RESENHA: “I, Zombie: Morri pro Mundo” de Chris Roberson e Mike Allred.

_0016_O-Sonhar

Img de Capa“Só que tem gente que não sabe a hora de cair fora”.

Roteiro de Chris Roberson.

Arte de Mike Allred. Cores de Laura Allred.

izombie-capa

Por Rodrigo Garrit

“Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que sonha a nossa vã filosofia”, mas também não vamos exagerar, não é poeta? Não é??

Quando se trata de imaginação, não existem limites e as histórias são um portal para o infinito onde até o que é real pode acontecer. Mas vamos tentar não filosofar aqui. Do gentil dinossauro Horácio de Maurício de Souza ao personagem da peça Hamlet de Shakespeare, vamos apenas relaxar e deixar a mente devanear.

Porque de outra forma não será possível nos divertirmos com a descompromissada série IZombie (Eu, Zumbi) da Vertigo”

444

Gwen Dylan trabalha como coveira, tem uma vida monótona, poucos amigos e um grande mistério. Espera, eu disse “VIDA”? Isso não é exatamente verdade.

A carismática Gwen é uma morta-viva, uma zumbi se preferir, mas não se assuste, ela leva isso numa boa, cuidando de si mesma nessa “meia vida” quase honesta, muito embora forças malignas estejam se movendo em sua direção para dar fim a sua suposta rotina entediante.

Ela consegue se passar por uma pessoa viva tranquilamente, mas para isso precisa se alimentar de cérebros pelo menos uma vez ao mês, o que evita que ela perca o controle. Mas Gwen não é uma assassina, como coveira, ela enterra cadáveres durante o dia e quando necessário os desenterra à noite para fazer um lanchinho com seus miolos frescos. O problema é que como efeito colateral ela retém parte das memórias do dono do cérebro, o que acaba colocando-a em situações de risco. Os poucos que sabem desse segredo são seus amigos, Ellie uma fantasma que só é vista se assim quiser e Scott (ou como ela gosta de chama-lo “Spot”)… uma espécie de transmorfo animal, mas não espere um Lobisomen… ele está mais para um “Terrieromem”.

IZOM_5pp_prev.qxp

O tema zumbi vem sendo usado até seu limite já faz algum tempo, e embora fã do gênero de terror e dos mortos vivos, ultimamente tenho sentindo esse desgaste na maioria das produções que os utilizam, à exceção da série The Walking Dead e outras poucas. Por esse motivo, tinha sérias reservas contra a HQ da Vertigo, já imaginando que cairia nesse marasmo da falta de criatividade. Mas para minha surpresa, a história me cativou do começo ao fim, com um texto fluido e repleto de momentos descontraídos. Ou seja, o grande fato a respeito de IZOMBIE, é que NÃO se trata de uma história de terror, ainda que aborde criaturas sinistras e assassinatos. O verdadeiro tom da história é a relação entre os personagens, que apesar de seus conflitos, nos apresentam tudo de maneira muito leve e amena. Trata-se de uma HQ muitíssimo bem escrita pelo Chris Roberson, polêmico roteirista que cortou relações com a DC Comics por, entre outras coisas, não concordar com a publicação da série “Antes de Watchmen” em solidariedade a Alan Moore. Talvez por isso, IZombie tenha tido um precoce desfecho, tendo sido cancelada na edição 28.

Polêmicas à parte, vale muito à pena acompanhar essa ótima série publicada agora na forma de encadernados no Brasil pela Panini, que não bastasse é ilustrada por ninguém menos que o incrível Mike Allred, dono de um traço peculiar que coube como uma luva a essa série, concedendo a personalidade e o clima perfeito para o tema proposto. Dá gosto de parar um pouco entre uma página e outra e admirar o seu trabalho.

Mas e a série de tevê?

Confira três novos pôsteres da série iZombie (03)

Sim, IZombie ganhou uma versão televisiva muito divertida e fiel aos quadrinhos… até certo ponto. Foi feita uma adaptação com diversas mudanças importantes, a começar pela protagonista; ao invés de Gwen Dylan, temos  Liv Moore, uma médica que se torna uma zumbi durante um ataque numa festa a bordo de um barco (numa origem bem diferente da revelada a Gwen nos quadrinhos) e se recobra alterando totalmente os rumos da sua vida, terminando seu noivado com o homem que ama temendo ser uma ameaça a ele e se transferindo para um trabalho abaixo de suas qualificações no necrotério, onde tem acesso a cérebros frescos… assim como a Gwen, Liv precisa se alimentar de cérebros para não entrar no que ela chama de “Modo Zumbi”, e ao comê-los absorve também parte de suas memórias, um dom que acaba usando para desvendar seus assassinatos. A série não fez menção até agora a outros seres sobrenaturais como homens cachorro, vampiras e fantasmas mas apesar de tantas diferenças, mantém o mesmo clima leve e divertido dos quadrinhos, tornando-se uma opção interessante tanto para os fãs da série da Vertigo quanto para quem nunca leu a HQ.

Um detalhe fantástico da série é a sua abertura, (que você confere abaixo) feita com desenhos do Mike Allred contando o início da saga de Liv Moore no melhor estilo de história em quadrinhos.

Tanto a série de tevê quanto em quadrinhos são ótimas opções para recuperar o fôlego entre as fortes emoções e a tensão de The Walking Dead (tanto a série de tevê quanto a versão em quadrinhos da Image), e relaxar um pouco com esse novo olhar sobre a vida, a morte e o que há de intermediário entre elas.

Atrás dessa revista só não vai quem já morreu!

(Ou não…)

1124357-zombiecooke

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s