O INESCRITO: TOMMY TAYLOR E A GUERRA DE PALAVRAS!

23722358_10209927337359757_7403886043935706262_n

Por Henry Garrit

A organização maligna conhecida como “Camarilha” matou a família e as pessoas mais próximas de Tom Taylor. Desde amigos da faculdade até ex-namoradas. Agora mais do que saber a verdade sobre si e as maquinações de seu falecido pai, o controverso autor da saga literária do menino bruxo conhecido como “Tommy Taylor”, tudo o que ele deseja é vingança.

Agora é guerra!

Chegamos a um dos pontos altos da saga, quando as cartas são colocadas na mesa e revelações finalmente vem à tona. Ok, não todas… mas já é alguma coisa.

Originalmente publicadas nas edições The Unwritten 31 a 35 que receberam histórias de “bastidores” dos acontecimentos (muito legal isso), contadas nas edições de The Unwritten 31.5 a 35.5. No Brasil a Panini optou por publicar as edições 1.5 num encadernado separado. Arriscado, pois distanciou demais histórias extremamente conectadas, mas eficaz quando se tem os dois volumes para ler em sequência. Para essa resenha, serão feitas as análises dos dois encadernados, então senta que lá vem a história!

unwritten

Entendendo O Inescrito!

Usando e abusando da metalinguagem, a série de Mike Carey e Peter Gross levou a sério aquela coisa de “a arte imita a vida”. Mas como funciona toda a mecânica por trás das desventuras de Tom Taylor? Magia? Realidade virtual? É tudo um sonho?

Nada disso.

Tom já se deparou com um ser antigo conhecido por “Leviatã“. Ele se alimenta de histórias e seus sonhos se tornam reais. A Camarilha é uma organização que se aproveita do Leviatã, manipulando as histórias e desta forma, exercendo seu controle pelo mundo, muito embora eles mesmos não saibam exatamente como domar de forma eficaz o Leviatã. Algumas pessoas tem uma conexão mais forte com a criatura, porque estão ligadas a histórias que prenderam seu interesse. É o caso da Sra. Rausch, a manipuladora de marionetes, o assassino conhecido como Sr. Pullman e… Tom. Devido as manipulações de seu pai, Wilson Taylor, que o expôs ao Leviatã, criando uma ligação entre ele a entidade. Funciona mais ou menos assim: Tecnicamente, quanto mais pessoas tomam conhecimento de uma história, e a transcrevem e passam adiante, mais fortalecem o Leviatã, que se alimenta dessas narrativas. Quando a história é muito “forte”, (como é o caso de Tom e seu homônimo Tommy Taylor), elas passam a manifestar no mundo real. Para alguns, isso é um pesadelo, Para outros, uma forma de exercer controle sobre o mundo.

Mas o que é o Leviatã?

O Inescrito é sobre histórias. Então vou transcrever a seguir uma breve história contada por Cain dando sua versão sobre a Besta-Fera:

“Quando Enlil fez o mundo, ele o separou em dois pedaços. O primeiro forjado do espírito, e o segundo da matéria. Ele agiu assim para que cada metade pudesse se apoiar na outra e ser nutrida por ela. No início, os dois mundos estavam lado a lado e havia muito contato entre eles. Todo homem era um xamã e caminhava em espírito. Mas com o tempo, as duas esferas se afastaram, e os homens se esqueceram do caminho para o mundo espiritual.

Então Utu, que manobra o sol, fez um mensageiro para trafegar entre os dois mundos. Uma coisa que não tinha carne nem alma, e nem era vinculada a nenhum dos dois domínios. Ele a chamou de Abaddon, embora alguns o chamem de Leviatã.

Era pequena e ligeira. Correndo entre os mundos para cumprir as ordens dos deuses e levar suas notícias. Mas porque não tinha alma, nem corpo, não havia nada que pudesse comer. Nem espírito nem substância a nutririam. Começou, aos poucos, a definhar e então a passar fome. Teria morrido, não tivesse farejado alimento. Um homem estava falando, e Besta-Fera foi atraída por suas palavras. Elas cheiravam tão bem que a criatura não pôde se conter.

