A GUERRA DE DARKSEID: Prólogo

Quarto Mundo

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Uma resenha SEM SPOILERS de uma história sobre homens, deuses e heróis.

Por Rodrigo Garrit

A Guerra de Darkseid é a saga da DC que finalmente trará de volta os Novos Deuses de Jack Kirby de forma digna desde o advento dos assim chamados “Novos 52”, à exceção do trabalho magistral feito por Brian Azzarello em sua passagem pelo título da Mulher-Maravilha.

Embora os Novos Deuses já tenham feito várias aparições depois que o universo DC foi refeito, poucas vezes foram aproveitados de forma eficiente pelos autores da editora… uma delas foi pelas mãos do já citado Brian Azzarello que foi muitíssimo feliz em suas caracterizações não apenas dos Novos Deuses mas também do panteão olímpico contido no universo da Mulher-Maravilha.

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Infelizmente histórias totalmente desnecessárias e dignas de esquecimento também foram produzidas, como a nova origem de Darkseid publicada durante a saga “Vilania Eterna” (Se que saber qual foi a MELHOR história de origem de Darkseid, clique AQUI e leia a resenha da versão feita por John Byrne, uma verdadeira homenagem aos preceitos deixados pelo criador do personagem,  Jack Kirby).

Outra saga que nem merecia ser citada foi a famigerada “Guerra dos Deuses”, onde o Pai Celestial se volta contra os Lanternas Verdes… história ruim, desenhos fracos e um final simplesmente vergonhoso.

No entanto,  não se pode negar também que James Robinson e seu sucessor no título “Terra 2”, Tom Taylor, souberam inserir de forma satisfatória personagens como o Senhor Milagre e Grande Barda por exemplo, dando continuidade de forma indireta ao ataque de Darkseid a “Terra 1” (Ou seria “Terra Zero”, onde ocorrem os eventos dos Novos 52? Sinceramente não me importo, e vocês?).

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Revelação censurada

Bem, essa primeira batalha reuniu os heróis contra Darkseid, e a vitória deles daria origem a formação da Liga da Justiça nessa nova interpretação da realidade. A história em si não é de toda ruim, embora alvo de várias críticas e apontamentos, não cabe a esse texto discutir esse assunto agora, mas você pode ler o artigo feito sobre isso na época clicando AQUI.

Geoff Johns, autor dessa primeira incursão de Darkseid na Terra dos Novos 52 é também a mente por trás da saga “A Guerra de Darkseid”, cuja publicação começou a ser feita no Brasil pela Panini a partir da revista Liga da Justiça 42. Embora a mesma revista traga outras histórias distintas por se tratar de um mix, irei focar apenas na saga em questão para essa resenha.

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A clássica cena da batalha dos heróis das Terras restantes contra o Antimonitor na épica Crise nas Infinitas Terras. Esse quadro é uma reinterpretação da arte do mestre George Pérez feita por seu “sucessor” Phil Jimenez para o prólogo da Guerra de Darkseid. 

Nessa primeira história, um prólogo, Johns acerta em tudo o que errou anteriormente, desde a caracterização dos personagens até a interação deles com os outros heróis do Universo DC e as consequências dessas interações. E ele não vem sozinho, trazendo consigo um time de desenhistas de primeira linha: Kevin Maguire (famoso pela fase cômica da Liga da Justiça), Phil Jimenez, Dan Jurgens, Jerry Ordway, Scott Kollins, Jason Fabook, Jim Lee e o arte-finalista Scott Williams.

O motivo da história acontecer também é bem curioso e Johns me pareceu bastante sincero consigo mesmo ao mostrar que o novo deus Metron está ciente de que a realidade já passou por inúmeras alterações, citando então as sagas Crise nas Infinitas Terras, Zero HoraCrise Infinita e Ponto de Ignição, chegando com isso a conclusão de que tantos reinícios na estrutura do tempo/espaço está enfraquecendo a realidade de modo que em breve não será mais possível que a existência se mantenha coesa. Como cientista cósmico, ele antevê que uma nova crise se aproxima, e vai até aquele que provavelmente será seu causador, o próprio Antimonitor, prestes a entrar numa guerra sem precedentes contra Darkseid.

