Justiça Jovem: Os Legados Não Morrem Jamais!!

Ou: “A velha guarda de uma juventude perdida”.

Ou: “Nada de ‘ou’, chega de ‘ou’, vamos logo ao texto”.

Por Henry Garrit

Houve um tempo em que eles eram jovens,

E estavam entre nós, faziam parte da uma história que gostávamos de pensar que era real, mesmo que tivéssemos certeza de que nunca foi. Coisa de fã. Como explicar ao cérebro aquilo que apenas o coração entende? Eles nunca estiveram conosco… Mas em nosso íntimo, sabíamos que estavam…

Papo maluco. Ok, vamos começar de novo.

Houve um tempo que eles eram jovens,

Os jovens justiceiros que levariam o legado de seus mentores a diante. Não, não estou falando dos Novos Titãs, mas vocês já sabem disso. (Até porque o título dessa resenha é Justiça Jovem: Os Legados Não Morrem Jamais!!) . (Um Pouco cafona esse título não? Ainda dá tempo de mudar? Tudo bem, vamos em frente…)

Robin, Impulso e Superboy salvaram o mundo e decidiram fundar uma equipe. Eles recebem o apoio (com vários “pés atrás”) da Liga da Justiça, que empresta sua caverna e ex-QG para ser sua base. Lá eles encontram o Tornado Vermelho, ex-membro da Liga que abandonara sua humanidade, mas ao testemunhar a interação dos jovens, perde a paciência percebe que ainda havia propósito para sua existência e se reativa, tornando-se seu tutor.

A partir daí os jovens heróis saem em busca de problemas para resolver, enfrentam vários inimigos, brigam entre si, fazem as pazes, brigam de novo, fazem as pazes mais uma vez e recebem outros como eles em suas fileiras.

O ano era 1998 e Peter David escreveu um pedaço da história das HQs quando lançou o título protagonizado por Robin (Tim Drake), Superboy (O Clone ainda sem nome civil na época) e Impulso (Bart Allen). Claro que as meninas logo se juntariam a eles… Flechete (Cissie Jones), Segredo (Hã… Segredo!) e Moça-Maravilha (Cassandra Sandsmark, a sucessora de Donna Troy, vinda diretamente das páginas da Mulher-Maravilha produzida por John Byrne). Claro, muitos  viriam depois. E uma das melhores séries de animação seria inspirada neles. E eles seriam apagados, ou reformulados, e enfim dissolvidos no futuro. Mas não estamos aqui para falar de futuro e sim de uma juventude de passado, que eu não sei como nem quando… um dia retornará.

Na contramão da tendência dos roteiros ultrarrealistas dos anos 90, repletos de cenas de violência, mutilação, e histórias “cabeça”, Peter David nos trouxe humor e leveza com sua Justiça Jovem, algo que só era visto com a Liga da justiça Internacional de Keith Giffen e J.M. DeMatteis. Mas longe de ser uma cópia, os jovens justiceiros tinham sua própria voz e redefiniram o conceito de aventuras juvenis nos temíveis anos 90.

Talvez ele mesmo não tenha tido na época a noção do impacto que teria nesses personagens, e o desenvolvimento que eles viriam a ter posteriormente, seja individualmente ou quando viessem a formar uma nova equipe dos Jovens Titãs. (Ou talvez ele soubesse sim, tenho pra mim que ele planejou tudo desde o começo).

David mantinha os diálogos afiados como nunca, e debaixo de todo aquele humor, podíamos encontrar alfinetadas à indústria dos quadrinhos e até a ele mesmo em seus trabalhos anteriores. Mas, mais do que apenas aventuras bem-humoradas com adolescentes, ele trouxe à luz vários temas relevantes aos jovens, falando com eles em sua linguagem, e entretendo ao mesmo tempo em que passava sua mensagem sem ser chato ou didático.

Ainda que atualmente estejam relegados ao limbo editorial (por enquanto), a Justiça Jovem cumpriu sua missão de suavizar as tintas escuras dos quadrinhos dos anos 90 e principalmente nos mostrou que (momento brega e sentimental) o valor da amizade é incalculável e devemos aprender a não nos levar tão a sério…

Houve um tempo em que eles eram jovens,

(Meu Deus, de novo isso… O que esse cara tem na cabeça?)

Eles eram e sempre serão, ao menos em nossa memória, os jovens justiceiros que foram nossos amigos e estavam lá quando precisamos… Nos fazendo companhia em noites frias.

(Espera, tá ligado que eles eram personagens de quadrinhos né? Só pra saber.)

Foram nossos confidentes e ombros amigos quando ninguém mais podia nos dar apoio… No escuro daquele quarto com a parede descascando, e o som das risadas debochadas ainda ecoando em seus ouvidos, fazendo você pensar que nunca mais teria amigos, e que da próxima vez seria melhor pensar duas vezes antes de fazer um sanduíche de quatro andares com leite condensado e manteiga…

(Ok, isso foi bem específico…)

Toda referência que temos na juventude, ajuda a formar o adulto que um dia nos tornaremos. Mesmo que eles não estejam mais conosco agora, foi um privilégio tê-los nessa época da vida.

(Beleza, eu desisto.)

Os Titãs já voltaram.

Aguardemos o retorno da JUSTIÇA JOVEM!

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3 comentários sobre “Justiça Jovem: Os Legados Não Morrem Jamais!!

    1. Essa cena faz alusão a fase de Peter David no Aquaman, onde o personagem teve sua mão amputada e trocada por um arpão, e ostentava cabelos longos e barba comprida (estilo que serviu de inspiração pro visual de Jason Momoa no filme da Liga).

      Curtido por 1 pessoa

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