“O DESPERTAR” – Parte dois

Resenha do segundo volume do encadernado publicado no Brasil pela Panini.

Roteiro de Scott Snyder.

Arte de Sean Murphy

Cores de Matt Hollingsworth

Por Rodrigo Garrit.

“Em 2014, uma criatura estranha foi descoberta no fundo do oceano. Ela era aquática, humanoide e inteligente.

Veio à tona que era apenas uma entre milhares.

Hoje, duzentos anos depois, ninguém se recorda de como as criaturas afundaram as metrópoles. Nem de como reconquistaram os oceanos. Simplesmente aconteceu”.

Scott Snyder e Sean Murphy retornam ao seu thriller de ficção científica que criaram para o selo adulto Vertigo, dando continuidade a ele ao mesmo tempo que uma história completa a outra. Com perícia narrativa, os autores costuram os dois volumes que situam-se em épocas diferentes e contam com protagonistas distintas, sem no entanto deixar de conectar as duas tramas de forma a tornar uma a extensão, e de certa forma, a razão de ser da outra. O que raios isso significa? Significa que como estamos falando de uma narrativa não-linear, é possível ler a segunda parte antes da primeira e entender a história do mesmo jeito.

Duzentos anos se passaram e a humanidade se tornou algo totalmente diferente desde que a vimos pela última vez. Muito embora personagem Leeward tenha aparecido em flashes no volume anterior, já promovendo sua importante atuação, é aqui que ela se destaca como a catalisadora dos eventos que poderão resgatar a humanidade do caos que a engoliu. Leeward é obcecada por uma transmissão tida por muitos como um mito, mas que ela acredita ser a chave para mudar a realidade e terminar uma missão iniciada por seus pais. É nesse momento que a conexão com a personagem do volume anterior é estabelecida e Leeward precisa fazer alianças para sobreviver aos ataques daqueles que não concordam com sua visão.

Leeward

Contada de forma meio que cinematográfica (não estranhem se em breve ouvirem sobre uma adaptação para a tela grande dessa história), “O Despertar” mergulha fundo em vários tópicos sobre a evolução humana; a genética que nos permite ser quem somos e onde ela pode nos levar. Snyder nos explica sua versão sobre o surgimento do Homem e discorre a respeito de incursões alienígenas e cruzamento entre espécies. Ao seu modo, nos mostra os rumos de uma sociedade pós-apocalíptica e tenta nos convencer sobre suas teorias mirabolantes, o que, dentro do que se propõe a história, consegue com louvor. Infelizmente, ele peca por correr demais com sua narrativa e nos oferece explicações complexas em poucas páginas, talvez pelo fato de ter pressa em terminar sua história, o que não prejudica sua ideia em si, apenas a forma como ela é contada.

 

A arte de Sean Murphy é espetacular como esperado. (O cara desenha muito e desenha qualquer coisa que seja preciso). Ele já havia mostrado todo seu potencial no volume anterior e não desaponta na sequência. Seu traço evolui com fluidez, e representa com clareza os sentimentos das personagens, bem como o mundo futurista imaginado por Scott Snyder, onde máquinas impossíveis competem os oceanos com grotescas criaturas marinhas gigantes. Vale destacar as cores de Matt Hollingsworth, que são usadas de forma brilhante para destacar as diferentes nuances de cada personagem, quase como se cada um tivesse sua própria assinatura visual. Sério, leia a HQ com isso em mente. É incrível.

Mesmo que não seja a leitura mais genial a ser encontrada no mercado de ficção científica, “O Despertar” se mostra interessante, ainda que em muita vezes o carisma dos personagens esteja acima dos temas propostos (impossível não se apegar ao golfinho Dash!). A história cumpre sua missão e nos leva a querer mergulhar junto com Snyder e Murphy nesse oceano de ideias loucas e adoráveis.

Leia também:

Resenha da Primeira Parte de: “O DESPERTAR” DE SCOTT SNYDER E SEAN MURPHY.

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