Os Invisíveis – Infernos Unidos da América

Por Henry Garrit

Resenha do 4º encadernado que inicia o Volume 2 de Os Invisíveis – Infernos Unidos da América (Bloody Hell In America)

Com roteiro e arte de Grant Morrison e Phil Jimenez e John Stokes.

Se preferir, pode ler as resenhas dos números anteriores: A Revolução, Abocalipse e Entropy in the U.K.

Atrás das cortinas da realidade existe um mundo (ou mundos) escondido (escondidos) onde uma orquestra rege sua sinfonia de controle, opressão e distopia, arranhando as paredes do nosso cérebro com mensagens subliminares, os invasores conhecidos como ARCONDES querem nos fazer de títeres de seus interesses.

King Mob, Ragged Robin, Jack Frost, Lord Fanny e Boy são os membros de uma célula da resistência humana conhecida como “Os Invisíveis” que luta contra os seres interdimensionais que invadiram a nossa realidade e nos manipulam há tempos sem que a maioria sequer perceba que isso acontece.

Os Invisíveis são os únicos que conhecem a verdade. E não vão deixar isso barato.

Uma velha amiga de King Mob surge com notícias urgentes. Uma instalação secreta fora descoberta, onde diversos esquemas eram ocultados e/ou distorcidos para benefício próprio dos ARCONDES. E como esquemas, estou falando aqui de experimentos genéticos ilegais, tortura, assassinatos, e a elesestãotecontrolandoevocênemsabe criação de vírus, armas de destruição em massa e uma suposta cura para a AIDS, ocultada da população em geral. Mas invadir esse lugar não é tarefa nada fácil e para conseguir êxito nessa missão, a equipe precisará dar tudo de si, sem nenhuma garantia de sobrevivência. E durante o percurso, algumas informações sobre os personagens são reveladas, e uma missão muito mais importante e que já vinha se desenrolando há tempos vem à tona.

Esse capítulo explora importantes revelações e confidências entre King Mob e Ragged, coisas sobre paredes invisíveis e máquinas do tempo. Em outro momento, vemos também uma inusitada e bem construída dinâmica entre Jack e Fanny. (Além dela protagonizar uma das cenas de briga de bar mais “lacradoras” já vistas).

Se você chegou até aqui, sabe que o roteiro de Grant Morrison é normalmente não-linear, contado de forma psicodélica e é (às vezes literalmente) um salto de paraquedas rumo a um labirinto infinito de dimensões aleatórias. E é claro que “Infernos Unidos da América” não foge a essa regra, ainda que não tão rebuscado quanto algumas das HQs anteriores, ainda que trate de forma inteligente um tema batido como viagem no tempo. A arte de Phil Jimenez ajuda a dar clareza de pensamento aos impropérios de Morrison, com seu traço limpo e bem definido que proporciona ótima caracterização aos personagens e as viagens transcendentais propostas pelo roteirista. Vale sempre destacar também as capas espetaculares produzidas por Brian Bolland para todos os números da série.

Mesmo que não tenha aquele pesado clima punk dos anos 80 que os primeiros números trouxeram de forma muito bem-vinda e condizente com o conceito da história, “Infernos Unidos da América” se mostra mais um capítulo notável e de grande importância para o grande mosaico da saga dos Invisíveis. Este número deixa ainda mais próxima a conexão da HQ com o filme “Matrix” (que, sempre é bom lembrar, veio depois da obra de Morrison), ainda que eu relute em enxergar algum tipo de plágio, fica difícil não fazer comparações, principalmente quando nessa edição o leitor se depara com a citação a um certo “Reuben Zion”, numa sequência passada no futuro, desenhada por John Stokes. Em Matrix, “Zion” é o nome da cidade criada pela resistência humana contra as máquinas. Coincidências e teorias da conspiração à parte, é mais um elemento a fulgurar na imaginação dos leitores, e um easter egg involuntário.

Uma curiosidade para os fãs da série STRANGER THINGS da Netflix, é que no sétimo polêmico episódio da segunda temporada, (um dos meus preferidos) vemos as palavras “King Mob“, “O´Bedlam” e “Barbelith” (leia as resenhas anteriores para entender o significado) pichadas nas janelas do esconderijo da irmã de Eleven, em uma ambientação que nos remete diretamente àquele pesado clima punk dos anos 80 executado de forma tão satisfatória nos primeiros números de Os Invisíveis e nesse episódio da citada série. Evocar essas palavras no episódio concede a ele  profundidade e prova que sim, Os Invisíveis ainda são lembrados, atuais e relevantes.

Cena de “Stranger Things”

Lançado pela primeira vez em  1994 nos EUA, “Os Invisíveis” surgiu como uma grande metáfora de transgressão e inconformidade, sendo basicamente uma história sobre rebeldia e combate ao domínio daqueles que se julgam poderosos. Então, atualmente essa história continua sendo relevante ou envelheceu? Levando em consideração os diversos retrocessos que assistimos diariamente que vão desde a defensores da teoria da Terra plana, a negação da existência do efeito estufa, a polarização política e social fomentada pelas redes sociais, a “validação” de velhos preconceitos em nome da fé ou dos “bons costumes”, o racismo e os discursos de ódio disfarçados de liberdade de expressão a que somos expostos diariamente… Sim, eu diria que “Os Invisíveis” não envelheceu, ao contrário, está possivelmente mais relevante do que na época de seu lançamento e nos mostra a importância de mantermos nossa mente em constante estado de questionamento crítico… Pois se baixarmos a guarda, estaremos elesestãotecontrolandoevocênemsabe a mercê da manipulação daqueles que se beneficiam em nos deixar presos a obscuridade.

Tenha cuidado. Sempre questione. Nunca se conforme.

elesestãotecontrolandoevocênemsabeelesestãotecontrolandoevocênemsabeelesestãotecontrolandoevocênemsabeelesestãotecontrolandoevocênemsabeelesestãotecontrolandoevocênemsabeelesestãotecontrolandoevocênemsabeelesestãotecontrolandoevocênemsabeelesestãotecontrolandoevocênemsabeelesestãotecontrolandoevocênemsabeelesestãotecontrolandoevocênemsabeelesestãotecontrolandoevocênemsabe

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s