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Momentos marcantes de Zero Hora, Crise Infinita e Ponto de Ignição 

Curiosamente não há menção a saga Crise Final de Grant Morrison, a qual teve como mote principal justamente os Novos Deuses, porém é uma ausência compreensível pois a saga culmina com a morte e a transcendência destes, elevando-os a um novo patamar que deverá ser levado em consideração apenas no mais enlouquecido devaneio cósmico de Morrison e seus fãs, não tendo sido utilizado na atual reinterpretação para os habitantes de Apokolips e Nova Gênese.

Voltando ao prólogo da Guerra de Darkseid, alguns detalhes instigantes são revelados, segredos de família e até mesmo a suposta origem da poderosa Poltrona Mobius que Metron utiliza para se deslocar para qualquer lugar do tempo e espaço que deseje.

Mas esse foi apenas um primeiro passo em direção ao que a história pode se tornar e me alegra o fato de ver personagens tão ricos e com uma mitologia tão complexa sendo trabalhados por esses autores de forma competente, seguindo dignamente o legado de um dos maiores quadrinistas de todos os tempos, Jack Kirby!

Que a Fonte os guie com sabedoria!

 

 

 

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8 comentários sobre “A GUERRA DE DARKSEID: Prólogo

  1. Nos Novos 52 eu adorei pouca coisa, o trabalho do Azzarello a frente da Mulher Maravilha foi uma delas.

    O cara mandou muito bem desenvolvendo sua interpretação dos deuses gregos e reintroduzindo Nova Gênese lindamente e o Pai Celestial … apesar de não me incomodar com o rejuvenescimento do mesmo e o tom mais militaresco, quem ama Kirby e entende porque o Izaya tem um visual que remete a Moisés sente que algo se perdeu na essência do personagem), mas o Órion tá espetacular! E outra…por ele (Azzarello) era nítido que ambos (Diana e Órion) seriam um casal. Aliás concordo com o autor que um foi feito para o outro.

    Mas aí veio o Geoff Johns com essa saga… Respeitou o pouco que o Azzarello fez, ignorou as duas malfadadas histórias que você citou por alto e que também quero esquecer e deu um passo a frente, muito bem acompanhado por desenhistas de primeira ordem, como um título feito Liga da Justiça merece e todos os personagens do Quarto Mundo deveriam sempre ter.

    O ponto fraco, apesar das ótimas caracterizações dos artistas, é mais uma vez a falta de eloquência de Darkseid… Aqui ele não é só um brutamontes poderoso muito mal, mas taí o calcanhar de Aquiles do Johns … ele sabe desenvolver muito bem anti heróis, heróis e ati vilôes…. Mas não o “Mal Definitivo”…. como Kirby, Byrne e Morrison sabiam.

    Parabéns pela resenha.

    Curtido por 1 pessoa

  2. A resenha me animou, adora as Grandes Sagas Cósmicas da DC. E se a Crise Final não está sendo considerada nesse Prólogo, é um sinal de que as idéias do Morrison não fazem eco em outros autores da DC, principalmente o Geoff Johns. Particularmente, considero Crise Final muito inferior à Crise nas Infinitas Terras, somente se salvando naquela a clássica Legião dos Três Mundos. Geoff Johns, autor da melhor história da saga movida pelo Morrison, parece ter retornado aos bons e velhos tempos na Guerra de Darkseid.

    Curtido por 1 pessoa

    1. A Saga de Morrison pode ter ficado como uma obra fechada para os fãs do cara, ou simplesmente ser ignorada… o importante é que sempre existam boas histórias a ser contadas! Abraços!

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