Superman: Entre a Foice e o Martelo

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Por Henry Garrit

Todos conhecem a história do Homem de Aço. O bebê que foi salvo da destruição de seu mundo por seus pais, colocado em um foguete que o trouxe para a Terra, onde foi acolhido por um casal do Kansas e ganhou poderes devido a radiação do nosso sol amarelo.

O Superman é o símbolo de tudo o que super-heroísmo representa, a encarnação da verdade, justiça… e o modo de vida americano! (Sempre odiei essa descrição e o próprio personagem já se referiu a si mesmo como um “cidadão do mundo” em várias ocasiões, mas na prática, sabe como é, né?)

Pois bem, vamos imaginar como seria o seu caráter se ele tivesse outra criação, longe do patriotismo norte americano, com outros valores e outra visão de mundo? E se, ao invés de uma fazendo do Kansas, o foguete tivesse caído numa fazenda coletiva da Ucrânia, em plena guerra fria?

Quem seria o Superman então?

Essa é a pergunta que Mark Millar se propõe a nos responder com a minissérie “Entre a Foice e o Martelo“, (“Red Son” no original. Assim como em diversos momentos da história, esse é mais um trocadilho usado por Millar, brincando com as palavras que em português significam “Filho vermelho”, mas que parecem muito com “Red Sun” – Sol vermelho).

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Criado dentro do selo de realidades alternativas da DC, o “Elseworlds”, e mais tarde absorvido pelo conceito do multiverso, situa o Homem de Aço no cenário de uma Rússia totalitária onde o comunismo se expandiu por quase todo o globo, obviamente com a ajuda de seu super “filho vermelho”, exceto pelos EUA, que ainda exercem resistência ao regime, contando principalmente com a ajuda do homem mais inteligente do mundo e provavelmente o único no planeta capaz de derrotar o Superman: O Dr. Lex Luthor!

Vemos então o embate ideológico que ultrapassa as barreiras de bem e mal, vilão e herói. Luthor comete diversas atrocidades para garantir seus objetivos? Sim, mas com total apoio do governo americano. Por outro lado, embora o Superman comunista mantenha um código que o impede de matar e o guia até certo ponto; Conforme o tempo passa, e as disputas pelo poder se tornam mais ferrenhas, não existem mais limites de moralidade que o impeçam de trazer sua visão de paz para o mundo, fazendo cair por terra qualquer senso moral que respeite a liberdade individual dos cidadãos. Parte disso é explicado pelas maquinações do supercomputador Brainiac, mas logo fica claro que ele apenas incentivava os próprios impulsos do então presidente Superman.

Esse Elseworld também tratou de forma inteligente de outros personagens, como a Mulher-Maravilha e a soberania da nação das amazonas; Um Batman que por algumas páginas nos fez sentir um gostinho de O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller e a Tropa dos Lanternas Verdes convertida numa Tropa dos Fuzileiros dos Lanternas Verdes graças a intervenção do Dr. Luthor, cuja esposa, Lois, veio a ter função decisiva ao final da história, algo nada parecido com o que poderia se esperar.

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Inspiradíssimo, com diálogos afiados, trocadilhos pertinentes e encaixes engenhosos dos personagens nessa realidade comunista, Mark Millar entrega seu improvável Superman russo, que leva aquele velho exercício de imaginação a outro patamar, nos mostrando que sim, a criação e o ambiente formam muito do caráter de alguém, mas algo em sua essência permanece imutável.

A arte competente de Dave Johnson e Kilian Plunkett são eficazes o bastante para nos fazer sentir em casa mesmo em outro universo, com outras cores e outras ideologias.

Alguns detalhes no roteiro incomodam, mas não chegam a comprometer… Até porque, como se trata de um mundo alternativo, podemos relevar algumas mudanças feitas nos personagens sem muita explicação, importantes para o desenvolvimento da história.

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Apesar de toda a discussão politica/ideológica, “Superman: Entre a Foice e o Martelo” não é uma história que escolhe lados, apenas nos mostra os fatos sem privilegiar nenhum deles, pelo contrário, identifica suas falhas. Além de uma grandiosa narrativa, toca com precisão nos temas históricos, obviamente acrescentando a eles a fantasia de um gibi de super-heróis. E também avança no campo da ficção científica, com um desfecho inesperado e corajoso, que me deixou pensativo sobre sua genialidade ou exagero… Mas certamente algo de indiscutível impacto.

Mais um clássico pra coleção da editora das lendas.

 

S_Final

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