bem amarrada.

Saga é leitura obrigatória, não importa se você tem chifres, asas, ambos ou nenhum. Ela foi feita para nos apontar o dedo e mostrar o melhor e o pior de nós.

E nos fazer pensar sobre o tímido limite que existe entre isso.

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4 comentários sobre “RESENHA: “Saga” de Brian K. Vaughan e Fiona Staples

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