RESENHA: “O Despertar” de Scott Snyder e Sean Murphy.

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44“Quando a grande onda caiu, os deuses no alto choraram, de lábios ardendo e garganta ressequida!”

Primeiro volume do encadernado publicado no Brasil pela Panini.

Roteiro de Scott Snyder.

Arte de Sean Murphy

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Por Rodrigo Garrit.

Existe algo de Lovecratiano nesta obra de Scott Snyder, movendo-se furtivamente na escuridão abismal dos oceanos, mas privilegiando a ciência ao invés da magia da obra de H.P. Lovecraft, “O Despertar” tem toda a estrutura de um blockbuster cinematográfico, o que pode ser ao mesmo tempo crítica e elogio. Invocando o que há de melhor na ficção científica, viajando da Pré-História ao futuro longínquo, esse primeiro volume procura manter os pés no chão, ainda que molhado pela água salgada tingida de vermelho pelo sangue das vítimas.

A Dra. Archer, uma jovem bióloga marinha, é convocada por um misterioso homem para investigar estranhos sons oriundos do fundo do mar detectados acidentalmente numa plataforma submarina clandestina. Junto com ela, uma equipe de especialistas é escolhida a dedo e levada a essa plataforma, onde unem esforços para desvendar a origem do estranho som, mas o que os espera não é o canto melancólico das baleias ou a poesia hipnótica das sereias, mas sim o inicio de uma nova Era para a humanidade, quando uma guerra contra extraordinários seres marinhos se tem seu levante.

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Snyder é conhecido dos fãs de quadrinhos e autor de grandes sucessos como Batman, Monstro do Pântano e Vampiro Americano.  Aqui ele nos apresenta mais um trabalho para a Vertigo e escreve um roteiro cinematográfico de modo que já é quase possível imaginar a adaptação de um filme “O Despertar”. Claro que hoje em dia tornou-se até comum que autores de quadrinhos já façam suas histórias pensando em possíveis versões para o cinema, e não digo que possivelmente não seja essa também a intenção de Snyder aqui, mas nem por isso descaracteriza a história em sua estrutura em quadrinhos como vemos em alguns casos. Sua história mantém um ritmo alucinante, de repente muda o foco para a pré-história ou o futuro e nos mostra que está lidando com algo de proporções ancestrais que continuará a repercutir através dos séculos. Ao mesmo tempo nos apresenta personagens extremamente humanos e carismáticos, falhos e hesitantes; não há espaço para super-heróis aqui, pelo menos nesse primeiro arco. Ele brinca com várias lendas e mitologias ao nos trazer sua versão da sereia assassina, com direito a indução a alucinações e momentos tensos de puro terror. O perigo é enorme e nem todos sobrevivem, o que destaca o realismo da história ainda que estejamos tratando aqui de uma ótima ficção científica.

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Os desenhos de Sean Murphy são dinâmicos e acompanham o ritmo acelerado da história, que vale dizer, é acelerado no contexto geral dos acontecimentos, mas flui no tempo certo para a apreciação do leitor.  Não consigo imaginar ninguém melhor para desenhar essas sequencias de perseguição no fundo do mar cujo cenário é um maquinário interminável repleto de monstruosidades famintas por carne humana…

Apesar de alguns clichês, é uma ótima leitura para quem quer nadar em águas desconhecidas e sair do lado raso da piscina. No próximo volume, Snyder promete mergulhar ainda mais fundo na ficção científica, apresentando as consequências dessa exploração oceânica no resto do mundo.

Aguardemos o próximo encadernado!

Aguardemos o filme!

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2 comentários sobre “RESENHA: “O Despertar” de Scott Snyder e Sean Murphy.

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