Justiceiro – resenha de uma das melhores adaptações de quadrinhos pela Netflix

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Por Henry Garrit

Frank Castle está a solta à Netflix, e seu dedo está coçando pra matar vagabundos.

Inserido na continuidade da série do Demolidor, foi aclamado pelos fãs e acabou recebendo uma série solo. E embora exista nessa cronologia, não interage com outros personagens como Jessica Jones, Luke Cage, Punho de Ferro ou mesmo com o próprio Demolidor, embora mantenha contato com Karen Page, que acaba sendo o elo de ligação dessa série com seus companheiros da Marvel. E sinceramente é bem melhor assim, afinal, dá pra imaginar o Justiceiro nos Defensores?

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Jon Bernthal, the Punisher

O que vemos aqui é Frank tentando retomar a sua vida após a suposta vingança contra as pessoas que causaram a morte de sua família. Não que ele esteja se saindo muito bem com isso. Frank está quebrado psicologicamente e não vive, apenas existe. Sem sua família, ele perdeu toda a esperança. E sem sua vingança, perdeu o propósito.

As coisas mudam quando novas circunstâncias o atropelam, forçando-o a retomar suas atividades com Justiceiro. No começo ainda relutante, ele tenta se manter em sua bolha de solidão, porém surgem novas conexões pessoais que o impelem a voltar à ativa. E em meio a uma caçada a criminosos, ele descobre novos fatos sobre o assassinato de sua família.

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Agente Sam Stein (Michael Nathanson) e a agente Dinah Madani (Amber Rose Revah)

Por que assistir?

Primeiramente a escolha do ator Jon Bernthal como protagonista foi um golpe de mestre. Seu rosto já era conhecido dos fãs de The Walking Dead, onde interpretou o personagem Shane e já havia provado o quanto poderia ser brutal… Mas estava só esquentando. A série é um dos maiores acertos da Netflix dentro de suas tentativas de adaptar os personagens urbanos dos quadrinhos da Marvel para a telinha. Considerando que Demolidor e Jessica Jones foram impecáveis, Luke Cage foi “ok” e Punho de Ferro fracassou, tivemos a série dos Defensores que uniu esses personagens e apesar de muitos momentos interessantes, decepcionou como um todo.

Mas o assunto aqui é JUSTICEIRO.

A série tem um roteiro inteligente e bem amarrado, com personagens críveis, profundos e com motivações convincentes. A relação de Frank Castle com Micro ganha uma dinâmica curiosa; Frank perdeu sua família e Micro teve que deixar a sua para protegê-la. A aproximação de Frank com a família de Micro coloca no ar uma perspectiva até então nova na vida do Justiceiro: Ele seria capaz de se refazer?

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David Lieberman / Micro (Ebon Moss-Bachrach)

Durante a história somos apresentados também a outros personagens com suas próprias subtramas, o que poderia ter se tornado cansativo se fosse feito apenas para alongar a série, mas não foi o caso. Todos têm uma função definida e uma razão para estarem ali; cada um teve relevância para o grande painel que se montava.

Lewis Wilson por exemplo, se tornou um ponto de intersecção entre os eventos principais e seu próprio conflito, puxando ainda mais Frank para uma vala de sangue e violência ao mesmo tempo que o encaminhava para seu próprio objetivo.

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Curtis (Jason R. Moore) e Lewis ( Daniel Webber)

Justiceiro é fiel aos quadrinhos e tem clara influência de filmes do gênero, o que só ajuda a compor a ótima dinâmica entre os personagens e as conclusões bombásticas de suas pendências.

A prova disso é o uso de um vilão clássico das HQs, que embora tenha sofrido algumas modificações na adaptação para a tevê, se provou tão mortífero quanto sua contra-parte dos gibis, com uma ligação ainda mais profunda e íntima com Frank, tornando seu conflito ainda mais pessoal.

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Billy Russo (Ben Barnes)

A série travou algumas discussões morais sobre abuso de poder por parte das autoridades, o controle sobre a liberação do porte de armas para civis e a mais importante de todas, aquela sobre se fazer justiça com as próprias mãos. Isso fica bem claro quando comparamos as ações do personagem de Lewis Wilson com as do próprio Frank Castle. Wilson é movido por sentimentos confusos e um discurso de totalitarismo que leva a cometer atos de terrorismo e Castle, apesar de seguir seu próprio código de honra, mata apenas aqueles que ele julga culpados… Mas isso dá ao Justiceiro o direito de fazer o que faz? Um certo advogado cego que até pratica vigilantismo não concordaria em nada com os métodos de Frank, mas isso faz dele mais heroico? Mesmo que não mate os criminosos, não está também infringindo a lei?

A série não responde essas questões, mas deixa a reflexão para o telespectador, mostrando que nem tudo é preto no branco e que esses assuntos ainda precisam ser urgentemente debatidos por toda a sociedade.

No mais, se você espera uma história muitíssimo bem construída, repleta de adrenalina, ação desenfreada, (alguns “momentos família”) e sangue esguichando aos baldes, Justiceiro é sua série!

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S_Final

Henry Garrit é autor de vários livros de ficção, fantasia e terror. Ele também escreve HQs, onde criou alguns personagens, dentre os quais se destacam “MONTE CASTELO”, um arqueólogo que está sempre às voltas com o sobrenatural e “VÊNUS” sua heroína de ficção científica.

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