Palavras são o espírito proferido pela matéria, algo grosseiro e sutil ao mesmo tempo.

A Besta-Fera considerou-as tanto deliciosas quanto nutritivas. Ela aumentou muito de tamanho e apurou seu paladar. Quanto às palavras das narrativas, considerou-as as mais apetitosas. Cresce para se tornar um monstro. E, não sendo nem de carne nem de espírito, ganhou poder sobre ambas as instâncias.

Sobre a vida e morte, a Terra e o Paraíso, a verdade e as mentiras.

E quando ela morrer, serão livres todos os homens, que agora vivem escravos de Abaddon, embora não saibam”.

44

A Guerra de Palavras

Em sua busca por vingança contra a Camarilha, Tom consegue usar seus “poderes” (a manifestação física das habilidades do menino bruxo no mundo real) e encontra o esconderijo da Camarilha, onde ajudado por seus fiéis amigos Richie Savoy e Lizzie Hexam, finalmente promove o tão esperado acerto de contas. Cara a cara com o Sr. Pullman, (assassino de seu pai), Tom recebe a revelação de que tudo era parte de um plano dele para que finalmente pudesse morrer. A verdade é que Pullman é Cain, o personagem bíblico, dono de uma das histórias mais fortes e mais antigas do mundo. Por causa disso, o Leviatã vem se alimentando há eras de sua narrativa, não permitindo que ele morra. Atormentado por uma vida infinda repleta de sofrimento, ele tem dedicado sua existência a abater o Leviatã. E Tom nada mais é do que sua arma para isso. Em seu duelo final, o Leviatã foi ferido, e Pulmann supostamente encontrou sua morte, não antes de trair Tom e matar sua amiga Lizzie.

ine07

A Guerra de Palavras 1.5

É onde temos histórias por trás de histórias, que explicam e definem alguns dos personagens, com contos em diferentes épocas, com roteiro e arte de Mike Carey, Peter Gross, Michael Wm. Kaluta, Rick Geary e Bryan Talbot, (na melhor das metáforas do clássico Moby Dick) mostrando vislumbres principalmente no que se refere a Cain/Sr. Pullman e suas manipulações para destruir a criatura que o atormenta com a vida eterna. Inclusive é numa dessas passagens que ele relata a história da Besta-Fera transcrita acima, muita embora se recuse a contar como ele obteve tal informação.

Um dos melhores contos, mostra o passado de outra personagem recorrente, a manipuladora de marionetes, Sra. Rausch, o que explica suas motivações e esclarece sua ligação com Wilson Taylor.

De volta ao tempo presente, a história se conecta diretamente com a ação de Tom e seus amigos mostradas no encadernado anterior, ou seja, a investida violenta contra a Camarilha, sob a perspectiva de um carinha chamado Daniel Armitage, que segundo ficamos sabendo, estava presente nos “bastidores” da história desde o começo. Daniel acaba se envolvendo sem querer com a Camarilha, e não menos por acaso sobrevive a um verdadeiro caos, descobrindo fatos importantes sobre todos, o que dá a entender que o personagem voltará a aparecer no futuro.

unwritten32pointfivecover

Apesar de muitas idas e vindas, Mike Carey e Peter Gross foram atenciosos em seu roteiro e amarraram quase todas as pontas soltas, mostrando que eles meio que sabem o que estão fazendo afinal de contas… e renovando nosso fôlego para as histórias seguintes.

Acompanhe conosco as resenhas de todos os volumes de O INESCRITO nos links abaixo:

TOMMY TAYLOR E A IDENTIDADE FALSA!

O INFORMANTE & O RETORNO DE UM MORTO!

LEVIATÃ!

ONTOGÊNESE

S_FinalO e-book IRREALIDADES vai te surpreender ao apresentar mundos sombrios, futuros perigosamente possíveis e aventuras em guerras tecnológicas em planetas distantes!

Incríveis contos de suspense, aventura, ficção científica e fantasia! Não perca!

CAPA IRREALIDADES

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s