SANDMAN: PRELÚDIO 3 – Desejo e Esperança!

Por Rodrigo Garrit

Sonhos dentro de sonhos.

A saga definitiva de Morfeus chega em sua apoteose com a parte final da história narrada por Neil Gaiman para nos explicar o que houve com o Senhor do Sonhar antes de Sandman 1, e explicar o que aconteceu de tão grave a ponto de deixá-lo enfraquecido o suficiente a ponto de ser capturado por ocultistas humanos que o mantiveram em cativeiro por cerca de 70 anos.

Pois bem, com Morfeus nada nunca deixa de ser apoteótico, afinal ele é o pilar que mantém os sonhos de todas as criaturas vivas do multiverso coeso. Acha pouco? Ora, cabe lembrar que sem os sonhos, não haveria a possibilidade da existência, pois essa mesma nada mais é do que um sonho de Deus que ao despertar decidiu torná-lo realidade.

Isso é real? Consta no volume de três de Sandman Prelúdio? Quem sabe? Afinal, tudo são histórias, histórias dentro de histórias, sobre histórias contando histórias para histórias.

Eventualmente surge na natureza uma aberração conhecida como “Vórtice”. É um ser anômalo que interfere no Sonhar, degradando toda a criação. Essa criatura precisa ser destruída antes que cause tal estrago e a responsabilidade de fazer isso é do Senhor dos Sonhos, nosso querido Sandman.

Mas o que acontece quando o Mestre do Sonhar se afeiçoa pelo ser assim conhecido como “Vórtice’? E se ele se recusar a matá-lo? Quais consequências isso traria para a realidade?  Será que existe uma forma de salvar a Criação sem derramar sangue inocente?

Sonhos dentro de sonhos.

Por mais que estejamos falando de uma saga de fantasia cósmica, a grande verdade é que tudo se trata de família. Revelações inéditas e costuras com eventos do passado que irão levar os fãs da série clássica ao delírio. Ou a Delirium, que por sinal é uma das mais agradáveis irmãs de Morfeus, talvez perdendo apenas para a caçula, Morte. Tempo e escuridão abrangendo seus entes Perpétuos, cada qual com seu próprio interesse. Sete irmão tão intrinsecamente ligados e ao mesmo tempo capazes de abismos de distanciamento. Desejo, Desespero, Delírio, Destruição, Destino, Dream (Sonho) e Death (Morte). Uma trágica família disfuncional.  Ou deveria dizer “tradicional”? Cada qual com as suas responsabilidades, ainda que nem todos deem a devida importância a ela.

Sonho é dos que tem a responsabilidade em alta conta, e ao assumir para si a tarefa de impedir a destruição de toda a Criação, exaure suas forças para enfim restabelecer a ordem natural de tudo o que deve ser e porquê deve ser. Mesmo um ser de poder descomunal como um dos Perpétuos não é isento de limites e pode até mesmo morrer, ainda que um outro aspecto de sua essência assuma seu lugar no universo.

Devastado pelo esforço descomunal nunca antes desferido por um dos seus, ao menos de que se tenha notícia, Sonho ficou vulnerável como nunca antes, em sua imensurável existência, sendo assim capturado pelos magos humanos que na verdade pretendiam aprisionar sua irmã mais nova, Morte. Porém, no oceano das possibilidades oníricas, foi  o mestre do Sonhar que eles capturaram. Alheio as manipulações e traições que o levaram a esse fim, Morfeus permaneceu cativo durante setenta anos, e a história de como ele obtém sua liberdade é saga que nos foi contada anos atrás na revista mensal de Sandman de Neil Gaiman.

Não se preocupem, nada do que eu disse acima é um spoiler, tudo isso foi ao menos mencionado na saga regular de Sandman dos anos noventa. Agora meus amigos… a forma como as coisas aconteceram, seus motivos e as maquinações de bastidores… são esses detalhes que fazem tudo valer à pena.

Sonhos dentro de sonhos.

As grandes perguntas que ficam são: isso faz algum sentido? Era mesmo necessário revisitar esse passado? Valeu à pena para Gaiman retornar ao personagem tantos anos depois para nos esclarecer os motivos de tudo ter começado da forma como começou? E a resposta, meus amigos… é sim! Mais do que um lançamento oportunista para alavancar as vendas e voltar a umas das séries mais cultuadas – e lucrativas – da Vertigo, o que temos é uma história contada de forma belíssima, como todo o lirismo que Gaiman sabe tão bem imprimir, emoldurado pela arte estupenda de J.H. Williams III, (Promethea, Batwoman) que ouso dizer, é um dos maiores artistas dessa área de todos os tempos, o tipo perfeito para desenhar o irreal e nos fazer acreditar nele.

A grande e reconfortante conclusão que podemos tirar de Sandman: Prelúdio, é que Morfeus não está morto, ele é atemporal, como os sonhos, assim como Daniel, o aspecto que tomou seu lugar. O conceito dos Perpétuos é complexo e vai além daquilo que entendemos como tempo, ou que podemos apenas imaginar estar oculto na noite gentil. Todos temos parte nisso, estamos conectados de forma irrefreável aos sonhos e isso é uma das coisas mais fascinantes e geniais em sua simplicidade que Gaiman poderia nos contar. Sempre estaremos sonhando sobre tudo, e desses sonhos, faremos brotar a vontade de trazer algo desse reino para o mundo desperto, talvez fazendo dele um lugar melhor. Não podemos subestimar a vastidão desse conceito e seu impacto sobre nós.

Por isso continuamos, ouvindo histórias, criando histórias e sonhando, sonhando, sonhando…

Sonhos dentro de sonhos.

 

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