MULHER MARAVILHA: TERRA UM – PRECISAMOS CRIAR UMA AMAZONA MELHOR?

Resenha do especial “Mulher Maravilha Terra Um” de Grant Morrison e Yanick Paquette

Por Rodrigo Garrit

45

Agora é a vez da Mulher Maravilha receber um especial “Terra Um”, assim com já aconteceu com Superman e o Batman.

Lembrando que essas histórias correm à parte da cronologia (cronologia? Hahaha) dos Novos 52 e tampouco fazem parte do recente Rebirth.

Escrita por Grant Morrison, autor celebridade repleto de trabalhos incríveis no currículo, com arte espetacular de Yanick Paquette, num traço que nos faz querer perder (ganhar) vários minutos admirando as páginas da história.

A trama gira em torno do julgamento de Diana, onde é acusada de desobedecer a rainha Hipólita ao salvar a vida do coronel Steve Trevor que sofre um acidente aéreo e faz um pouso de emergência na Ilha Paraíso. Homens são terminantemente proibidos no lugar, e a sentença para eles é a morte. Não satisfeita em ajudar o rapaz, Diana ainda o escolta de volta para casa em seu recém adquirido avião invisível, conquistado após vencer o torneio das amazonas, também contrariando a vontade de sua mãe.

O que temos então, nada mais é do que a origem clássica da amazona atualizada para os novos tempos, com algumas mudanças importantes, mas que no entanto perdem muito do seu brilho quando comparadas as alterações já implementadas por Brian Azzarello quando escreveu o título da heroína durante os Novos 52. De fato, essa aventura de Morrison teria muito mais relevância se a fase de Azarrello nunca tivesse sido feita, porém, além de superior, essa última retratou com muito mais propriedade os temas propostos, como por exemplo o feminismo sendo mostrado da forma que ele realmente é: a luta pela igualdade entre os sexos e não o favorecimento de um em detrimento ao outro.

Wonder Woman - Earth One v1-035 c¢pia c¢pia

Apesar de nada revolucionário, “Mulher-Maravilha Terra Um” é uma leitura interessante, contém diversas referências ao universo da amazona no decorrer das décadas e é ilustrado de forma magnífica. Dizer que uma história de Grant Morrison não é revolucionária pode decepcionar os fãs do escritor, mas às vezes uma história só precisa ser bem contada. Então não leiam esperando algo do nível que ele alcançou em All Star Superman (“Grandes Astros Superman” no Brasil).

Possivelmente essa HQ da amazona deverá agradar em sua maioria aqueles que já são grandes fãs da personagem, uma vez que mostra uma Diana em sua mais pura essência, e não a guerreira feroz com que o público em geral está acostumado.

Isso é bom? Isso é ruim? Não sei, mas fico com a forte sensação de que era exatamente essa a intenção de Morrison.

Wonder Woman - Earth One v1-126 c¢pia c¢pia

Anúncios

5 comentários sobre “MULHER MARAVILHA: TERRA UM – PRECISAMOS CRIAR UMA AMAZONA MELHOR?

  1. Vi muita gente internet afora falando bastante mal, mas gostei bastante. Concordo que a arte poderia ter evitado algumas poses e caras, mas para mim a mulher maravilha nunca foi tão… maravilhosa, e aí to falando também em termos de discurso, a cena da saída do hospital é tudo aquilo que uma semi-deusa criada somente entre mulheres sentiria. Mas não li a fase do Azzarello, então talvez isso faça a diferença. Outro ponto que gostei muito, e para mim foi ate o melhor da historia, é a narrativa não-linear, cortando a todo momento, sem deixar a historia se perder ou deixar de ser envolvente. Parabens pelo site!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Confesso que fiquei incomodada com a história e, sobretudo, a arte em vários momentos, devido a ultrassexualização da personagem (das personagens). O tempo todo com caras e bocas, poses que, infelizmente, apresentam a Mulher Maravilha da mesma forma que todas as outras personagens femininas nos quadrinhos: a “‘gostosona’ seminua e com ‘cara de safada'”.
    Fico com a MM do Azzarello. E a arte do Chiang é, para mim, mil vezes mais condizente com aquilo que compreendo da personagem.
    Bjs, Rodrigo.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi Lucy, tudo bem? Há quanto tempo!

      Bom, concordo totalmente com a sua opinião, e infelizmente esse tipo de retrato das mulheres é feito em cerca de 90% ou mais das histórias em quadrinhos de Super-Heróis, quando a coisa ainda não é pior, tornando-as mero fetiche. Acho que em se tratando de uma história da Mulher-Maravilha, Morrison poderia, deveria, ter ousado mais no seu discurso e alinhado melhor sua visão com o desenhista; veja bem, continuo achando a arte espetacular, e embora não tenha achado tão forçado na sexualização das personagens (ainda mais comparando com outras HQs protagonizadas por mulheres), sim ele poderia ter dado uma atenção especial a isso… claro que as amazonas são guerreiras e têm corpos atléticos… Se usam roupas curtas, isso é uma questão mais profunda, pois elas devem usar o que quiserem, não precisam cobrir o corpo para mostrar que são “Recatadas e do Lar”, mas o perigo é isso cair na transformação da opção de uma mulher em se vestir como ela quiser com a idealização de um fetiche…

      E sim, Azarrello foi bem mais feliz ao pregar de forma pertinente seu discurso feminista…

      Obrigado Lucy, volte sempre! =D

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s