DEMOLIDOR: REVELADO – Desvendando os Pontos Cegos!

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Por Rodrigo Garrit

Eu sempre gostei do Demolidor, independente de Frank Miller. Claro que o que Miller fez pelo personagem potencializou muito seu mito, elevando-o a um patamar que faz dele um dos melhores personagens da Marvel. E por mais que se tente fugir disso, a marca deixada por Miller sempre será sentida pelos autores que trabalham nele, não como uma meta a ser superada ou um parâmetro a ser obrigatoriamente utilizado… simplesmente porque é bom pra diabo!

Claro, não vamos generalizar, grandes artistas já fizeram bons ou ótimos trabalhos com o Homem Sem Medo no decorrer dos anos, entre os quais me vejo compelido a citar Karl Kesel e Mark Waid por motivos totalmente egoístas e sentimentais. Também houveram obviamente aqueles que fizeram histórias com ele sobre as quais eu preferiria esquecer… mas esses nem vale à pena comentar.  E, claro, houve Brian Michael Bendis.

Eu sempre gostei do Demolidor, independente do seriado de tevê. Certo, uma série de tevê chama uma atenção monstruosa para um personagem, inclusive apresentando-o para um público que não necessariamente seja fã de quadrinhos. E quando essa série é bem feita, bem escrita e bem produzida então…

O Demolidor já teve seu próprio longa-metragem estrelado por Ben Afleck, que gerou por sua vez o filme solo da Elektra. Não vou ser repetitivo, nem ficar apertando a mesma tecla do senso comum que diz que o filme é ridículo, muito embora eu não tenha gostado dele como um todo apesar de curtir algumas cenas. O fato é que a grande apoteose veio mesmo com a série da Netflix, que abriu um novo precedente para esse tipo de mídia com os personagens da Marvel (muito embora Agentes da Shield seja muito boa também), e já gerou frutos com a empolgante série da Jessica Jones.

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Quem não ama Jéssica Jones?

É meio babaca usar a palavra “empolgante”, mas enfim, não dá pra colocar de outra forma.

Voltando ao Demolidor e sua bem sucedida série de tevê, vemos claramente que muito de seu sucesso se deve ao fato da produção beber das melhores fontes de histórias com o advogado, principalmente aquelas criadas por Frank Miller e Brian Michael Bendis.

Mais uma vez não vou discorrer sobre o senso comum, tampouco entrar em polêmicas desnecessárias e apelativas (se gosta desse tipo de coisa está no blog errado). Sei que muitos amam e um tanto de outros odeiam Bendis… de minha parte, digo apenas que sua contribuição para os quadrinhos como um todo foi muito positiva e , entre erros e acertos, seu trabalho com o Demolidor foi uma das melhores coisas que já li com o personagem… levando Frank Miller em consideração.

Indo direto ao ponto:

Demolidor: Revelado mostra bem essa relação de comprometimento entre o autor e o personagem, usando Matt Murdock como o advogado brilhante que é, atuando de forma tão prodigiosa quanto seu alter ego mascarado. O comprometimento a qual me refiro se deve ao claro estudo do roteirista sobre direito criminal, que se aprofundou no assunto e nos brindou com algumas batalhas verdadeiramente épicas… dentro do tribunal! Claro que o super-heroismo não foi deixado de lado, mas caminhou junto com as jogadas de mestre de Matt, tudo isso com uma trama de traição e vingança entre os mafiosos que dominam a Cozinha do Inferno, além da caracterização impagável de Wilson Fisk, o Rei do Crime, num dos momentos mais frágeis de sua vida.

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Algumas curtas porém marcantes participações especiais também abrilhantaram ainda mais a história, como o apoio recebido por Matt de Peter Parker, o Homem-Aranha, além de Luke Cage e Punho de Ferro que foram de grande importância para a magistral batalha final no tribunal, onde um Matt Murdock quase desacreditado pela opinião pública decide se expor ainda mais ao aceitar defender um herói pouco conhecido de uma acusação de assassinato, num processo com final surpreendente, sem dar spoiler, muito embora os metódicos possam dizer que o simples fato de eu afirmar que o final é surpreendente é um spoiler em si. (Lembrando que estamos falando de uma HQ que foi publicada originalmente em 2001 nos EUA).

Outras participações que me prenderam a atenção, embora também tenham sido curtas, foram as das ex-namoradas de Matt, Viúva Negra e Elektra… principalmente desta última, cujo diálogo (quase um monólogo) entre o advogado e ela após anos sem se encontrarem é simplesmente extraordinário.  Não para o Matt.

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Minha única crítica fica pela falta de uma conclusão mais concreta sobre a situação da divulgação da identidade secreta de Matt, o que viria a acontecer depois. Não que não termine bem, mas o foco dessa questão é desviado para a forma como ele se vê obrigado a lidar com esse novo status, onde seu alter ego é exposto, mesmo sem provas, deixando-o numa posição bem desconfortável. Levando a história por esse caminho, Bendis dispensa o imediatismo de desfazer o estrago e mostra o personagem sofrendo consequências… uma escolha corajosa, e felizmente, bem executada.

Acho que se chegou a esta parte da texto, você já teve contato com a arte de Alex Maleev, o que torna dispensável qualquer comentário sobre o talento do desenhista. Basta dizer que seu traço é tão frio e cruel quanto a vida na Cozinha do Inferno deve ser.

Manuel Gutierrez e Terry Dodson que também possuem estilos excepcionais fecham o encadernado, porém fica a sensação de vazio deixada por Maleev, que desenhou quase todo o arco.

O encadernado, lançado pela Panini compilando os números 26 a 40 de Daredevil em 356 páginas, é uma obra obrigatória para os fãs do Demolidor dispostos a investir seu rico dinheirinho numa edição de luxo como essa. Ele vem com texto introdutório de Paulo França e como extras, todas as capas das edições compiladas.

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Curte o Demolidor?

Então leia também as resenhas de DIABO DA GUARDA e A QUEDA DE MURDOCK !

 

 

 

 

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6 comentários sobre “DEMOLIDOR: REVELADO – Desvendando os Pontos Cegos!

  1. Olá, Rodrigo.
    Obrigada pela resenha. Realmente, Bendis foi muito feliz em sua trajetória com o Demolidor. Claro, há um ou outro detalhe que ficou a desejar, mas no geral foi bastante positivo.
    Também amei a recente fase, com a super dupla Mark Waid e Chris Samnee (e antes deste, Paolo Rivera).
    Vejamos como nosso herói se sai na nova fase. Confesso que ainda estou um pouquinho reticente com o que saiu até agora. Mas o DD sempre teve sorte com suas equipes criativas. Mesmo tendo fases que é melhor ser esquecidas.

    Amo de paixão este personagem, pela complexidade, pela humanidade, pelas limitações, pelas perdas e superações…
    Abraços, sempre…
    Lucy

    Curtido por 1 pessoa

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