RESENHA: “Os Invisíveis: Entropy in the U.K.” de Grant Morrison.

_0016_O-Sonhar

“É s-só o…h11039506_10205939720193811_1851239264_nnnn…o personagem… do meu… KURRF… do meu livro… eu… hnnnh… não me… não me meto com política… cês se enganaram…”

Terceiro volume encadernado publicado no Brasil pela Panini.

Roteiro de Grant Morrison

Desenhos de Phil Jimenez, Tommy Lee Edwards, Paul Johnson, Steve Yeowell e Mark Buckingham. Arte-final de John Strokes, Tommy Lee Edwards, Paul Johnson, Dick Giordano e Mark Pennington.

Clique para ler as resenhas do PRIMEIRO e SEGUNDO volumes.

Os_Invisiveis_3

Por Rodrigo Garrit

Pense fora da caixinha.

Tenha convicção e lute pelo que acredita, nunca aceite a verdade ditada aos quatro ventos, pense que para tudo existem milhares de outras alternativas. Não se sujeite a realidade, seja você aquele que constrói cada tijolo e veste cada escama da criação.

Não existem verdades. Apenas possibilidades.

44

Quem são os Invisíveis?

King Mob. Ragged Robin. Lord Fanny. Jim Crow. Boy. Jack Frost.

Um grupo de rebeldes que despertaram a atenção sobre a ameaça interdimensional que almeja substituir nossa realidade por uma ilusão de liberdade enquanto agrega nosso mundo a sua vasta coleção de escravos…

Uma célula de agentes formada por magos, cientistas e artistas marciais entre outros, recrutados por soldados mais experientes para essa guerra e capacitados para enfrentar a ação dos Arcondes, seres extraterrestres que querem nos conquistar sem que nós nem mesmo possamos perceber…

Assim como nos filmes da trilogia “Matrix”, uma equipe formada por guerrilheiros que conseguiram perceber a manipulação da realidade à sua volta e luta para devolver o mundo aos seus verdadeiros donos… (Mas eles surgiram antes dos filmes)…

APR140299

Enfim, é difícil explicar em poucas palavras quem são os Invisíveis, fruto da mente psicodélica de Grant Morrison, porém, apesar dessa premissa complexa e supostamente confusa, é difícil também não se afeiçoar a história elaborada pelo escritor escocês, bem como não se apegar aos personagens e suas desventuras oníricas, repletas da magia que segundo o próprio Morrison, ele mesmo pratica, mesclada a muita ficção científica, crítica social e incontáveis referências a História, cultura pop e a mitologias pouco conhecidas do grande público.

King Mob foi capturado e torturado na tentativa de que revelasse seus segredos, mas devassar suas lembranças se mostra uma tarefa muito mais árdua do que se poderia imaginar, mesmo para um experiente telepata a serviço dos Arcondes, que se depara com sua outra persona, o agente secreto Gideon Stargrave vivendo a mil por hora suas alucinantes aventuras nos anos setenta.

Ficamos sabendo um pouco mais sobre o treinamento dele, King Mob, não Gideon… espera, eles são a mesma pessoa, desculpem. Lord Fanny precisa se recuperar de uma tremenda ressaca e um encontro desastroso com um agente inimigo para conjurar um feitiço que possa salvar seu colega e a própria pele. E eles devem estar fazendo a coisa certa porque pela primeira vez um Arconde se mostrou e interferiu nos rumos da batalha.

4404825-22

Também nos é revelado a “origem secreta”, ou “passado traumático” (como preferirem) de Boy, a garota de quem você não gostaria de levar um chute na cara. (Não que você gostasse de levar um chute na cara de quem quer que fosse).

O grupo trabalha unido contra seus opositores, dispondo de seus poderes e habilidades para resistir a ditadura que veio do espaço… suas emocionantes aventuras rendem grandes momentos, nos mostrando o quanto a equipe pode finalmente parecer um grupo de super-heróis mesmo não sendo super-heróis; o quanto essas pessoas que obviamente são reais e acreditam nisso com toda a convicção de suas almas podem de repente por um capricho do destino parecer personagens fictícios numa história em quadrinhos…

1089007-jim_ragged_robin

Em meio a idas e vindas, Jack Frost começa a passar por um processo relâmpago de amadurecimento (ou não tão relâmpago considerando os recentes traumas, o qual destaco com imenso frio na espinha a amputação de um pedaço do seu dedo no encadernado anterior… ui!). O garoto parece estar agora no caminho certo para se tornar o escolhido, o messias que guiará a humanidade ao seu apogeu de liberdade e se der sorte não morrer no final como o Neo. (Repito: Os Invisíveis é anterior a Matrix!).

No fim da história o passado vem dar um “alô”, e conhecemos as ações de Invisíveis ocorridas anos antes que de alguma forma ainda influenciam os eventos de hoje e consequentemente os que ainda estão por vir.

4404826-23

Grant Morrison sempre curtiu uma metalinguagem, mas com Os Invisíveis ele passou de todos os limites! Nós somos reais ou apenas estamos presos dentro de um sonho que acreditamos ser real? Nós lemos esse gibi ou ele nos lê e de alguma forma se alimenta de nós, nos rouba de nossa atenção sua energia para continuar existindo? Os filmes da trilogia Matrix são uma forma dos Arcondes ocultarem ainda mais sua influência sobre a humanidade?

O encadernado apresenta uma reviravolta não apenas no conceito da história, mas uma brusca mudança visual, afinal, o ingresso de Phil Jimenez alterou drasticamente o tom da história onde conhecemos Gideon Stargrave, sem desmerecer o tom sombrio e propositalmente desarrumado das HQs anteriores, mas reinventando a forma de se contar essa história, nos dando literalmente outra visão dos personagens e seu mundo.

Outros artistas também foram pontuais ao ilustrar algumas histórias: Tommy Lee Edwards ao contar a iniciação da jovem oficial de polícia que viria a ser conhecida como Boy, e Mark Buckinghan em seu mergulho ao passado com os antigos Invisíveis.

A edição foi ilustrada por vários artistas, e apesar de eu destacar apenas esses nomes não posso deixar de mencionar que os outros desenhistas e arte-finalistas que compõem esse volume deram conta do recado e mantiveram o bom nível de qualidade esperado.

Agora só resta saber quem vai acordar, quem vai dormir e quem vai desejar dormir. Se é que será possível ter a chance de fazer essa escolha. Mas olhando hoje à nossa volta, será que realmente sabemos responder quem está desperto?

Quem de fato sabe a diferença?

invisibles-phil-jimenez

Anúncios

2 comentários sobre “RESENHA: “Os Invisíveis: Entropy in the U.K.” de Grant Morrison.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s