Love is Love – Quadrinhos em Nome da Tolerância.

Por Rodrigo Garrit

“A indústria dos quadrinhos se junta em honra das vítimas em Orlando. Uma publicação em conjunto entre duas grandes editoras de HQs – DC e IDW – essa revista gigante contém material sensível e comovente de alguns dos maiores talentos dos quadrinhos, em luto pelas vítimas, em apoio aos sobreviventes, celebrando a comunidade LGBT e explorando o amor no mundo dos dias de hoje. Todo o trabalho foi doado gentilmente pelos roteiristas, artistas e editores, com todos os lucros indo para as vítimas, sobreviventes e suas famílias. Faça parte desse evento histórico nos quadrinhos! Não importa quem você ama. O que importa é que você ama.”

O que é o projeto “Love is Love”? 

Por mais que pareça notícia velha, infelizmente falar sobre intolerância ainda não se tornou algo obsoleto. Publicada em parceria pela DC Comics e pela IDW Publishing, “Love is Love” é uma História em Quadrinhos de 144 páginas capitaneada por grandes nomes da indústria como Phil Jimenez, Olivier Coipel, Damon Lindelof, Patton Oswalt, Rafael Albuquerque etc, organizada pelo roteirista Marc Andreyko como tributo às vítimas do ataque sofrido pelos frequentadores da boate Pulse, em Orlando, no dia 12 de junho de 2016. A revista foi colocada à venda em dezembro de 2016 nos EUA e teve o valor de suas vendas revertido para o auxílio da Equality Florida, entidade de luta pela proteção dos direitos LGBT,  e para as famílias das vítimas.

A HQ contém diversas histórias curtas com temas LGBT, tentando trazer um pouco de luz e conforto para aqueles que perderam seus entes queridos de forma tão covarde e brutal.

Não é novidade que os quadrinhos têm servido como uma ferramenta útil de representatividade para minorias, além de mostrar de forma digna e respeitosa muitos personagens gays que provaram não ter nenhuma diferença quando se trata de heroísmo.

É triste, e realmente desanimador ver como algumas pessoas fazem da internet uma espécie de arena onde se digladiam destilando ódio e preconceitos, impondo conceitos arcaicos de machismo, homofobia, sexismo, etc. O curioso é ver alguns gays que escrevem em blogs sobre quadrinhos e entretenimento discursando a favor do preconceito, esperando talvez ganhar alguns cliques a mais com seu tom polêmico. Mais frustrante ainda é constatar que ao não serem capazes de produzir conteúdo interessante, algumas pessoas apelam para a polêmica, inflando egos já exaltados e instigando debates sem fim sobre quem está certo, quem terá razão e quem vai vencer no final.

A grande verdade é que todos nós perdemos, porque é inútil tentar convencer uma pessoa a mudar… isso só vai acontecer se ela própria estiver disposta ao diálogo sincero e realmente quiser dar ouvidos a razão, despindo-se de todas as camadas de intolerância as quais somos imersos desde crianças.

Pregar o ódio atrás de uma tela de computador é fácil. Ofender pessoas sem estar frente à frente a elas, também. É até mesmo uma moda, muito embora nada honrada. Mas sabe o que é mais fácil ainda? Ser gentil. Usar de palavras amigáveis. Debater com civilidade, sem agressões. Sem ofensas. Expor opiniões, e no caso de divergências… devemos fazer aquilo que deveria ser o mais óbvio: demonstrar respeito!

Eu gostaria muito que as pessoas entendessem que isso não precisa ser uma competição, que isso não é sobre alguém querendo mudar o seu estilo de vida, mas sim sobre pessoas que querem viver seus estilos de vida em paz. Viver sua homossexualidade, sua orientação sexual, a qual não é uma escolha e sim uma condição do ser humano, tanto quanto a cor da pele. As pessoas nascem assim e isso não as desqualifica em nada.

“A diversidade nos torna mais fortes. Abraçá-la nos torna mais humanos”

Quando temos personagens gays nos quadrinhos, ou mulheres, ou mulheres negras, isso significa apenas que essas minorias estão aos poucos ganhando algum espaço, e por mais que as pessoas contrárias não acreditem, ainda é muito pouco. Não há problemas em personagens serem trocados por outros de etnias diferentes. Não há mal nenhum quando determinado personagem se descobre bi ou homossexual. As histórias estão ali para ser contadas, e se forem boas histórias, isso é o que vai prevalecer, é isso que os leitores querem.

Arte de Luciano Vecchio 

Não podemos culpar as baixas vendas de um ou mais títulos pelo fato do protagonista ser gay ou negro, ou mulher, ou ainda as três coisas. Uma revista tem baixas vendas quando o roteiro é fraco, quando a arte deixa a desejar. Isso sim deve ser questionado e cobrado das grandes editoras. Qualidade editorial, roteiros inteligentes e arte competente. Infelizmente a indústria dos gibis vem sofrendo altos e baixos, com alguns momentos de recuperação, mas ainda longe de seu auge. Não vamos simplesmente atribuir tudo o que há de errado ao fato da cor da pele dos personagens, ou ao seu sexo, ou a sua orientação sexual. Boas histórias vendem, é isso que precisa ser feito, é isso que queremos. Jogar essa conta nas minorias é permitir que um preconceito emerja e tome conta de nossas almas, nos contaminando e perpetuando nada além de ódio e desavenças sem fim.

Personagens do universo de Harry Potter no traço de Jim Lee, apoiando a causa gay com a benção da criadora dos personagens, J.K. Rowling.

Se queremos que a qualidade das HQs melhorem, devemos cobrar das editoras essa qualidade, devemos valorizar os bons profissionais da área, e prezar pelos títulos que valem a pena ser lidos. Coisas como etnia, orientação sexual, religião, sexo etc devem ser o menos importante.

Dito isto, espero sinceramente que de alguma forma, toda essa raiva desmedida, seja amenizada e até mesmo apaziguada. Devemos parar de mirar nos alvos errados. Somos todos humanos, somos diversos, e não nos cabe mais acreditar numa sociedade onde apenas uma etnia com a mesma orientação sexual será sinônimo de Histórias em Quadrinhos bem sucedidas.

Histórias em quadrinhos. Trabalho. Escola. Relacionamentos. Vida.

 

Apollo e Meia Noite, um dos casais gays mais famosos dos quadrinhos.

 

 

 

 

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