Liga da Justiça e Vingadores

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Por Henry Garrit

O Guardião renegado conhecido como Krona quer saber o grande segredo da existência. Para isso, ele não poupa esforços em sua devastadora busca, mesmo que isso signifique a aniquilação de quantos universos forem necessários. Mas o que acontece quando essa jornada obsessiva alcança o universo do Grão Mestre, e envolve outros seres tão ou mais indiferentes à vida quanto o próprio Krona? Como Metron dos Novos Deuses e Galactus se conectam a isso? E o que os heróis de dois mundos distintos, os Vingadores e a Liga da Justiça vão fazer a respeito?

Quando as duas maiores editoras de quadrinhos decidem colocar a rivalidade de lado (como se isso não fosse nada lucrativo pra elas… aham…) e unem as duas maiores equipes de super-heróis de todos os tempos numa minissérie épica escrita por Kurt Busiek com desenhos de George Pérez, o que acontece com o coração de qualquer nerd fã de quadrinhos que se preze?

Isso mesmo,  a gente infarta!

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Atualmente parece improvável cogitar esse tipo de encontro entre os personagens da Marvel e da DC, mas há alguns anos era algo até comum, com diversos crossovers acontecendo, incluindo a memorável minissérie Marvel vs DC que colocou os personagens um contra o outro, e o divertido Amálgama, que os fundiu, proporcionando histórias totalmente fora da casinha. (Quem não lembra do “Garra das Trevas”, fusão de Batman com Wolverine?)

Um desses principais crossovers (senão O principal) foi sem dúvida Liga da Justiça e Vingadores, porque trouxe à tona tudo de melhor de todas as fases das equipes até então, numa verdadeira avalanche de referências e com as reviravoltas típicas das aventuras desses personagens.

Isso foi possível porque o roteirista inteligentemente brincou com as realidades alternativas e distorções temporais que proporcionaram a história, e embora tenha começado com as formações vigentes na época tanto da Liga quanto dos Vingadores, o que num primeiro momento deu a entender que seguiria irrestritamente a cronologia,  ele deu uma volta em todo mundo (que bom) e sim, mesmo dentro daquilo que era a continuidade válida nos títulos de cada equipe, pôde usar os personagens que quis, retirados de qualquer ponto do tempo, atualizando-os telepaticamente pelo Caçador de Marte sobre o que estava acontecendo. Com isso, vimos Kyle Rayner e Barry Allen se revezando nos papéis de Lanterna Verde e Flash com Wally West e Hal Jordan, além de outras versões de diferentes épocas do Capitão América, Gavião Arqueiro e por aí vai.

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Busiek e Pérez, dois veteranos dos quadrinhos, estavam mais do que capacitados para criar essa incrível odisseia e não decepcionaram os leitores, que foram presenteados com uma das mais empolgantes HQs das super-equipes já contadas, ainda que já tenhamos visto todas as idas e vindas de crises e guerras secretas, fora o óbvio acordo entre as editoras fazendo com que eles não se lembrem e/ou não faça parte da continuidade vigente de nenhuma delas… para talvez (eu gosto de pensar assim) existir na sua própria continuidade.

E o que tivemos então foi uma épica (bota ÉPICA nisso) aventura cósmica, no melhor estilo Crise nas Infinitas Terras e Guerra Infinita, sem as proporções dessas sagas individualmente para cada editora, mas nos remetendo a sua grandiosidade, numa realidade onde a Liga da Justiça e os Vingadores pudessem lutar entre si e depois se unir contra um inimigo comum (claro), mas acima de tudo, integrando-se de modo que em certo ponto, eram uma só equipe lutando pela sobrevivência de seus universos.

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Busiek escolheu vários caminhos para essa história, e foi brincando com eles no decorrer da narrativa. Mesmo que exista o supracitado clichê de heróis que lutam e depois se unem, isso definitivamente não define o crossover, uma vez que não se trata de apenas um jogo, mas uma verdadeira caixa de jogos que os autores espalham pelo chão e vão brincando, um a um. Como num videogame, existe a disputa para quem coleta primeiro os prêmios de cada mundo, a equiparação entre personagens e seus poderes, colocando-os frente à frente como num game de luta, ao mesmo tempo em que a história  sendo contada sempre é mais importante que os jogos. Alcançar o objetivo, para ambos os lados, é a prioridade, e não descobrir quem é o velocista mais rápido, o melhor arqueiro, o maior lutador, o mais forte, o mais heroico. Então o que temos é uma aula de história sobre a cronologia das duas editoras até então (lembrando que foi publicada em 2003), onde vemos coisas como Darkseid usando a Manopla do infinito e o Homem de Ferro fazendo um upgrade em sua armadura com uma Caixa Materna, entre outros inúmeros exemplos.

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Interessante ver certos aspectos levantados pelo autor, como as diferenças entre as Terras da Marvel e da DC. E como as coisas funcionam em cada uma delas. Pra começar, a Terra da Marvel é ligeiramente menor, o que explica as muitas cidades norte americanas que só existem no universo de Superman e companhia, como Metropolis, Gotham, Star City, Hub City, Opal City, Fawcett City, Central e Keystone City, etc, etc, etc, além dos países que existem em uma e não na outra, como Santa Prisca (Onde nasceu o Bane) e a Latvéria, dominada pelo Doutor Destino que só existe na Marvel. Isso sem contar com Genosha, Themyscira, Nanda Parbat, Terra Selvagem, Olimpo, Asgard e Atlântida (esses últimos três existem nos dois mundos, embora sejam diferentes).

O mais legal é a questão das leis da física e mesmo da magia. No Universo Marvel, não existe Força de Aceleração, logo o Flash perde seus poderes. No Universo DC, a magia é diferente, mais caótica, o que deixou a Feiticeira Escarlate mais poderosa, mas esgotada.

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O enredo faz ainda muitos paralelos entre as editoras, repletos de toneladas de referências pra leitor nenhum botar defeito. Temos os grandes representantes de cada editora em seu auge, que no traço genial de George Pérez, nos dá a impressão de que por mais que esses encontros sejam raros, é como se esses personagens sempre estivessem ali, lado a lado.

O fato é que a história não foi feita para acentuar nenhuma rivalidade entre os personagens ou os leitores. Embora essas disputas entre eles aconteçam, sejam necessárias, o que vemos é que eventualmente eles poderiam ser publicados na mesma editora e conviver como heróis e irmãos de armas, pois na verdade, é isso o que eles são.

E como diria o Superman: Para o Alto e Avante Vingadores!

Super Capitão de Krypton da América
Crédito da foto: NIGHT FURY artwork

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Henry Garrit é autor de vários livros de ficção, fantasia e terror. Ele também escreve HQs, onde criou alguns personagens, dentre os quais se destacam “MONTE CASTELO”, um arqueólogo que está sempre às voltas com o sobrenatural e “VÊNUS” sua heroína de ficção científica.

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3 comentários sobre “Liga da Justiça e Vingadores

  1. Uma grande homenagem a todos encontros de supergrupos, em especial Liga da Justiça /Sociedade da Justiça e Vingadores vs Defensores. Teste de conhecimento da cronologia de ambos universos (senti-me velho quando reconheci cada referência da história dos personagens). Arte fe-no-me-nal! É Pérez!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Exato meu caro, essa história realmente homenageia todos esses encontros e nos presenteia com todo tipo de “fan service” a cada página, sem que isso interfira no bom andamento do roteiro! Também senti a mesma coisa, o tempo passa… XD

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