Vingadores Vs. X-Men Vs. Quarteto Fantástico

VINGADORES VS X-MEN

Por Henry Garrit

Então você pensa que HQs de 1987 certamente estão datadas e dificilmente conseguiriam prender sua atenção nos dias de hoje certo? Não? Nem pensou nisso?

Pois é, eu também não.

Numa época em que nem se imaginava o grande sucesso que os personagens fariam no cinema, onde não existia essa discussão pela disputas dos direitos e que a compra da Fox pela Disney não afetaria tão drasticamente seus rumos, foram lançados nos EUA os crossovers que hoje os fãs mais querem ver nos cinemas: VINGADORES Vs. X-MEN e X-MEN Vs. QUARTETO FANTÁSTICO.

Agora reunidos em um único encadernado, o volume contempla ainda as edições X-Men 9 e Fantastic Four 28, onde foram mostrados os primeiros confrontos dessas equipes com os Vingadores, com roteiro e arte de ninguém menos que Stan Lee e Jack Kirby, o que por si só já torna essa edição histórica.

Ao contrário do que se poderia pensar, não se trata de uma história reunindo as três equipes, mas duas minisséries compiladas onde são mostrados os encontros dos X-Men com o Quarteto e os Vingadores.

X-MEN Vs AVENGERS, foi uma minissérie em quatro edições com roteiro de Roger Stern e desenhos de Marc Silvestre nos três primeiros números e roteiro de Tom DeFalco e Jim Shooter com desenhos de Keith Pollard em sua conclusão. Nela, temos o vislumbre de um status quo muito diferente do atual. Os Vingadores tem em suas fileiras heróis como Capitão América, Doutor Druida, Mulher-Hulk, Cavaleiro Negro, Thor e Capitã Marvel (Monica Lebeau). Já os X-Men eram formados nessa época por Wolverine, Tempestade, Vampira, Cristal, Destrutor e… Magneto.

Sim, depois de passar por um renascimento, Magneto se tornou um novo homem e se uniu a causa mutante de seu amigo Charles Xavier, que havia sido dado como morto.

A queda de um fragmento do Asteroide M, um resquício do passado vilanesco de Magneto, chama a atenção dos Vingadores, que decidem que é hora de levá-lo a justiça. Mas eles não são os únicos; na Rússia, uma super-equipe conhecida como Super Soldados Soviéticos também quer vingança contra os atos odiosos do Mestre do Magnetismo e não confiam no Capitão América e seus companheiros para levá-lo sob custódia. E no meio dessa disputa, estão os X-Men, que, até que se prove o contrário, tem em Magneto um confiável parceiro.

A batalha está armada.

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Arte de Marc Silvestri

Os números escritos por Roger Stern se mantém dentro da média, nada muito épico como se poderia esperar, mas em sua simplicidade, uma boa história. A conclusão conduzida por Tom DeFalco e Jim Shooter (também o editor da publicação) muda bastante os rumos traçados por Stern, conduzindo Magneto a mais um julgamento (isso já havia sido explorado por Chris Claremont) nos mostrando habilidades mutantes no mestre do magnetismo que forçaram bastante a barra, como por exemplo o dom acompanhar psiquicamente a Capitã Marvel em determinado momento do enredo usando uma “consciência magnética”. Mesmo com essa forte sensação de estranheza, a HQ termina de forma razoavelmente satisfatória, deixando a sensação de que poderia ser muitíssimo melhor explorada se seguisse sua premissa de um confronto entre os Vingadores e os X-Men, algo que fora abandonado e substituído pelo chamariz que o julgamento de Magneto poderia provocar.

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FANTASTIC FOUR Vs THE X-MEN também teve quatro números, com roteiro de Chris Claremont e desenhos de Jon Bogdanove. Pegando o gancho deixado pela saga MASSACRE DE MUTANTES, vemos que vários X-Men foram feridos e tiveram seus poderes colocados fora de controle, como foi o caso de Kitty Pryde, a Lince Negra, cujo corpo se tornou etéreo de modo que ela não conseguia reverter a sua forma sólida. Pior do que isso, sua condição se agravava gradualmente e em algum tempo ela simplesmente deixaria de existir.

Numa época em que a formação dos X-Men contava com Lince Negra, Colossus e Noturno que se encontravam feridos; Psylocke, Longshot, Wolverine, Destrutor, Cristal, Vampira, Magneto e Tempestade, eles decidem recorrer a mente brilhante de Reed Richards para tentar reverter o estado da Kitty. No entanto, o líder do Quarteto passava por um momento de incertezas devido a maquinações do Doutor Destino, o que o fez recuar e fornecer ao vilão a oportunidade de tomar seu lugar como “salvador da pátria”, ainda que os mutantes soubessem que certamente ficaram em dívida com o ditador da Latvéria, o que ele de forma alguma os permitiria esquecer.

Obviamente essa aliança entre os X-Men e o Doutor Destino não passa despercebida pelo Quarteto, e com o reforço da Mulher-Hulk, numa tentativa de reparação pela recusa anterior de Reed, eles partem para a Latvéria a fim de colocar tudo em ordem.

A batalha está armada.

Numa história bem amarrada, Claremont prossegue sua narrativa de X-Men, apenas incluindo as aparições do Quarteto de forma despretensiosa, não fazendo da minissérie um evento bombástico, e mesmo assim (ou talvez por causa disso) nos entrega uma aventura divertida com todos os bons elementos que ele costumava usar na equipe mutante aplicados ao Quarteto. O grande destaque fica para Franklin Richards, o filho mutante de Reed e Sue, que rouba a cena e apesar de ser apenas uma criança (ou talvez por causa disso) desperta nos adultos violentos ao seu redor uma sabedoria que os faz prestar atenção ao que realmente importava naquele momento.

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Arte de Jon Bogdanove

O encadernado encerra com as edições clássicas de X-Men e Fantastic Four mostrando os primeiros encontros entre os mutantes com os Vingadores e o Quarteto, com roteiro e arte de Stan Lee e Jack Kirby. Ou seja, uma edição nostálgica não apenas para os oitentistas, mas também para os sessentistas de plantão.

Um ótimo jeito de reviver por alguns minutos esse glorioso passado.

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Arte de Jack Kirby
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