RESENHA: “John Constantine Hellblazer Origens – A Máquina do Medo – Ato II”

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44“O bater das asas da borboleta inspira o furação”

“É. Magia.

“Não. Matemática Fractal.”

“Dá na mesma”

Roteiro de Jamie Delano. Desenhos de Mark Buckinghan e Alfredo Alcala (A Máquina do Medo); Dean Motter e Ron Tiner (Da Ficção para a Vida).

Editora: Vertigo/ Panini

Preço: R$ 18,90

Data de publicação no Brasil: Novembro/2012.

Número de Páginas: 172

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Por Rodrigo Garrit

“Sempre que um local tenha tido orações e desejos concentrados direcionados a ele, forma-se um vértice elétrico que atrai para si uma força que se torna por um tempo um corpo coerente que pode ser sentido e utilizado pelo homem. É ao redor desses corpos de força que templos, locais de culto e, posteriormente, igrejas são erigidos; são Cálices que recebem um derramamento Cósmico focalizado em cada local específico”.

Dion Fortune, Aspects of Occultism

As Linhas de Ley são ligações ancestrais que formam retas as quais acredita-se, eram usadas como rotas comerciais onde se atribuíam uma poderosa fonte de energias místicas. As linhas transcorrem todo o planeta, demarcando determinados locais de poder propícios a concretização de feitiços devido a sua grande concentração de magia. Desde pegadas de povos primitivos até grandes monumentos de pedra (o qual destaca-se o famoso Stonehenge, na Inglaterra, embora existam muitos outros), as assim chamadas Linhas de Ley têm despertado a curiosidade dos estudiosos do ocultismo assim como a ganância daqueles que intencionam se aproveitar de seu poder. Assim como o corpo humano possui pontos de energia – Chakras – que se provam benéficos desde uma simples meditação até a arte do Kung Fu e fins medicinais, utilizado principalmente pela acupuntura, o planeta também possui esses pontos enérgicos. Os caminhos que ligam uns aos outros. Essas são as Linhas de Ley.

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Refugiado com um grupo de “amantes da natureza” após ser acusado de ser um assassino satanista, John Constantine experimenta um período de paz, e faz alguns amigos, pra variar. Participando desse modo de vida exotérico, fica sabendo mais a respeito das Linhas de Ley, e conhece a jovem Mercury, uma genuína paranormal que se torna alvo da empresa Geotroniks, secretamente financiada por uma sociedade secreta que visa corromper o poder místico das Linhas, usando-as para fomentar o medo e instaurar novas diretrizes politicas e sociais que atendam aos seus propósitos. Usando o conhecimento das Linhas e aproveitando-se dos poderes de Mercury, eles criam uma verdadeira “Máquina do Medo”, extraindo as fobias de pessoas transtornadas e agrupando-as em um único local de poder, gerando uma aberração supostamente controlada por contenções mágicas. Obviamente isso sai completamente de controle, e cabe a Constantine arrumar a bagunça, vencer o vilão, salvar a mocinha e proteger o mundo.

Mas que diabo, estamos falando do Constantine aqui! E como de costume em tudo o que ele se envolve, as coisas ainda precisam piorar muito para ficarem verdadeiramente ruins!

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Esse é o quarto volume da série “Origens”, onde a Panini republicou os primórdios do mago trambiqueiro mais amado dos quadrinhos. A primeira parte do arco “A Máquina do Medo” foi publicada no encadernado anterior e finalizada aqui.  É uma história extensa e não linear, onde Jamie Delano usa muitas figuras de linguagem para expor o que ele realmente quer dizer; sua crítica da politica dos anos oitenta (época da publicação original da história) além de outras alfinetas à sociedade, tudo isso muito bem disfarçado com o pano de fundo místico. Para alguns essa trajetória pode parecer confusa, fazendo a história se perder em alguns pontos, mas no devido tempo esses pontos são ligados e para nosso alívio, tudo faz sentido, guiando o leitor até o final apoteótico da narrativa.

Com personagens secundários muito bem construídos e os já esperados diálogos ácidos, Delano prossegue em sua missão de construir os pilares do mago inglês, provando que sua marca sobre ele tão cedo não será esquecida.

Ponto positivo para o retorno de (uma irreconhecível, amnésica e indiferente, mas mesmo assim muito bem vinda) Zed!

O encadernado traz também a história “Da ficção para a vida”, onde temos a oportunidade de ver como Delano por coincidência ou não, anteviu conceitos que no futuro seriam amplamente explorados dentro da própria Vertigo com as ótimas séries “Fábulas” e  “O Inescrito”.

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Da ficção para a vida

Não tenho muito acrescentar sobre a arte de Mark Buckinghan e Alfredo Alcala que ilustraram “A Máquina do Medo” e Dean Motter e Ron Tiner, responsáveis por “Da Ficção para a Vida”. Seu estilo sóbrio marcou época para o título Hellblazer e mantém o clima (Sur)realista das desventuras de John Constantine.

Não tenha medo de ser perder nessas páginas!

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Leia também as resenhas dos encadernados anteriores! Basta clicar nos links abaixo! 

John Constantine Hellblazer: Pecados Originais

John Constantine Hellblazer: Triângulos infernais

John Constantine Hellblazer – Newcastle e a Máquina do Medo, ato I

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