O Inescrito: Ontogênese

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[…estamos no meio de uma guerra de palavras… Uma guerra de ideias…]

Por Henry Garrit

De todos os grandes títulos da Vertigo, incluindo “Hellblazer”, “Fábulas” “Monstro do Pântano” e “Sandman” por exemplo, “O Inescrito” entra na categoria daquelas histórias feitas para quem gosta de histórias. Ué, mas a partir do momento que um leitor adquire essa revista, isso significa automaticamente que gosta de histórias, certo? Sim. Mas o Inescrito vai além, pois narra histórias sobre histórias, e enaltece sua importância fundamental para tudo o que existe à nossa volta.

Porque tudo são histórias.

E é por esse motivo que o Inescrito é essencial não apenas para os apreciadores de boas histórias, mas também para os escritores, roteiristas e criadores de modo geral… aquelas pessoas que respiram, vivem e criam suas histórias.

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“Ontogênese” significa “passar a existir”. O principio de uma vida. Uma entidade. Um indivíduo único. E com esse mote, Mike Carey e Peter Gross lançam a pergunta no ar: Tom Taylor é mesmo filho natural de Wilson Taylor ou apenas o produto de um experimento literário transcendental que ganhou vida e “passou a existir”?

O encadernado trás dois arcos: Cidadão Taylor e Ontogênese.  No primeiro, Tom e seus amigos planejam um assalto ousado a um leilão para recuperar artefatos deixados pelo seu pai, e assim quem sabe, conseguir algumas respostas. (Muito embora, em se tratando de Wilson Taylor, o que eles sempre conseguem é mais perguntas). O segundo arco no entanto é repleto de revelações, e conta uma passagem desconhecida da vida de Wilson, que traz à tona novas peças do quebra-cabeças sobre quem de fato é Tom… Mas é claro, novas perguntas são feitas; um super-herói da Era de Ouro ressurge e Tom descobre um novo poder! (Ao ler o diário de seu pai em voz alta no local descrito pelo texto, ele consegue enxergar vividamente os acontecimentos ali narrados).

Alheia as buscas de Tom por suas origens, a Camarilha continua empreendendo esforços contra ele, e dessa vez pode ter ido longe demais.

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Capa de “O Inescrito” # 29, propositalmente emulando o estilo das revistas “pulp” dos anos 30.

Carey e Gross seguem com sua epopeia metafísica/metalinguística, sobre um personagem de quadrinhos que é filho de um autor de fantasia que interage com personagens da literatura. Certamente o texto preciso de Carey é o maior trunfo dessa HQ, que junto ao traço de Gross, passam a credibilidade necessária para que a história funcione. Tudo é baseado nas crenças, e uma vez que elas são estabelecidas, a história ganha vida e é esse o maior mérito da dupla de criadores de O Inescrito. Mas o ponto mais importante é: Eles acreditam nessa história com todas as suas forças, e dessa convicção, conquistam os leitores. As camadas do contexto em que se baseia a mitologia da história são tão sólidas que em alguns momentos, quase esquecemos que os personagens que estão investigando o mundo ficcional são também personagens fictícios.

A não ser que você acredite que eles são em algum nível, reais. Mas isso é outra história…

Leia as resenhas anteriores de O Inescrito: (Em voz alta. Vai que elas se materializam.. 🙂 )

Vol. 1 – Tommy Taylor e a identidade falsa

Vols. 2 e 3 – O Informante / O Retorno de um Morto

Vol. 4 – Leviatã

 

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