JOHN CONSTANTINE: HELLBLAZER! ORIGENS – Volume 5 – “Histórias Raras”

Por Henry Garrit

“‘Escreva tudo’, disseram, contenha essas ideias, encontre uma forma de interpretá-las. Mas como interpretar ideias sem sentido ou conter a efervescência do universo?”

Bem vindos a mais uma resenha de outro encadernado do nosso adorável canalha John Constantine em sua fase áurea da Vertigo no título Hellblazer! Seguindo a nossa sequencia, falaremos hoje sobre o volume 5 publicado no Brasil pela Panini, “Histórias Raras”, onde vários autores se reuniram para contar novas passagens sombrias do mago inglês.

Podemos separar esse encadernado em três etapas.

Primeiro, temos as histórias de Jamie Delano, dando continuidade a sua elogiada fase na revista. Em segundo lugar, temos as histórias curtas escritas por Grant Morrison e Neil Gaiman, para dar um descanso para Delano que volta então para a última etapa, onde inicia o memorável arco “O Homem de Família” (adaptado de forma satisfatória na finada série de tevê do personagem).

Falemos então separadamente de cada etapa.

Hellblazer anual 1 de 1989, escrita por Jamie Delano, tratou de um perturbado (mais?) Constantine ainda se recuperando de suas idas e vindas do hospício Ravenscar, onde somos apresentados a um devaneio que nos remete a uma inusitada história de um certo cavaleiro medieval que conviveu com o mago Merlin e teria assumido o comando de um reino chamado Ravenscar, banhando-o em sangue e magia. Seu nome? Kon-Stein-Tyn.

Contada de forma espetacular, usando conexões aparentemente improváveis e que qualquer um duvidasse que funcionassem, “O Santo Sanguinolento” surpreende por nos tirar totalmente do contexto ao qual estávamos acostumados e ainda assim manter a narrativa em um padrão elevado, onde mesmo que a maior parte da ambientação seja estranha e o foco esteja em outros personagens, ainda identificamos nela o mesmo clima das histórias de Hellblazer, dando-nos uma estranha sensação de conforto. Sim, embora tudo seja um grande devaneio (ou provavelmente não), tudo leva a crer que o tal cavaleiro seria um (prepare-se para o “choque”) antepassado de Constantine!

Logo em seguida, temos uma HQ/Vídeo Clipe ( você leu certo), “A Vênus do Varejo”, o maior (e talvez o único) sucesso da banda “Membrana Mucosa”, da qual Constantine foi vocalista. Leia a letra completa da música AQUI.

Delano então retorna a já insólita continuidade do título, dando início ao arco “O Homem de Família”, onde nos apresenta aquele que foi o primeiro grande inimigo não sobrenatural do mago, não que isso fizesse dele uma ameaça menor, muito pelo contrário. A densidade com que a história é contada, nos imerge nas situações extremas apresentadas, fazendo-nos sentir empatia pelas vítimas do assassino serial, e com isso,  que soframos juntos as suas perdas. Conforme indicado numa nota de rodapé, a conclusão dessa história seria publicada apenas no encadernado seguinte. (Resenha em breve!)

Grant Morrison escreveu uma história em duas partes, “Alerta de defesa” e “Como aprendi a amar a bomba”, onde revela uma faceta diferente de Constantine, enfrentando uma ameaça advinda das trevas que existem em cada ser humano. Essa HQ faz jus ao gênero de terror ao mostrar algumas cenas bem impactantes, principalmente no tocante a capacidade humana de fazer o mal. Aqui temos um festival com diversas pessoas ensandecidas usando máscaras grotescas e praticando as piores barbaridades que se poderia imaginar. Uma história bem contada e com desenhos à altura, cujo final é realmente explosivo.

Fechando o encadernado, “Abraço” de Neil Gaiman e Dave McKean faz uma grande reflexão sobre a solidão e o desprezo que algumas pessoas passam, o desespero por atenção e as consequências da crueldade contra os menos favorecidos. E aqui vai uma grande viagem da minha cabeça: leia essa história tendo e mente que Gaiman está mandando uma mensagem para o cocriador de Constantine, Alan Moore. Principalmente com o que é dito nas últimas páginas.

É claro que é especulação minha, mas se pensar bem, e levando em conta todo o seu histórico, talvez o que Moore precise seja mesmo de um grande abraço.

Leia as resenhas anteriores de Hellblazer – Origens:

Vol. 1  – PECADOS ORIGINAIS

Vol. 2  – TRIÂNGULOS INFERNAIS

Vol. 3  – NEWCASTLE E A MÁQUINA DO MEDO, ATO I

Vol. 4  – A MÁQUINA DO MEDO – ATO II

 

 

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