Shazam: Com uma palavra mágica…

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Por Rodrigo Garrit

Quem  não se lembra do conceito da Família Marvel?

Uma das mais tradicionais famílias de super-heróis dos quadrinhos, formada pelo Capitão  Marvel, Mary Marvel, Capitão Marvel Jr., o tigre Sr. Malhado, o Coelho Marvel, os Tenentes Marvel, etc, etc, etc… mas essa legião de Marvels são coisa do passado, pois discutir sobre o Capitão Marvel hoje em dia é sinônimo de falar sobre uma mulher de atitude que está se consolidando como uma das personagens mais poderosas (em todos os sentidos) da Marvel Comics, Carol Danvers, a Capitã Marvel. Tudo bem, o assunto aqui é o personagem da DC Comics que atualmente atende pela alcunha de Shazam. Billy Batson, o mortal mais poderosa da Terra.

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Mas então, isso significa que todo aquele conceito da Família Marvel morreu junto com a transferência do nome do personagem para a concorrência? Não! Muito pelo contrário.

É bom lembrar que apesar de ser um dos personagens mais queridos do universo super-heroico, o campeão do mago Shazam passou por muitos anos em segundo plano, sendo uma de suas fases mais memoráveis foi aquela produzida por Jerry Ordway, talentoso artista e roteirista que concedeu novo fôlego para o herói.

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Arte de Jerry Ordway

Mais recentemente o personagem também recebeu tratamento especial na minissérie Multiversity de Grant Morrison, onde foi publicado no especial Thunderworld, situado na Terra 5. Essa história resgata a essência do Capitão Marvel clássico, ainda que envolvido com problemas e vilões bem menos pueris do que aqueles dos anos 40 e 50.  Essa mesma inspiração foi usada para compor o personagem na saga Convergência.

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Pouco antes da reestruturação do Universo DC, a que todos conhecem como NOVOS 52, o personagem passou por uma fase muito fraca, onde Billy assumia a responsabilidade pela Pedra da Eternidade e Freedy Freeman foi então eleito seu novo campeão, recebendo ele mesmo a alcunha de “Shazam”. Freedy chegou a fazer parte da Liga da Justiça, onde dividia a Torre de Vigilância com heroínas como a Supergirl, Donna Troy e Jade. A fase teve altos e baixos, mas no geral não agradou a maioria do público… tanto que foi preciso (foi preciso? É talvez tenha sido preciso… ou quem sabe nem tanto) que houvesse uma mudança radical na editora, o famigerado NOVOS 52. Nesse ínterim, cabe lembrar que Mary Marvel fez uma participação sutil, porém muito agradável numa nova versão da Liga da Justiça cômica de Keith Giffen e J.M. DeMatteis (os “superamiguinhos”), e outro personagem da Família Marvel, sua ovelha negra por assim dizer, o Adão Negro foi muitíssimo bem aproveitado por Geof Johns em sua fase como roteirista da Sociedade da Justiça; e o vilão ainda teve grande destaque na minissérie semanal “52” (sempre esse número), onde chegou a formar a sua própria Família Marvel Negra, com Isis e Osiris.

Não posso deixar de destacar aqui também, o maravilhoso de Jeff Smith, autor de Bone, e que nos presenteou com a história “Shazam e a Sociedade dos Monstros”, leitura obrigatória para para os fãs de quadrinhos em geral.

Mas então vieram os NOVOS 52, e como uma grande enxurrada editorial, levou tudo embora, o que estava ruim e o que estava bom também. O que finalmente nos leva a reformulação de Shazam, feita pelo mesmo Geof Johns que revigorou o Adão Negro no passado, ao lado artista Gary Frank. Os dois já haviam trabalhado juntos em Superman e no especial BATMAN TERRA UM.

O Shazam de Johns e Frank é uma desconstrução positiva do personagem. Existem erros, mas a maioria das coisas ali são acertos. Houve uma “ultimatização” da lenda do personagem. (Explicando para os não iniciados em Ultimate Marvel: “ultimatização” é quando você simplifica a história de um personagem que tem décadas de existência e deixa tudo enxutinho para que novos leitores possam assimilar melhor o contexto geral da coisa). Assim sendo, Johns unificou  a mitologia do personagem, ligando diretamente personagens clássicos como o Doutor Silvana, Ibac e o Senhor Cérebro ao Adão Negro e a Pedra da Eternidade. E isso é ótimo, foi um dos pontos positivos da história. A personalidade de Billy Batson, o adolescente rebelde, é bem irritante, no começo, mas faz sentido para um garoto de quinze anos. A reviravolta que faz com que ele seja eleito o campeão de Shazam é a grande jogada do roteiro.

