PROMETHEA de Alan Moore e J. H. Williams III ! Porque se ela não existisse, precisaríamos criá-la.

Por Henry Garrit

Eu sei, isso vai parecer muito redundante… mas… tem uma coisa muito importante que vocês precisam saber sobre Prometeia. Bem… ela… ela é uma história.

Tá, antes que você me julgue por esclarecer uma coisa tão óbvia, por favor, ouça o que tenho pra te contar.  Relaxe, respire, fique bem acomodado. Porque, sim, é isso o que eu vou contar agora.

Uma história. A história de Prometeia.

QUEM É PROMETEIA?

Sofia Bangs queria fazer uma pesquisa sobre uma personagem recorrente da literatura, “Prometeia”e ao entrevistar a viúva do último escritor a redigir algo sobre ela, descobriu que esta fora uma das muitas encarnações dela. Prometeia é uma ideia viva, um conceito que assumiu a forma de diversas mulheres para propagar sua mensagem de igualdade e justiça. Após a ocorrência de eventos catastróficos, a própria Sofia acaba se tornando a nova Prometeia, levando assim seu legado adiante. Através de seus olhos, enxergamos novas tonalidades de magia, filosofia e sonhos, os quais tocam nossa realidade através de um local onírico conhecido como “Imatéria”.

Além de sua busca por autoconhecimento, Sofia/Prometeia também se torna uma heroína e passa combater o mal onde quer que ele surja.

Mas as coisas vão muito além disso.

Ela foi criada do âmago da alma humana, pois, nós humanos, somos capazes de contar histórias. E as vezes as histórias criam vida. Figurativamente? Quase sempre. Literalmente? Às vezes.  No caso de Prometeia? Com certeza. PROMETHEA é um manual de magia para iniciantes, que usa como pano de fundo a figura alegórica de uma “super-heroína científica” em quadrinhos de fantasia. Mas ela é muito mais do que isso. A trama é uma jornada guiada por Alan Moore, uma ferramenta usada por ele para nos mostrar sua visão dos conceitos que regem a realidade, a matéria ou irrealidade, a imatéria. Sim, pode ser chamado como um manual de magia, mas não da forma como muitos poderiam conceber. Ela trata da questão de que muitas vezes a realidade é mais frágil do que a imaginação, e sua influência em nossas vidas não deve ser desprezada.

Talvez uma das sequencias mais interessantes tenha nascido de um pretexto supostamente bobo do autor. Ao invés de deixar sua amiga Bárbara seguir seu caminho pelo além vida em paz, Sofia decide estudar magia para segui-la a fim de se assegurar que ela alcance o lugar que merece e encontre o descanso final. Ela procura um mago e começa suas aulas, (as quais são pagas com sexo, e isso não é escandaloso, as pessoas deveriam parar de ver o sexo como uma coisa suja) e acabamos participando de suas aulas e encontros sexuais (que muitas vezes são a mesma coisa). Mas quem revela os segredos ocultos da existência para Sofia/Prometeia são Mick e Mack, as serpentes que envolvem seu caduceu.  Além de descobrir que elas falam, a heroína descobre nelas grandes mestres para o caminho da magia, nos levando a uma verdadeira imersão onírica que passa por várias crenças e culturas, do Tarô à Kaballah, do Céu ao inferno, da Morte e da Vida.

A arte é um espetáculo deslumbrante proporcionado pelo traço único de J.H. Williams III, repleto de páginas duplas com cenas psicodélicas que talvez sejam o mais próximo possível de se retratar a magia de Alan Moore. Os leitores de Batwoman sabem que depois disso ele teve uma passagem memorável pelo título, que tinha Greg Rucka nos roteiros, bem como na série Sandman Overture, onde deu vida a história de Neil Gaiman.

Prometeia não pode ser rotulada apenas como super-heroína, ela transcende esse arquétipo e toca os limites da exaustiva repetição do conceito, provando que é possível inovar, ignorando padrões e apresentando novas formas de se contar histórias. É mais uma inserção de Alan Moore as infinitas nuances de possibilidades, mostrando de novo e novamente que os quadrinhos podem ser muito mais do que o esteriótipo de histórias rasas e infantis.

Promethea é uma ideia, um conceito. É a salvação das histórias. É a renovação e o frescor de um novo tempo, uma revolução em forma de mulher.

Se ela não existisse, precisaríamos criá-la.

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2 comentários sobre “PROMETHEA de Alan Moore e J. H. Williams III ! Porque se ela não existisse, precisaríamos criá-la.

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