MULHER MARAVILHA REBIRTH #01

13617529_1013027595417006_1838037038_nResenha da primeira edição do título da princesa amazona na nova fase da DC.

Contém Spoilers

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Por Rodrigo Garrit

Quem melhor do que ela para buscar a verdade?

O Universo DC tem sido constantemente manipulado por forças além da nossa compreensão. De Dan Didio ao Dr. Manhathan. Nessa eterna busca pelo universo perfeito, alguns dos nossos personagens mais queridos passam por descaracterizações e acabam caindo nas mãos de roteiristas pouco preparados ou até mesmo sem talento para levar adiante uma série de sucesso com heróis consagrados.

No caso da Mulher Maravilha, provavelmente a mais icônica das heroínas, não foi diferente.

Verdade seja dita, nossa amazona preferida, assim como todos os outros grandes personagens, já passaram por fases muito ruins, mas felizmente Diana teve a sorte de ser reformulada pelo genial quadrinhista George Pérez após a Crise nas Infinitas Terras, o primeiro grande reboot da editora. Além dele, e não vou citar todas as equipes que trabalharam no título, quero destacar aqui também o competente trabalho do roteirista William Messner-Loebs, que ousou mudar o status estabelecido por Pérez e obteve êxito ao introduzir a personagem Ártemis como uma nova Mulher Maravilha enquanto Diana passou a usar um novo uniforme, tudo isso ilustrado pelo traço incrível do Mike Deodato.

Mais tarde, Phil Jimenez assumiria o título, reivindicando os elementos de Pérez por um longo período, até que Greg Rucka, tempos depois nos mostrasse que era possível fazer histórias excelentes com a personagem usando outros aspectos da vida dela.

Pouco antes da grande mudança que viria, sob os roteiros de Michael Straczynski, Diana já previa que algo iria ser alterado e que nada mais seria como antes.

Guardem esse pensamento.

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Reflexos distorcidos de várias fases da personagem ao longo dos anos… e agora Diana quer saber qual é a sua VERDADEIRA história!

Avançando mais no tempo, chegamos ao Flashpoint, (ou “Ponto de Ignição” caso prefira a tradução oferecida pela Panini no Brasil, o que eu duvido), e um novo reboot que daria origem aos “Novos 52”, a reformulação mais radical sofrida pela editora desde Crise nas Infinitas Terras.

Mais uma vez os deuses abençoaram Diana, colocando em seu caminho o escritor Brian Azarello que compôs histórias espetaculares para a princesa amazona, geralmente alheias a todas as mudanças que ocorriam ao redor do universo, tanto que ela nem parecia a mesma que integrava a Liga da Justiça. Azarello nos trouxe uma das séries mais inteligentes e empolgantes de Diana, dando nova roupagem aos deuses do Olimpo e mostrando uma Mulher Maravilha tão íntegra e cativante quanto ela pode ser.

A maior mudança da personagem após os Novos 52 foi a revelação de que ela na verdade não fora concebida da forma lúdica a qual pensávamos, ou seja, quando sua mãe, a rainha Hipólita clamou aos deuses por uma filha e os mesmos a atenderam soprando vida numa escultura de barro. Segundo Azarrello, Diana é filha do próprio Zeus, e seu nascimento teria se dado de forma mais tradicional.

Além disso, com o fato do Superman não ter um envolvimento com a Lois Lane nessa realidade, ele e Diana engataram um romance com direito a revista própria.

Eis que surge o renascimento!

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Fiquei muito feliz ao saber que Greg Rucka retornaria ao título ao qual ele fez tão bem no passado, e como ele fez falta! Não, não estou sendo contraditório, é que depois da saída de Brian Azarello como roteirista da amazona, sua revista teve uma queda vertiginosa de qualidade, numa fase que nem mesmo é digna de nota.

Mas, enfim… lembram-se daquele pensamento que pedi que vocês guardassem?

Pois bem, antes que a realidade mudasse, Michael Straczynski já havia dado a dica de que Diana pressentia que algo estava errado. E agora, Greg Rucka meio que dá prosseguimento a esse elemento, fazendo com que ela perceba algo estranho à sua volta… sobre todas as versões das histórias contadas, todas as mudanças de origem, as realidades distintas se sobrepondo… Rucka esfrega tudo isso na nossa cara com a categoria que só um grande escritor poderia fazer… ele joga no ar o questionamento sobre todas as possibilidades serem válidas, de uma vida ser capaz de conter várias histórias diferentes… mas como isso pode ser concebível sem levar qualquer um que seja a um total estado de insanidade? E quem melhor do que ela para buscar a verdade? Diana, a deusa da guerra (talvez), a filha de Zeus(talvez), a portadora do laço da verdade e sua mais ferrenha defensora! (Certamente!)

Liam Sharp, artista que deverá assumir os desenhos do título, e desenhou a maior parte da história, acertou ao retratar em Diana uma guerreira capaz de derrotar uma horda de crias do Hades ao mesmo tempo que possui um olhar repleto de convicção e… verdade!

Depois de uma participação espetacular no filme Batman Vs Superman onde foi encarnada de forma brilhante pela atriz Gal Gadot, ela já tem um filme solo à caminho e não espero nada disso que não seja revolucionário.

Obviamente, o visual dela nos cinemas foi acertadamente utilizado nessa nova fase da personagem nos quadrinhos.

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A atriz Gal Gadot. Pode ficar olhando, tudo bem.

Desde que foi criada pelo Dr. William Moulton Marston em 1941, ela vem exercendo uma função transgressora e muitíssimo necessária de empoderamento das mulheres. Ela não é a versão feminina de um personagem canônico,  já nasceu e se fez por si própria, é a protagonista de si mesma em um mundo dominado pelos homens, é a Mulher Maravilha, símbolo e inspiração de força e esperança na constante batalha da igualdade entre os sexos.

Diana sempre nos mostrou que não se deve permitir que ninguém nos defina como fracos, não importa quem você seja, não importa quem aquele que quer te definir pensa que seja.

Independente de qualquer coisa, o fato é que a Mulher Maravilha é uma personagem cuja função é quebrar padrões desde os anos quarenta, e seguirá quebrando-os até que isso continue sendo necessário.

Não importa se vocês são homens ou mulheres, sua raça, religião, orientação sexual, o lugar onde vocês nasceram ou o tanto de dinheiro que vocês possuem… em tudo o que fizerem, nunca se percam da sua verdade… e sempre sejam maravilhosos!

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Roteiro: Greg Rucka

Arte: Matthew Clark, Sean Parsons, Liam Sharp, Jeremy Colwell e Laura Martin

Acompanhe conosco mais resenhas das HQs da Mulher Maravilha e outros heróis no Renascimento da DC!

 

 

 

 

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