John Constantine: Hellblazer! – Origens volume 6 – “O Homem de Família”

Por Henry Garrit

“Com demônios eu sei lidar muito bem, mas dessa vez o problema é puramente humano”

Depois de passar pelo inferno algumas vezes, um mago como John Constantine tira de letra o fato de ter de lidar com um assassino serial de meia idade, certo?

Este é mais um encadernado com as clássicas histórias de Jamie Delano para o título Hellblazer, que pavimentaram a base da revista mais longeva do selo Vertigo e reforçaram as características que tanto amamos e odiamos no mago criado por Alan Moore. Tanto roteiro quanto arte incorporam toda essa atmosfera cínica que o personagem exala, fazendo dessas histórias mais uma coletânea atemporal e indispensável para os fãs do mago.

As três primeiras histórias dessa edição, “O Sangue Fala Mais Alto“, “Coração Doente” (arte de Ron Tiner e Kevin Walker), e “Fatalidade” (arte de Ron Tiner e Mark Buckingham) nos mostram a desesperada tentativa de John Constantine de não ser morto pelo notório assassino conhecido como “O Homem de Famíla”, mas além dessa história tratar de um inimigo nada sobrenatural, ela foi construída para que pudéssemos ver esse lado humano no próprio Constantine. O que prevalece aqui é o terror psicológico, é o efeito que o assassino causa nas pessoas, brincando com seus medos e traumas, atacando sua fragilidade, machucando onde doí mais. E o que é mais doloroso do que ver sua família ameaçada?

Apesar de ser esse casca-grossa de poucos amigos, considerado persona non grata em vários círculos, John tem uma família que apesar de ter seus problemas (qual não tem?) se importa com ele e vice versa.

Algo a se criticar nessa história seria o fato de John não usar sua magia contra o Homem de Família, mas o mérito de Jamie Delano, foi justamente esse. Ao nos mostrar esse Constantine menos confiante e com os nervos a flor da pele, vimos que apesar de toda a fachada ele também tem muitas inseguranças e medo de errar. A solução encontrada pelo mago para dar cabo do assassino é comprar uma arma de fogo e isso faz sentido porque, como um verdadeiro mago, Constantine sabe que é preciso usar força proporcional contra seus inimigos, e que se abusar do uso da magia para fins mundanos, um alto preço será cobrado. Não que isso tenha sido impedimento para ele em outras ocasiões, mas esse caso era pessoal demais para arriscar que o estrago fosse ainda maior. E a coisa já havia saído do controle faz tempo, uma vez que esse serial killer feriu John de uma forma que muitos demônios não conseguiram.

Thomas Constantine

Esses eventos deram o pano na manga para a história “O Luto do Mago“, (arte de Sean Phillips) onde vemos os primeiros indícios da sobrinha de John, Gemma, como futura praticante das artes místicas (muito embora nessa história isso não fique totalmente explícito). Esse conto narra uma (pra variar) bizarra passagem da juventude de Constantine, seu relacionamento controverso com seu pai e as consequências de um antigo feitiço feito por ele de forma irresponsável que causa um problema com o qual ele precisa lidar agora.

O grande enfoque do encadernado é o embate de Constantine com o “Homem de Família”, mas além de “O Luto do Mago” que narra o efeito colteral disso, temos ainda mais três histórias que mostram John seguindo adiante com a sua vida. Em “Novos Truques” (arte de Steve Pugh) ele investiga o desaparecimento de algumas pessoas, já percebendo o envolvimento de magia negra nos casos e se depara com mais um incauto praticante de magia que tenta burlar a morte e acaba causando estragos para todos à sua volta, envolvendo não apenas pessoas, mas também os cães. Em “Os Domingos são Diferentes“, (arte de Dean Motter e Mark Pennington) John reencontra um velho amigo e nos mostra uma face ainda mais estranha da cidade, de um jeito que só ele poderia, e apenas num domingo.

Fechando a edição temos a história “O Bicho-Papão“, (arte de Sean Phillips) com um John Constantine buscando a ajuda de velhas amigas, Marj e Mercury, (a poderosa médium que foi essencial para a destruição da Máquina do Medo). Aqui vemos que John está em um perigo enorme e totalmente desnorteado, mas ao envolver as duas nesse problema, pode ter piorado muito a situação. Essa HQ serve como um prelúdio para o próximo arco publicado na edição seguinte, “O Coração do Menino Morto”, que fecha a coleção “Origens” de Hellblazer, e abre caminho para as coleções “Infernal” e “Demoníaco”.

Nos vemos na próxima!

Resenhas anteriores de Hellblazer – Origens:

Vol. 1  – PECADOS ORIGINAIS

Vol. 2  – TRIÂNGULOS INFERNAIS

Vol. 3  – NEWCASTLE E A MÁQUINA DO MEDO, ATO I

Vol. 4  – A MÁQUINA DO MEDO – ATO II

Vol. 5 – HISTÓRIAS RARAS

S_Final

Henry Garrit é autor de vários livros de ficção, fantasia e terror. Ele também escreve HQs, onde criou alguns personagens, dentre os quais se destacam “MONTE CASTELO”, um arqueólogo que está sempre às voltas com o sobrenatural e “VÊNUS” sua heroína de ficção científica.

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