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Mas e a Família Marvel? Cadê a Família Marvel? Não tem mais Família Marvel?

Tem. Mais ou menos.

A família está lá, e ela cresceu. Billy agora faz parte de um lar adotivo, onde divide o teto com outros órfãos acolhidos pelo casal Vasquez. Pedro, Eugene, Darla, Freddy e Mary. Esse conceito já foi apresentado na saga Flashpoint, ainda que de forma diferente. Mas funciona bem aqui, apesar do que pode parecer um excesso… uma coisa que Johns sabe fazer bem é escrever histórias de grupos, sejam de super-heróis, de pessoas ou de pessoas super-heroicas. Essa nova origem do Shazam (sempre me policiando para não escrever Capitão Marvel…) foi contada em histórias curtas no título da Liga da Justiça e posteriormente reunidas num volume único que vale a pena guardar na estantezinha dos gibis especiais.

Como não podia deixar de ser, Shazam acabou integrando a Liga de Johns, e diga-se de passagem achei incrível a participação dele na saga “A Guerra de Darkseid” e a mudança dos deuses com as iniciais de nome que formam a palavra SHAZAM terem sido trocados por Novos Deuses, o que afastou ainda mais o personagem de ser uma sombra do Superman, além de lhe conferir poderes bem diferentes do que os que estávamos acostumados a ver.

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Tudo começa com a busca do mago ancião por um campeão à altura ao redor do mundo que chega até o jovem Billy Batson, que é testado e reprovado como tantos outros antes dele. Mas Billy tem uma presença de espírito que nenhum outro teve antes, e confronta o mago, afirmando que é impossível encontrar uma pessoa totalmente boa que preencha as suas expectativas. Ele explica que esse ideal de perfeição não faz parte da humanidade, logo seria impossível alcançar tal objetivo. Obcecado por não cometer o mesmo erro do passado ao conceder poder ao Adão Negro (que também teve origem recontada), o mago conclui que vem empreendendo uma busca vazia por algo que nunca poderá será encontrado, chegando a conclusão de que Billy está certo.. e decide dar uma chance ao rapaz, entregando seus poderes imediatamente para ele, tornando-o o herdeiro de sua missão sagrada e o novo campeão da magia na Terra…

…e com isso a magia de Shazam volta ao lugar certo, com seu nome mágico sendo pronunciado, trepidando e faiscando suas luzes em um mundo cada vez mais cético e desprovido de fantasia. A nova versão de Shazam de Gary Frank e Geoff Johns tenta nos mostrar mais dessa realidade dura, com diálogos e situações menos ingênuas do que as mostradas nas clássicas aventuras do Capitão Marvel e sua família na Era de Ouro dos quadrinhos. Mas a família ainda está presente. Imperfeita, disfuncional… crível. Ainda é a história do garoto órfão que recebeu os dons dos deuses de um mago ancestral, porém atualizada para um público cada vez menos paciente com amenidades e ávido por combates e explosões… não que a história seja apenas isso.

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Geoff Johns faz um trabalho primoroso de construção de personagens e aos poucos nos conta um pouco mais sobre cada membro da nova família adotiva de Billy, fazendo-nos pensar onde cada um vai se encaixar quando os trovões começarem a soar.

O trabalho de Gary Frank dispensa comentários, é impecável. Se Johns tem uma preocupação milimétrica ao dar profundidade aos personagens, Frank se iguala a ele com seu traço detalhista e limpo, fabricando rostos com expressões intensas e alguns painéis e cenas de lutas espetaculares.

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Johns e Frank surpreendem e excedem expectativas em Shazam. Johns escreve com um cuidado meticuloso; ele está trazendo de volta Billy Batson como detentor do poder Shazam, e realocando toda a sua extensa gama de personagens coadjuvantes de forma que todos ganham destaque e importância na história. E isso inclui desde a nova família de Billy (e até seu tigre), com direito a novos membros e até os vilões que interagem e passam a fazer parte da história um do outro como nunca antes.

O Adão Negro caminha de novo por entre os homens. Ele quer vingança contra o mago que o amaldiçoou. E, correndo o risco de ser redundante… não. Ele não está nada feliz. O gênio é libertado da garrafa. Ou melhor, o campeão dos deuses malignos do antigo Egito é libertado de sua tumba, pela famigerado Dr. Silvana, que rapidamente entende toda a situação e cria o cenário perfeito para tirar o máximo de vantagem de tudo. Silvana promete ajudar o Adão a encontrar o mago, mas sabe que ele próprio é vitima da maldição que a magia do mago pode acarretar.

Mas será que esse novo Billy Batson é mesmo digno? Ou o mago apenas se cansou de procurar?

Só podemos imaginar. E esperar para ver o que acontece da próxima vez que ele disser a palavra…

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