PROVIDENCE de Alan Moore para Lovecraft

Ou “De Lovecraft para Alan Moore”.

Por Henry Garrit 

Estamos em Nova York, no ano de 1919. Robert Blake é um repórter que sonha em escrever um grande romance. Em busca da história perfeita, ele segue o rastro de um suposto livro maldito, o que o faz embarcar numa viagem pelos Estados Unidos atrás de pistas sobre esse tomo misterioso, fazendo-o entrar em contato com algumas exóticas pessoas (ou “não pessoas”) das quais não poderia imaginar.

Mas Robert também tem seus segredos e um lado de sua vida que a maioria das pessoas nem desconfia.

Alan Moore retorna ao universo de terror cósmico de H.P. Lovecraft, após sua primeira e bem-sucedida incursão a esse mundo, quando escreveu as histórias do compilado NEONOMICON. Entretanto, embora supostamente se passe no mesmo universo, PROVIDENCE não é uma continuação ou sequer faz relação direta ao projeto anterior, podendo ser lido de forma independente.

Chamado por alguns de o Watchmen do Terror, Providence, é claro, possui um texto extremamente inteligente, com inúmeras referências e pequenos detalhes que enriquecem o já bem amarrado roteiro. Talvez compará-lo a Watchmen seja injusto, Providence tem seus próprios méritos e Alan Moore os explora de forma magistral.

A HQ combina diversos elementos da mitologia criada por Lovecraft, e para os que conhecem a obra do falecido escritor americano, é possível reconhecer muitas inferências a vários de seus contos. No entanto, o que prevalece é o mistério envolvendo o livro proibido, Necronomicon e sua ligação com os seres demoníacos e alienígenas, como Cthulhu. Mas Moore prefere não nomeá-los, conseguindo desviar a direção óbvia das crias de Lovecraft, conduzindo a história com identidade própria ao mesmo tempo que referencia e homenageia o autor americano.

Entre cada capítulo, somos presenteados com easter eggs da história, como o diário de Robert e outros elementos apresentados nela, por exemplo, panfletos que o personagem adquire durante seu percurso e até mesmo desenhos entregues a ele por outra personagem. Nesse aspecto, a obra de fato lembra o recurso utilizado em Watchmen, concedendo a ela impecável veracidade, proporcionando ao leitor uma experiência mais imersiva na trama.

Os desenhos ficam a cargo de Jacen Burrows, por sinal, o mesmo de Neonomicon. O artista se esforça para adequar suas ilustrações ao roteiro detalhado de Moore, preenchendo cada quadro com algum significado, ou pelo menos algum elemento que nos faça pensar que será de alguma forma relevante ao avançar a história. Ele consegue ser bem-sucedido nessa dificílima missão, muito embora não seja um Dave Gibbons… mas estaríamos sendo injustos ao comparar novamente Providence com Watchmen.

Ao todo, Providence é uma série em doze números da editora AVATAR PRESS. A Panini publicou no Brasil um encadernado com as quatro primeiras edições.

Vamos aguardar e torcer para que essa obra fascinante seja publicada de forma integral!

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2 comentários sobre “PROVIDENCE de Alan Moore para Lovecraft

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