Os Novos Titãs de Will Pfeifer #3 – O segredo é aprender a amar os defeitos

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por Venerável Victor  “tratador de macacos novos” Vaughan

10961694_766104870109281_621889721_nCom tantos títulos da DC Comics sendo cancelados e também o histórico terrível de enredos e cancelamentos que esse título teve nos últimos vinte anos, não é de se surpreender que ele acabe um tanto esquecido entre tantos outros lançamentos para o público adolescentes da editora nos últimos tempos, como Academia Gotham, Mansão Arkham e Batgirl.

Mas “Novos Titãs” de Will Pfeifer é um bom título, possivelmente o melhor desde a fase de Geoff Johns a frente dos heróis. O autor consegue equilibrar diversão e acessibilidade à trama para novos leitores com uma regular narrativa e um respeito ao que escritores anteriores já fizeram pela equipe – não necessariamente incluindo Scott Lobdell.

A força condutora dessa revista definitivamente são os personagens escolhidos – como deveria ser – ao contrário de títulos de super equipes como a Liga da Justiça ou Os Vingadores, os membros dos Novos Titãs não possuem seus próprios títulos solo, portanto dever-se-ia ter sim mais trabalho de caracterização de cada integrante.

Ao invés de simplesmente fazer com que esses personagens apareçam aqui e ali trocando socos com algum “cara mau”, Pfeifer escolhe usar esses momentos para pontuar a ação entre o que realmente importa: a relação de cada um dos integrantes entre si e com suas vidas pessoais. E é nesse ponto que a revista é mais forte que qualquer outra tentativa feita depois da fase “Wolfman & Perez”.

Um perfeito exemplo nessa terceira edição é a cena onde Ravena visita um clube noturno. Ela vai ao show de bandas para curtir um pouco da cultura e cenário gótico/punk e lá encontra dezenas de fãs que a amam. Lógico! Batman não é nem um pouco acessível aos fãs por motivos lógicos e o Super-Homem é um ídolo certinho demais para esses adolescentes.

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É nessa sequência que os leitores podem acompanhar a Ravena interagindo com as pessoas normais, esse não é exatamente um “grande momento dos quadrinhos”, não se pode esperar em cada edição de uma revista, um “grande momento dos quadrinhos” impresso ali, mas é um importante momento para a personagem!

Outra boa sequência nessa edição é a que o Mutano e Bunker estão dando uma volta pelas redondezas à noite e se deparam com um ladrão que os tenta roubar. Esse foi um grande erro de percepção do criminoso? Sim foi, mas a cena não diz respeito a enfrentar uma grande ameaça – que ali é inexistente – mas sim de termos bons diálogos e situações com esses personagens que amamos.

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Justamente por causa desses momentos tão singulares e delicados que se torna uma pena quando o grupo é obrigado a se unir para enfrentar alguma ameaça maior. O espetáculo final é bom, apesar de que o Kenneth Rocafort não é tão bom para esse tipo de ação, seus layouts muitas vezes são estáticos.

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Não é que eles sejam ruins – o momento que o artista mostra o vilão sendo derrotado pela equipe é o ponto alto de seu trabalho nesse mês – mas cá entre nós, a dinâmica entre os heróis é infinitamente mais interessante nessa nova fase.

Novos Titãs #3 está longe de ser perfeito, mas é um título que finalmente trata os heróis jovens de forma decente após o reboot. Apesar de haverem falhas no enredo, há muita emoção e cuidado com o tratamento dado aos protagonistas. Eles demonstram claramente o prazer de estarem juntos, apesar de suas imperfeições…

Não fazemos o mesmo com quem amamos no nosso dia a dia?

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Resenhas da edições anteriores aqui!

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Um comentário sobre “Os Novos Titãs de Will Pfeifer #3 – O segredo é aprender a amar os defeitos

  1. Eu amo demais dos Titãs, são provavelmente a minha equipe de super-heróis preferida de todos os tempos, e nunca deixei de acompanhar suas aventuras mesmo quando a qualidade das histórias não era tão boa, e nem estou falando das mudanças ocorridas nos Novos 52, minha crítica se estende a todas as Eras e gerações pelas quais os Titãs passaram. No entanto, apesar de fases fracas, as boas histórias do grupo não foram apenas boas histórias foram marcos nos quadrinhos dos Super-heróis e ficarão gravadas para sempre. No entanto, não é possível viver apenas idolatrando o passado, é preciso esperar que novas histórias divisoras de águas venham. Os quadrinhos já passaram por todo o tipo de crise (literalmente) e sobreviveram. No caso dos Titãs, sejam na fase clássica, intermediária ou atual; a Justiça Jovem ou os Jovens Titãs do desenho animado, o que importa sabermos que adolescentes com superpoderes dos anos sessenta ou em 2015 ainda podem nos inspirar a ser titânicos!

    A recente fase abrangida pela deliciosa resenha do Victor é atualmente publicada no Brasil dentro da revista Liga da Justiça da Panini e tem sido muito bom acompanhar; não como nos velhos tempos, mas como os novos e promissores tempos!

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