CAPITÃO AMÉRICA – Guerra Civil (COM SPOILERS)

cine sant´s

1124f0e5f0061db60457168ac66c7317

por João Marcos

A sequência de “Capitão América – O Soldado Invernal” tomou um rumo arriscado adaptando a saga “Guerra Civil”. Nunca pus fé no projeto que resumia a saga da HQ a  meros 12 Vingadores e ao filme solo do Capitão.

A maldição do terceiro filme sempre foi presente nas produções de heróis e a Marvel Studios já entregou o pior exemplo (Iron Man 3) e suas marcas existem até hoje. Sem contar a óbvia medida para concorrer com o carro-chefe da Warner, “Batman vs Superman”. Como o próprio crossover da DC mostrou, a pressa pode sabotar um filme. Mas hoje eu posso dizer que estava errado. O terceiro filme do Capitão América é a prova de que um filme pode ter vários personagens e múltiplas narrativas sem cair por si a olhos vistos.

Nesse review com spoilers vou tentar apresentar os pontos em que o filme se baseou.

Aproveitando o gancho do vilão Ossos-Cruzados para desencadear a gota d’agua nos governos mundiais, o filme muda o foco da escola cheia de crianças inocentes para um atentado a  uma missão de paz de Wakanda. A partir desse gatilho a politicagem cai sobre os super-humanos e com base em diá¡logos bem encaixados temos os dois lados dessa cisão.

A mãe cujo filho morreu em uma missão dos Vingadores culpa diretamente Tony Stark por promover a suposta ilegalidade dos heróis. Retirado diretamente do arco principal de “Guerra Civil”, vemos o lado do Homem de Ferro.

1761156-sharpe3

Durante o funeral de Peggy Carter, o discurso de Sharon Carter (Emily Van Camp) transpõe o depoimento de Steve Rogers para o Homem-Aranha nos tie-in’s de Guerra Civil e apresenta pro público leigo o ponto do Capitão América.

Então temos o segundo arco adaptado dali. A caçada ao Soldado Invernal acerta no alvo ao equilibrar o filme entre uma história própria e uma continuação de seu predecessor.

Retirado da fase de Ed Brubaker, Guerra Civil ganha contornos de John Woo, Michael Mann e melhora os padrões de luta do próprio Joss Whedon apresentado no primeiro Vingadores. A luta na escadaria (clara influência do seriado do Demolidor) seguido da perseguição no túnel já ficou na memória.

Ao chegar nesse está¡gio, o filme já conseguiu trabalhar todos os Vingadores e não Vingadores, sem largar nenhum ao relento. Do Homem de Ferro ao Visão. Do Capitão ao Gavião Arqueiro, da Feiticeira Escarlate ao melhor Homem-Aranha já feito. Todos os personagens tem seu momento e seu núcleo e formam uma coesão que eu custei acreditar. E não são na fantástica cena do aeroporto, mas em seus momentos de palavra que o público se envolve.

A atmosfera sempre fria do filme não tira a beleza da interação já estabelecida sempre com um humor bem encaixado e natural. Nada da besteira feita em “Era de Ultron”, com aquele gosto de requentado. Não tem como reclamar disso. O Homem-Aranha é isso.

E então temos o outro alvo do filme: O vilão, que até então eu o considerava o ponto fraco já anunciado. Eu adoro o Barão Zemo e queria vê-lo no seu auge. Mas ainda assim, foi surpreendentemente funcional.

baron-zemo-112595-127986

Os Russo recorreram a  fase do Capitão após “O Cerco”, onde o Barão Zemo caça os arquivos da URSS sobre o Soldado Invernal para arruiná-lo publicamente. O método Faustus de palavras-gatilho na lavagem cerebral é outra referência aos quadrinhos. Pode não ser uma boa adaptação (Não é!) Mas é o vilão mais sério do MCU e com a motivação mais crível.

Trabalharam ele para não atrapalhar a trama principal e somado à boa atuação de Daniel Brhul, eu compro seus atos. Até porque, tristemente, o plano dele deu resultado.

O terceiro ato é rico num drama que sobe junto com a trilha sonora de Henry Jackman e o diálogo de Zemo com o Pantera Negra remete ao suicídio em “O Império Secreto” (Vale a leitura).

O suicídio, "Império Secreto"
O suicídio, “Império Secreto”

Não sei ao certo se chega a ser um defeito. Se eu não gostasse de uma crise grande causada por um indivíduo menor, teria que jogar sagas como “Crise de Identidade” no lixo. O filme mais intimista da Marvel tem sua trama mais bem amarrada e extrai o melhor dos personagens estabelecidos e recém inseridos.

Fica a lição para a concorrência e a própria Marvel sobre a ambição de fazer filmes grandiosos. O melhor filme da Marvel sequer tirou os pés do chão e sem abrir mão da fantasia.

E doa a  quem doer, a comparação é inevitável: Guerra Civil trás o acerto como filme e adaptação que “Batman vs Superman” não teve. Trouxe motivações claras ao invés de interpretações covardes, amarrou o fan service sem deixar cenas desconexas e sem sentido na trama e não desmoronou enquanto assistia. Merece os louros que estão colhendo.

Mas se os fãs forem procurando apenas “Guerra Civil”, vão perder a percepção do trabalho de roteiro.

Vamos esperar esse gancho para os próximos filmes. Pois esse foi o cenário mais interessante desde Vingadores. Os Russo não podem relaxar.

S_Final

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s