RESENHA: “John Constantine Hellblazer: Triângulos infernais” de Jamie Delano e Rick Veitch

_0016_O-Sonhar

 11006129_10205852288688078_337219047_nDeus é justo. E a justiça é cruel”.

Resenha do encadernado publicado no Brasil pela Panini.

Roteiro de Jamie Delano e Rick Veitch, desenhos de Brett Ewins, Jim McCarthy, John Ridgway, Rick Veitch, Richard Piers Rayner e Tom Mandrake. Arte-final de Alfredo Alcala e Mark Buckingham.

Hellblazer_Origens_2_1aCapa

Por Rodrigo Garrit

John Constantine está em guerra com dois grupos de horroristas que por conseguinte estão em guerra entre si. O Exército da Danação e os Cruzados da Ressureição, sem falar na facção dissidente dos Línguas de Fogo, que por sinal também estão em guerra com o Verde e talvez com todos os que seja possível guerrear.

Skele-Zed

A amiga e ou amante de John, Zed Martin, foi sequestrada pelos Línguas de Fogo, liderados pelo pai dela a fim de usá-la numa antiga profecia que pode desestabilizar as forças do inferno mas como consequência desequilibrar a balança dessa guerra milenar entre eles e o Paraíso. John então pede ajuda ao seu amigo Richie Simpson, outro mago talentoso que descobriu uma forma de se conectar ao mundo virtual utilizando seu corpo astral, usando magia quântica que mistura traços de rituais com códigos de programação. Uma ótima maneira de obter informação, mas também repleta de perigos e em se tratando de perigos, nada tem sido mais mortífero do que ser amigo de John Constantine…

Ritchie-in-the-System

John tem seus próprios planos para atrapalhar os planos tanto do Exército da Danação quanto de seus rivais, os Cruzados da Ressureição e os dissidentes do Línguas de Fogo, mas o Monstro do Pântano também tem planos pra John, o que irá acarretar uma série de eventos que terão consequências irremediáveis para todos os envolvidos.

Esse encadernado inclui as edições 7 a 10 de Hellblazer e os números 76 e 77 de Swamp Thing (Monstro do Pântano), promovendo o reencontro do mago com o elemental do Verde. O roteiro é co-assinado por Jamie Delano de Hellblazer e Rick Veitch, o então escritor do Monstro do Pântano. Veitch é um roteirista/desenhista talentoso que assumiu com propriedade o título da criatura dos pântanos, aceitando o difícil desafio de superar a comparação com seu antecessor, Alan Moore, cuja passagem na revista revolucionou o personagem, gerou John Constantine e possivelmente sedimentou as bases da criação do selo adulto Vertigo.

Analisando como um todo esse encadernado é inferior ao primeiro volume, mas nem por isso desprezível. O fato da história precisar ter se ramificado nos títulos dos dois personagens exigiu uma certa adaptação dos autores, e embora Delano afirme na introdução do encadernado que considerou fácil trabalhar com Veitch pelas suas afinidades de ideias, em alguns pontos ficam nítidos os pontos de ruptura na história, que se dispersa e demora um pouco para voltar aos trilhos. Não é algo que incomode a ponto de nos fazer perder o interesse pela leitura, mas vemos que o encontro dos dois, embora fosse algo esperado pelos leitores, serviu como uma espécie de pausa para o que realmente os autores iriam concretizar em edições futuras. Entretanto, coisas muito significativas ocorreram, sendo a principal delas, a concepção da filha do Monstro do Pântano, que consumou o ato com sua amada Abgail possuindo o corpo de Constantine. Essa violação do corpo do mago com a finalidade de ter relações sexuais com sua amada mostra que Alec Holland, o Monstro do Pântano já não é tão ingênuo e inseguro como na época em que Constantine cruzou o país com ensinando-o a usar seus dons (obviamente pensando no que teria em troca) e coloca Holland no jogo como peça importante na batalha que acontece nos bastidores. O “triângulo” formado por Constantine, Holland e Abigail mais do que justifica o título do encadernado e também da HQ do Monstro onde Veitch brinca inserindo diversos triângulos na maioria dos quadros da história, sendo seu ponto alto a página dupla onde Abgail dança com Constantine (o próprio, e não a versão possuída por Alec), formando um painel repleto de formas geométricas.

Outro ponto importantíssimo desse encadernado é a aparição do demônio Nergal e o pacto firmado entre ele e Constantine, que desse momento em diante passaria a ter seu sangue infernal correndo nas veias, além da insinuação de Nergal sobre um acontecimento pregresso entre eles ao qual Constantine não tem conhecimento, mas envolve a participação de Nergal no exorcismo feito em Newcastle que mudou drasticamente a vida do mago.

Blood-Transfusion

Vários artistas se reuniram desta vez a Delano e Veitch, sempre mantendo o clima sombrio impresso desde o começo da série. O encadernado abre com a história “Fantasmas na máquina” (Hellblazer 7) com desenhos de Brett Ewins com Jim McCarthy com um traço realista e mais limpo, ótimo para retratar as cenas de Ritchie transitando pelo espaço “virtual”.  John Ridgway, artista do volume anterior também contribui com a arte dessa história se mantém dentro do seu padrão, tornando Constantine reconhecível como o mesmo trambiqueiro que estamos habituados. Ele também desenha as histórias “Tratamento Intensivo” (Hellblazer 8) e “Jogado no inferno”(Hellblazer 9) . Rick Veitch escreve e desenha a história “L´adoration de La Terre” (Monstro do Pântano 76) com seu estilo já reconhecido desde que apenas desenhava as HQs do Monstro ainda quando roteirizadas por Alan Moore. “Sexo e morte” foi desenhada por Richard Piers Rayner com arte-final de Mark Buckingham (todas as outras histórias do volume foram arte-finalizadas pelo traço marcante de Alfredo Alcala). A arte da dupla Rayner/Buckingham foi a mais destoante da edição, mas serviu para reforçar a estranheza de termos uma HQ em que Constantine passa a maior parte do tempo fora do seu corpo físico. Por fim, Tom Mandrake desenha “Triângulos Infernais” (Monstro do Pântano 77), roteirizada por Jamie Delano e não pelo seu escritor regular, Rick Veitch. Veterano, Mandrake nos faz sentir em casa com seu estilo clássico e eficiente. Delano acerta algumas das pontas soltas entre Constantine, Abgail e Alec, deixando o caminho aberto para continuar a história que ele supostamente “pausou” ao promover o encontro entre os personagens.

O clima tenso de terror e magia negra deu uma pequena trégua e deu lugar aos movimentos dos inimigos e, no caso do Monstro do Pântano, dos amigos de Constantine para as próximas cartadas. Mas isso não significa que o terror e a magia negra foram totalmente deixados de lado, sendo ainda possível assistir algumas sequencias perturbadoras e fatais para pessoas muito próximas do mago. Todo o cenário está montado para a guerra entre o céu, o inferno e o que existe no meio.

Só resta saber quem vai queimar.

Wrecking-Ball

Clique e leia a resenha de “John Constantine Hellblazer: Pecados Originais”

Anúncios

3 comentários sobre “RESENHA: “John Constantine Hellblazer: Triângulos infernais” de Jamie Delano e Rick Veitch

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s