RESENHA: Homem-Aranha 2099 – Início! De Peter David e Rick Leonardi.

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11081732_10206098186995382_552147014_n“Arriscando o pescoço só pra ajudar as pessoas. Sem aliados. Sem armas. Só coragem, força, uns poderes esquisitos… e a bundinha mais durinha que eu já vi.”

Encadernado publicado no Brasil pela Panini.

Roteiro de Peter David.

Desenhos de Rick Leonardi e Kelley Jones.

Arte-final de Al Williamson e Mark McKenna.

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Por Rodrigo Garrit

A história de um reacionário que se tornou um revolucionário.

Um governo absurdamente corrupto onde o controle dos cidadãos é levado ao extremo, com câmeras de vigilância observando e denunciando cada passo das pessoas, conforme previu George Orwell no clássico “1984”, remontando o conceito de um grande olho que a tudo vigia, um gigantesco “Big Brother” que ao contrário do Reality Show que inspirou, não serve a propósitos de entretenimento mas da privação da liberdade individual. É dessa fonte que bebe Peter David ao dar vida ao seu herói aracnídeo do futuro.

O ano é 2099. E o Olho Público está alerta.

Para se levantar contra essa força opressora, era preciso que surgisse um herói do povo, alguém que tivesse coragem – e poder –  para enfrentar os ditadores. Muitos dirigiram suas orações para Thor e seus compatriotas asgardianos. Mas foi o Homem-Aranha quem lhes respondeu.

Mais ou menos.

Miguel O´Hara era parte desse sistema corrupto, um cientista da Alchemax, uma empresa inescrupulosa que atua em diversas áreas sempre visando apenas o próprio benefício.  Miguel era o encarregado de uma pesquisa envolvendo mutações, onde os resultados se mostraram nada menos do que desastrosos. Porém, numa tentativa contra sua vida, ele mesmo foi exposto a uma experiência fora de controle que ao invés de mata-lo o fez passar por uma transformação que o concedeu poderes similares ao famigerado Homem-Aranha do passado!

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Antigas histórias sobre o futuro.

Em 1992 a Marvel acelerou seu calendário para 2099 numa aposta arriscada de criar versões futuristas de alguns de seus personagens. Mas o risco foi atenuado e posteriormente extinto pela escolha de colocar Peter David nos roteiros desse novo aracnídeo. A qualidade de suas histórias nos faz sentir-nos em casa desde o primeiro número, apesar de todo o ambiente alterado drasticamente. Não houve rejeição a Miguel O´Hara como detentor do nome do Cabeça de Teia apesar de (ou graças a) suas radicais diferenças e flagrantes similaridades com Peter Parker.

Rick Leonardi conseguiu conceder todo aquele ar de familiaridade e desenha um Homem-Aranha reconhecível aos fãs mesmo em sua versão futurista. O primeiro arco de histórias também trás um número desenhado por Kelley Jones, de quem muitos se lembram por sua passagem pelo Batman, com uma arte que no mínimo me fez pensar em como seria interessante voltar a ler uma HQ mensalmente desenhada por ele.

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Esse encadernado da Panini é bem organizado, com texto introdutório situando o leitor ao contexto das histórias com que vai se deparar e também trás a arte das capas originais e alguns pinups no fim da edição onde vemos o Homem-Aranha sendo o Homem-Aranha! No mais, o que temos é um personagem muitíssimo bem construído, cheio de dúvidas e defeitos, repleto de falhas de caráter, egoísmo e atitudes condenáveis; mas que de repente se vê transformado em algo que ele não pediu para ser ao passar a ser perseguido pela companhia maligna na qual trabalhava (e compactuava), caindo numa jornada de descoberta ao enxergar o outro lado da questão, ao compreender o ponto de vista dos oprimidos através dos olhos do Homem-Aranha que inadvertidamente se torna um herói para o povo e uma espécie de persona onde Miguel pode colocar em prática um pouco do altruísmo que foi tirado dele ao longo dos anos.

Ao longo da história, Peter David nos apresenta a família de Miguel, e nos conta sobre seu passado, nos fazendo entender melhor quem ele é e como chegou a ser; o personagem que atualmente figura com quase tanta popularidade quanto a do Homem-Aranha original. Eu diria que essa é quase a história de um “vilão” que usa uma máscara para esconder seu rosto da vergonha de seus atos, e tem então a chance de se redimir.  E como uma espécie de legado involuntário, ele é apresentado ao conceito de que com grandes poderes vem grandes responsabilidades.

É o imperdível início da carreira desse mais que expressivo ícone do Universo Marvel, numa leitura obrigatória para todos os fãs do Cabeça de Teia dos dias de hoje até 2099…

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7 comentários sobre “RESENHA: Homem-Aranha 2099 – Início! De Peter David e Rick Leonardi.

  1. Cara, era fã do HA 2099 e dos X-men 😀 ainda quero estas duas coleções completas. Peguei esta edição aqui também e foi uma pena a panini não ter continuado:p Ia ser legal ter ela completa em formato americano 😀

    Curtido por 1 pessoa

  2. É uma pena que a Panini não tenha dado continuidade a estas histórias do Homem-Aranha. Na época do lançamento desta revista, lembro que também foram publicadas as primeiras histórias do Aranha Ultimate, a morte de Jean Dewolff e Tormento, todas com o mesmo estilo de capa: o aracnídeo em primeiro plano sob um fundo preto. Eram HQs com preço em conta e que cumpriam a promessa de ser uma porta de entrada para novos e velhos fãs do Aranha. No mais, fiquei alucinado quando li estas histórias que deixam aquele gostinho de “quero mais” em um tempo em que mega sagas, retcons e universos se colidindo parecem ser a tônica das HQs de super-herói.

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